"Portanto, ninguém se glorie em homens; porque todas as coisas são de vocês, seja Paulo, seja Apolo, seja Pedro, seja o mundo, a vida, a morte, o presente, ou o futuro; tudo é de vocês, e vocês são de Cristo, e Cristo, de Deus."
PENSE NISTO: "O valor do homem é determinado, em primeira linha, pelo grau e pelo sentido em que se libertou do seu ego!" (Albert Einstein).

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Arrebatamento

- por René Burkhardt - 17 de Julho de 2008

"depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens,para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor" (1Ts 4.17).

A Palavra de Deus nos fala sobre um arrebatamento para os cristãos que estiverem vivos em um determinado momento da história. Através do apóstolo Paulo, o Espírito de Cristo nos revela esse mistério, citando, inclusive, o tempo exato em que isso deveria ocorrer, em concordância ao que o próprio Mestre já havia revelado. Mas situar esse tempo na história tem gerado muitas discussões, por divergências de opinião quanto a sua posição em relação à tribulação, ou septuagésima semana de Daniel.

Quando o apóstolo escreveu a esse respeito para os cristãos de Tessalônica, foi por se preocupar com a tristeza que estava atingindo aquela igreja devido à morte de irmãos (1Ts 4.13), em decorrência da grande tribulação pela qual a Igreja passava naquela época. Ele lembrou a ressurreição de Jesus e a conseqüente ressurreição, e sua reunião a Ele, daqueles que morreram em Cristo (v.14), antes mesmo que os cristãos que estiverem vivos, quando de Sua maravilhosa volta, sejam reunidos a Ele através do arrebatamento (vs.15-17).

Paulo relembrou à igreja "que o Dia do Senhor vem como ladrão de noite" (1Ts 5.2) e, por isso, não seria necessário escrever sobre tempos e épocas (v.1), pois essa reunião se dará, apenas, naquele Dia e que os cristãos não seriam pegos de surpresa por ele, como os demais, porque os crentes andam na luz do Senhor (vs.4-5), ou seja, estão totalmente informados por Sua Palavra de que aquele é um dia de glória para os que mantêm o testemunho de Jesus e de terror somente para os que não deram crédito a Cristo. Ele ainda recomendou à igreja que se revestisse de fé, amor e esperança, afirmando que os cristãos que estiverem vivos naquele Dia, não o estarão por terem sido destinados à ira, "mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo", quer vigiem, quer durmam (vs.8-10).

Paulo voltou a tocar nesse assunto, quando escreveu sua segunda carta a essa igreja, novamente vinculando a nossa reunião com Ele à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo (2Ts 2.1), no Dia do Senhor (v.2). E esse Dia só aconteceria depois que viesse a apostasia e fosse revelado o anticristo (vs.3-4). Esse foi o consolo que o apóstolo providenciou para uma igreja que, por estar desatenta à Palavra e à pregação (v.5), temia que aqueles que estavam morrendo tivessem perdido a salvação, já que não estariam presentes quando o Senhor Jesus voltasse e arrebatasse a Sua Igreja, ao final daquele período que eles consideravam ser a tribulação final, num claro sinal de que haviam sido ensinados que a Igreja estaria na terra até a volta visível de Cristo, ao final da tribulação.

Apesar da clareza das Escrituras a esse respeito, desde o século XIX muitos cristãos têm crido em um arrebatamento anterior ao período da tribulação, ou seja, os sete anos de reinado do anticristo, após o acordo de paz com Israel intermediado por ele. E o que levou os cristãos a pensarem desta forma, se diversas passagens na Bíblia situam o arrebatamento no final dessa tribulação?

Certamente, um dos motivos que os levaram a isto foi confundir esse período com o tempo da ira de Deus, sabendo que os cristãos não são destinados a ela (1Ts 5.9). Nesse sentido, precisamos compreender alguns aspectos revelados pelo Senhor. Em primeiro lugar, vemos em Tiago 1.13 que Deus “...a ninguém tenta”. Isto quer dizer que o Senhor nunca nos daria uma ordem que Ele mesmo não cumprisse, pois, desta forma, estaria nos tentando a agirmos como Ele, a despeito de Sua Palavra, já que devemos seguir Seu exemplo. E em Efésios 4.26, nos é dada uma ordem que o próprio Senhor nunca vai descumprir: “...não se ponha o sol sobre a vossa ira”. A menos que nos sete anos da tribulação o sol não se ponha mais, fica evidente que a ira do Senhor será derramada em um dia apenas.

Apesar de todas as manifestações sobrenaturais previstas para aquele período, podemos considerar que elas serão, ainda, uma expressão da misericórdia de Deus, chamando a atenção de todos para Si mesmo, numa estrondosa tentativa de reconciliação dos ímpios com o Deus Criador, porque Ele não quer “...que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2Pe 3.9). Podemos perceber uma certa tristeza do Espírito de Cristo ao revelar, através de João em Apocalipse 9.21-22 e 16.9 e 11, que, mesmo diante de todos aqueles sinais, os ímpios não se arrependiam de suas más obras e não se voltavam para Deus.

Assim, podemos concluir que a verdadeira ira de Deus é cessar Sua misericórdia sobre as pessoas, depois que elas atingirem um limite de iniqüidade (cfe. Gn 15.16 “... porque não se encheu ainda a medida da iniqüidade dos amorreus”.), e as condenar a uma eternidade de sofrimento, afastadas de seu Criador. O Senhor tem total domínio sobre a vida e a morte. Se alguém morre, em qualquer época, sem reconhecer o senhorio de Cristo, certamente a misericórdia de Deus cessou sobre essa pessoa e ela já foi condenada.

O Senhor, na realidade, consumará Sua ira quando lançar a besta, o falso profeta, o Diabo, a morte, o inferno e todo aquele que não foi achado inscrito no Livro da Vida para dentro do lago de fogo e enxofre (Ap 20.10,14-15). Os que não foram achados inscritos no Livro da Vida são os que não reviveram na primeira ressurreição, ao final da Grande Tribulação (Ap 20.5), e os que morrerem durante o milênio. Seu julgamento ao final do milênio (Ap 20.12) é, apenas, uma justificativa para a sua condenação, através da confrontação de suas vidas com a Palavra de Deus, que foi rejeitada por todos eles. E todo aquele que morre sem ter a Cristo Jesus como Senhor, já está separado para isto.

Isso nos revela que essa condenação não é só para as pessoas que receberem a marca da besta no período tribulacional, mas para todas as pessoas, de todas as épocas, que não creram em Jesus, o Cristo de Deus. Então essa ira não pode ser relacionada a um processo tribulacional por um período de tempo, onde existe somente o dano físico que pode atingir tanto aos não crentes, como aos crentes, sendo que estes têm sua salvação assegurada independentemente de sua integridade física. Pois os que tiverem morrido em Cristo, em qualquer época, terão parte na primeira ressurreição, inclusive aqueles que foram “...decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão...” (Ap 20.4).

E aqui entra um segundo aspecto revelado por Deus: em 1Jo 4.2-3 e 1Co 12.3 somos ensinados que a única forma de alguém reconhecer e se submeter ao senhorio de Cristo é através do Espírito Santo. E uma das coisas que é ensinada por aqueles que defendem um arrebatamento anterior à tribulação é que o Espírito Santo tem que ser afastado do mundo (e, conseqüentemente, a igreja também), para que o anticristo possa exercer seu reinado mundial. Isto é ensinado com base em 2Ts 2.6-8, onde entende-se que “aquele que agora o detém” seja o Espírito Santo em Sua totalidade, não apenas como a autoridade para deter temporariamente a Satanás, um ministério do Espírito de refrear a iniqüidade, que é o demonstrado pelo contexto bíblico.

Se alguém só pode reconhecer o senhorio de Cristo (e se submeter a ele) pelo Espírito Santo e Este não estiver presente na Terra durante a tribulação, como a grande multidão mencionada no livro de Apocalipse 7.9-14 poderia ter sido salva? Por esforço próprio? Isto faria com que a glória do Senhor tivesse que ser dividida com eles, afinal, eles teriam buscado a Deus sozinhos e teriam praticado obras que os salvassem. Ora, em Isaías 42.8 e 48.11 vemos que o Senhor jamais dividirá Sua glória com quem quer que seja. Em João 6.44 vemos que ninguém vai ao Senhor Jesus se o Pai não o levar e sabemos que isto Ele faz através do Espírito Santo, que convence “o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8).

E também vemos em Efésios 2.8-9 que ninguém alcança a salvação por obras, porque ela é pela graça de Deus através da fé, que é um dom de Deus. Desta forma, constatamos que, para que o Espírito Santo se ausentasse da Terra durante a tribulação, seria necessário que Deus mentisse, pois as pessoas poderiam, afinal, conquistar sua salvação por esforço próprio. E isto é absurdo! É negar que havia a necessidade do sacrifício de Jesus para a nossa redenção! Pois se pelo menos um ser humano tivesse a capacidade de obter a salvação por méritos próprios, todos os outros também teriam e a morte de Cristo se tornaria vã.

UM MISTÉRIO

“Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos,
mas transformados seremos todos, num momento,
num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última
trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão
incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1Co 15.51-52)


No texto acima, vemos o apóstolo Paulo se dirigindo a outra igreja a respeito do mesmo assunto e, como não poderia deixar de ser, com a mesma instrução. Novamente ele coloca como necessária a ressurreição dos mortos em Cristo antes do arrebatamento dos crentes que estiverem vivos naquele momento.

Este ensino descarta completamente a possibilidade de um arrebatamento anterior à liderança mundial do anticristo, pois o próprio Senhor Jesus revelou através do apóstolo João, nos capítulos 19 e 20 de Apocalipse, que no momento da Sua volta Ele lançará a besta e o falso profeta no lago de fogo (19.20), matará todos que estiverem nos exércitos congregados contra Jerusalém (19.21) e um anjo aprisionará o Diabo num abismo por mil anos (20.1-3). E é no momento que essas coisas estiverem acontecendo que os mortos em Cristo ressuscitarão, sendo que “Esta é a primeira ressurreição” (20.5). Ora, é impossível que haja uma ressurreição antes da primeira. Do contrário, ela já não seria a primeira e, sim, a segunda. E sabemos que a Palavra do Senhor é verdadeira e sem falhas.

Como vimos, esse mistério foi sendo desvendado pouco a pouco para a Igreja primitiva, através das pregações de Paulo para as diversas igrejas, culminando com a revelação do Senhor Jesus ao apóstolo João sobre a época em que isso se daria. E essa revelação, em sua totalidade, nos mostra claramente que a dispensação da Igreja existirá até o final da Grande Tribulação, quando o Senhor vier entre nuvens, os mortos em Cristo ressuscitarem e os cristãos que estiverem vivos na terra forem arrebatados. Só naquele momento os israelenses verão “aquele a quem traspassaram” (Zc 12.10), se converterão a Ele “E, assim, todo o Israel será salvo” (Rm 11.26), dando início ao Reino milenar de Cristo na terra.

Assim, vemos que “... os restantes da sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Ap 12.17) são os cristãos, pois, “... se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa” (Gl 3.29). E, naquele momento, os israelenses ainda não terão se convertido ao Senhor Jesus, sendo impossível terem Seu testemunho. Pelo mesmo motivo, os santos mencionados em Apocalipse 14.12 também são os cristãos, pois fala daquelas pessoas perseverantes que não aceitarão a marca da besta, porque “guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus”.

Isso tudo deixa claro que o mistério, ao qual Paulo se referiu, é o arrebatamento, ou seja, aqueles que não morrerem até o final da Grande Tribulação serão retirados repentinamente da terra (dia e hora não são conhecidos – cfe. Mt 24.36, 25.13), tendo seus corpos transformados, e se reunirão nos ares com o Senhor Jesus e com os mortos em Cristo, que já terão ressuscitado. Só aqueles que perseverarem até o fim (Mt 24.13) participarão desse arrebatamento. E, mesmo conhecendo a seqüência de fatos que terão que ocorrer, será necessária muita perseverança para se chegar a ele, pois as tentações, privações, perseguições e os perigos serão muitos e muito intensos, levando alguns a desistirem.

Além disso, com a mudança de contagem de tempo imposta pelo anticristo (Dn 7.25) e pelo fato de não existir mais diferença entre noite e dia (Mt 24.29; Jl 2.10; Is 13.10; Ez 32.7-10) será impossível prever o momento exato da volta do Senhor, momento este que parecerá demorar demais, diante de todas as circunstâncias adversas daquele período. “Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor” (Mt 24.42).

MEU SENHOR DEMORA-SE...

No final do capítulo 24 de Mateus, entre os versículos 45 e 51, lemos uma parábola que o Senhor Jesus nos conta a respeito de bons e maus servos. Ali, o Senhor descreve um servo bom, a quem seu senhor deu autoridade para sustentar seus conservos a seu tempo e que o acha fazendo assim na sua volta, e um servo mau, com a mesma autoridade, mas que, intimamente (“disser consigo mesmo” - v.48), considera demorada a volta de seu senhor e passa a destratar seus conservos e a se conformar com o mundo, em total desacordo com sua missão. Claramente vemos que se trata de cristãos, pela relação que existe entre servos e seu senhor que se ausenta temporariamente. Outro fato que percebemos, é que esses servos são líderes, ministros da Igreja, pois é dada autoridade a eles para cuidarem de seus conservos.

A postura do servo fiel é a de cumprir a vontade de seu senhor independentemente do tempo que ele levará para voltar e das circunstâncias, boas ou más, que esse servo terá que enfrentar para cumprir o seu compromisso. Sua recompensa será infinitamente maior que as dificuldades que tiver enfrentado. Já o servo infiel vai desviar o olhar de sua missão achando que a volta de seu senhor está muito demorada. Ele não diz isto para ninguém, mas passa a agir como se o seu senhor nem voltasse enquanto ele estivesse vivo e que suas ações, por isto, nem fossem julgadas um dia.

Este servo tem em sua mente a mentira diabólica de que o Senhor Jesus não tem previsão de volta e, desta forma, não precisa ter uma vida reta. Não precisa buscar a paz com todos. Não precisa buscar a unidade no lar, na igreja, no trabalho. Ele pode magoar o seu próximo, levantar falso testemunho contra ele, pode acusá-lo e lançar fardos sobre ele. Tal servo cede à atração e à sedução de sua própria cobiça, se entregando às suas próprias paixões, assim como o mundo o faz.

Esse servo mau diz consigo mesmo que ainda há muita coisa para acontecer, muitas profecias para se cumprirem antes que o Senhor volte e, assim, não vigia, não fica apercebido, não atenta à Palavra, não presta atenção nos sinais dos tempos, anda nas trevas de modo que “esse Dia como ladrão vos (o) apanhe de surpresa” (1Ts 5.4) como aos demais. Esse mau servo confirma totalmente o que Pedro escreveu, dizendo que “nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões e dizendo: ‘Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação’” (2Pe 3.3-4).

Além do comportamento desses dois servos, há outra diferença importantíssima entre eles: um age de maneira inconseqüente por achar que o Senhor não tem previsão de volta. Caso ele tivesse certeza, ou pelo menos pensasse, que o Senhor pudesse voltar ainda em seus dias de vida, certamente ele faria todos os esforços para cumprir suas ordens, para manter as aparências e receber sua recompensa, mesmo sem amor pela vontade do Senhor. Sua falta de temor é por ter ouvido falar que o Senhor é misericordioso e, por isto, em caso de julgamento, seu perdão estará garantido. Mas ele, na verdade, será castigado recebendo a ira de Deus.

Já o outro servo não se preocupa com o momento da volta de seu Senhor. Ele não se importa se Ele está demorando, ou se Ele já está voltando. Ele não se importa se o mundo está desabando a sua volta, se está empregado ou não, se terá alimento no dia seguinte ou não, se está passando por grandes sofrimentos e tribulações. Ele está pronto para se encontrar com o Senhor em qualquer momento, pois ele sabe que, na verdade, Jesus está com ele todos os dias, suprindo todas as suas necessidades, enchendo seu coração de paz, livrando-o de todo mal que pudesse prejudicar seu relacionamento com Deus, habilitando-o para toda boa obra, purificando-o do pecado e aperfeiçoando-o a cada dia. Tudo isso por ser habitação do Espírito Santo, desde o dia em que se entregou de coração ao senhorio de Jesus. Sua meta não é a recompensa, mas fazer a vontade do Senhor, por amor a Ele.

E este deve ser o pensamento e a atitude de todo cristão, olhando firme para o Autor e Consumador de nossa fé, pronto para enfrentar a fornalha, a cova dos leões, o vale da sombra da morte, ou para repousar em pastos verdejantes junto a ribeiros de águas límpidas, quer o Senhor venha buscá-lo neste momento, quer dentro de mais algum tempo, ou na ressurreição.

“Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3.12), “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele” (Fp 1.29). Amém.

4 comentários:

Cláudio Nunes Horácio disse...

René, seu texto é muito bom, mas não entendi direito certas partes, se puder me esclarecer, pois não entendo nada de escatologia apesar de ter estudado um pouquinho. Me explica direito a ordem das coisas: igreja passa pela tribulação, o Espírito é retirado, mas a igreja continua aqui? o que você acha que seja o número da besta?
a igreja não passa pelo milênio? só os judeus? enfim, um resuminho pra ver se consigo entender. Obrigado.

René disse...

É o seguinte, Cláudio:

O Espírito Santo não é retirado. É retirada a Sua autoridade de deter o maligno. Se o Espírito Santo fosse retirado da terra, ninguém mais alcançaria a salvação, pois só através Dele se pode se submeter ao senhorio de Jesus. E, em Apocalipse, somos informados que muitos são salvos durante a tribulação.

A Igreja continua aqui, sim, pois ela só é arrebatada após a ressurreição dos mortos. Em Apocalipse 20, vemos que a primeira ressurreição é no momento da volta visível de Jesus à terra. E também somos informados, pelo próprio Senhor Jesus, que Ele não voltará de forma invisível e que não podemos acreditar numa possibilidade dessas, de forma alguma.

O número da besta pode ser qualquer coisa inventada pelo homem. Hoje, só como exemplo e não como afirmação de que seja isto, temos os tais chips, que podem ser colocados sob a pele da mão ou da testa, através dos quais se tem acesso a todas as informações pessoais de quem os possui, além do localizador via GPS. Mas isto é só um exemplo. Ainda podem surgir outras coisas.

Os judeus remanescentes da tribulação (que serão todos salvos), e as pessoas dos outros povos que ficarem vivas sem se entregarem ao senhorio de Cristo, passarão pelo milênio ainda com corpos corruptíveis, sujeitos a pecados e à morte. A Igreja, por ser arrebatada, reinará com Cristo tendo os corpos transformados, já incorruptíveis, ainda aqui na terra. Esses novos corpos serão idênticos ao de Jesus, quando ressuscitou, com capacidade de envolvimento físico (toque, alimentação, etc.), ao mesmo tempo em que ultrapassa qualquer barreira física (prédio trancado, como o cenáculo, onde Jesus entrou pra ficar com os discípulos).

Esta é a visão dos pré-milenistas, pós-tribulacionistas (é rótulo demais, não?).

Abração e Paz!

Cláudio Nunes Horácio disse...

Entendi René, obrigado pela explicação. Como estudei muito, mas só calvinismo e Calvino dizia que o apocalipse era muito pra cabeça dele, então sempre fui amilenista. Mas hoje não mais.

René disse...

Pois é, Cláudio,

Não podemos afirmar que o amilenismo esteja errado, assim como o amilenista não pode afirmar que o pré-milenismo esteja errado. O que eu levo em consideração, é que a espiritualização agostiniana para a leitura bíblica é um tanto temerária. Há promessas de Deus, para Israel, a se cumprirem aqui na terra, que, até hoje não se cumpriram. O amilenismo sugere que tudo se cumpre em Jesus, espiritualmente. Como as outras professias, a respeito de Israel (também de outros povos), se cumpriram literalmente, acho meio difícil que essas não se cumpram também literalmente. Quando os discípulos questionaram a Jesus sobre se seria aquela a época em que o Reino de Israel seria estabelecido, o Senhor não os corrigiu quanto ao estabelecimento do Reino, mas quanto à época em que isto se daria, dizendo que o tempo do cumprimento é de exclusividade do Pai. Mas, como nossos pensamentos não são os pensamentos de Deus, nossa prioridade deve ser a de testemunhar que Deus veio ao mundo como servo, Jesus, para reconciliar com Ele todo aquele que nEle crer, e que voltará como Rei dos Reis, Jesus, para reunir definivamente com Ele todos os seus santos. Isto inclui todos os "istas"!

Paz!