"Portanto, ninguém se glorie em homens; porque todas as coisas são de vocês, seja Paulo, seja Apolo, seja Pedro, seja o mundo, a vida, a morte, o presente, ou o futuro; tudo é de vocês, e vocês são de Cristo, e Cristo, de Deus."
PENSE NISTO: "O valor do homem é determinado, em primeira linha, pelo grau e pelo sentido em que se libertou do seu ego!" (Albert Einstein).
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terça-feira, 13 de março de 2012

A Lei Encravada na Cruz

- por René Burkhardt | 05 de Fevereiro de 2012

“tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz.” (Cl 2.14-15 – ARA e NVI)


Muitos dizem que a lei mencionada nesse trecho é a “lei mosaica”. Eu mesmo pensei assim durante um longo tempo. No entanto, o mesmo Espírito que disse que o escrito de dívida foi cancelado diz, na mesma frase, que esse escrito nos era contrário. E esse mesmo Espírito diz no capítulo 7 de Romanos (aí, sim, falando claramente sobre a “lei mosaica”): “De fato a lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom”.

Poderia algo “santo, justo e bom” nos ser contrário? Com toda a certeza, poderia e era! Jesus afirmou que “o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias”. Ora, tudo isto é contrário a “santo, justo e bom”.

No entanto, esse trecho de Colossenses, além de se referir à "lei mosaica", vai mais adiante ao mencionar que “os poderes e as autoridades” foram despojados e se tornaram um espetáculo público ao serem vencidos por Jesus na Cruz. O Espírito de Cristo está indicando que todo o poder e toda autoridade que não viessem do Pai foram vencidos por serem ilegítimos. Esta é uma clara referência a tudo o que Jesus demonstrou em sua passagem humana pela Terra.

Em Suas andanças por aqui, Jesus deixou clara Sua rejeição às leis humanas em todas as esferas, porque Ele considera a vida de cada pessoa muito mais importante do que qualquer lei. Ele afrontou e enfrentou líderes religiosos por eles darem mais importância a suas leis e tradições do que para a vida de um ser humano. Constantemente, Jesus demonstrou que era UM com Deus e queria que todos fossem UM com Ele. Queria que todos se despojassem das regras pessoais e se unissem a Ele e à única regra válida de conduta: o amor!

Mas as pessoas rejeitam essa proposta! A grande maioria não quer abrir mão de seu poder pessoal de ser deus, determinando o que é certo e o que é errado, comendo e fazendo os outros comerem de sua própria árvore do conhecimento do bem e do mal, criando hierarquias que impõem domínio de um sobre os outros, quando poderia estar gozando de vida em abundância e experimentando o poder de criar vida. Sim, criar vida!

Enquanto o ser humano estiver no primeiro homem, Adão, que é alma vivente, ele só se preocupará consigo mesmo e com sua posição ao nível (ou acima) de Deus! E este posicionamento gera tudo o que existe de ruim, porque esses deuses querem impor sua vontade sobre todos, através daquilo que determinam ser o bem ou o mal, conforme seu próprio conhecimento. Nem percebem que, na verdade, são pobres, miseráveis, cegos, nus, envergonhados, que sua posição gera acusações sobre todos, gera afrontas para dominar ou aceitação do domínio pelo medo, e que tudo isto só gera morte!

Mas, agora, a proposta é de ser UM com o último Adão, Jesus, que é espírito vivificante. Isto implica em abrir mão da busca pela satisfação do ego e do próprio corpo (negar-se a si mesmo) e passar a seguir a Jesus e à Sua lei: amem como Eu os amei! Assim, não há mais rivalidades, não há mais quem seja superior ou quem seja inferior e, por mais estranho que pareça, não há mais igualdade, porque cada um continua sendo um indivíduo particular, com seus erros e acertos, mas estando todos em um só, que é Deus!

Esta é a lei encravada na Cruz: a lei gerada pela vontade humana e o pretenso poder que emana dela!

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sexta-feira, 2 de março de 2012

Dízimo

- por René Burkhardt - 30 de Julho de 2003

“Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade;
porque Deus ama a quem dá com alegria."(2Co 9.7)

A primeira coisa a ressaltarmos é que sem Israel e, portanto, sem Jesus, não conheceríamos o Deus Altíssimo. Saberíamos de Sua existência, “porque os atributos invisíveis de Deus, assim o Seu eterno poder, como também a Sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” (Rm 1.20a), porém não teríamos acesso a Ele.

Jesus, no entanto, foi o instrumento de Deus para firmar nova e eterna aliança com Seu povo escolhido e, a partir daí, com todos os outros que quisessem ouvi-Lo, tornando-Se o Caminho único para a vida eterna com Deus. E, quando se diz Nova Aliança (Jr.31.31), torna-se antiquada a primeira (Hb 8.13). Porque “o fim da Lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4) e “tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz”(Cl 2.14). Dessa forma, nós, cristãos, devemos seguir o exemplo e as palavras do Senhor Jesus, “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular” (Ef 2.20). “Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade (pois a Lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus” (Hb 7.18-19).

Ora, o Senhor Jesus nunca determinou que recolhêssemos dízimos. Nas duas únicas vezes que Ele mencionou o dízimo – Mt 23.23/Lc 11.42; e Lc 18.12 – foi em tom de crítica aos fariseus, que o davam para justificarem-se, sem, no entanto, atentarem para os profetas, que anunciavam a nova e superior Aliança, e sem ouvirem a Moisés, posto que “toda a Lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5.14). Além disso, o que observamos no Novo Testamento é uma unânime recomendação para uma vida comunitária fraternal, onde atender a necessidade do próximo está acima da preocupação com a própria necessidade e onde partilhar é mais importante do que usufruir de uma possível fartura. Mais do que isso, é buscar o equilíbrio que o Senhor nos propõe, “porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade, suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve demais; e o que pouco não teve falta”(2Co 8.13-15).

A necessidade dessas colocações está no fato de que o dízimo era um dos 613 preceitos da Lei (ver Lv 27.30ss, Nm 18.21ss, Dt 14.22-29), da Antiga Aliança de Deus com Seu povo e, não, da Nova Aliança. É de suma importância estabelecermos a diferença entre a Igreja de Cristo (santuário de Deus), onde o Espírito Santo orienta o indivíduo a fazer a vontade de Deus, e a Lei de Deus dada através de Moisés, onde “aquele que observar os seus preceitos por eles viverá" (Gl 3.12b), já que “a Lei não procede de fé” (12a).

 Se somos orientados pelo Espírito, se permanecemos na fé alicerçados e firmes (Cl 1.23) mediante a Palavra de Deus, que “...é inspirada por Deus..., a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”(2Tm 3.16-17), então somos levados a cumprir a orientação dos apóstolos e não da Lei. Ora, a Lei “...foi adicionada por causa das transgressões, até que viesse o descendente [Jesus] a quem se fez a promessa...”(Gl 3.19) e os apóstolos são as testemunhas (At 1.8) desse descendente. E, em seu testemunho, nos orientam a sermos “...firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor...” (1Co 15.58).

 Logo no princípio da Igreja, quando além dos judeus os gentios creram, houve uma controvérsia quanto ao comportamento dos gentios com relação à Lei, fazendo com que os apóstolos e presbíteros se reunissem para examinar a questão, já que alguns fariseus crentes diziam ser “necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a Lei de Moisés” (At 15.5b). Depois de grande debate, discursos e testemunhos, chegou-se a uma conclusão logo transmitida aos gentios: “Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais: que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Saúde” (At 15.27-29).

 É impressionante que esses líderes da Igreja, até então cumpridores da Lei, não tenham mencionado a ingestão de animais imundos, a guarda do sábado, as festas, os dízimos, todos preceitos importantíssimos da Lei, no entanto, desconhecidos dos outros povos. Se eles, judeus que eram, não determinaram a observância desses preceitos pela Igreja, por que nós, agora, deveríamos fazê-lo? Recebemos nova orientação de Deus que, “por descuido” d'Ele, não consta das Escrituras ou estamos seguindo opiniões de homens que não têm o Espírito?

 É evidente que Deus não errou e não mandou nova orientação, portanto, devemos examinar o que tem levado muitos de nossos líderes cristãos a pregarem algo que não é verdadeiro: primeiramente, nessa pregação temos ouvido o que é o dízimo, ou só temos ouvido sobre os benefícios de dá-lo e os problemas por não dá-lo? Temos ouvido que ele é um preceito da Lei? E, como tal, sua verdadeira destinação e motivação?

Em Deuteronômio 14 vemos de forma clara o que é o dízimo, onde e quando deve ser entregue, como e por quem deve ser usado e o porquê de sua exigência. Moisés estava repetindo toda a Lei ao povo e disse: “Certamente, darás os dízimos de todo o fruto das tuas sementes, que ano após ano se recolher do campo. E, perante o Senhor, teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu cereal, do teu vinho, do teu azeite e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer o Senhor, teu Deus, todos os dias” (vs. 22-23).

Aí já vemos a participação do dizimista no consumo de seus próprios dízimos, como, também, um dos motivos de dizimar, qual seja, aprender a temer o Senhor todos os dias, porque Ele é quem sustenta “todas as coisas pela palavra do Seu poder” (Hb 1.3), e nada acontece sem o Seu conhecimento ou sem a Sua permissão. Também vemos onde deveriam ser entregues os dízimos: “no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome” (v. 23), que, inicialmente, foi a Tenda da Congregação e, depois, o Templo. Essas coisas não têm sido mencionadas nas atuais pregações sobre dízimo. O dizimista não é orientado a consumir seu dízimo diante do Senhor. O temor de Deus tem sido estimulado pelo medo de não receber Suas bênçãos, não por Ele ser o Deus Criador, o Todo-Poderoso. E o Templo do Senhor, hoje, o Seu Santuário, é o corpo de cada cristão (1Co 3.16; 6.19), não os prédios das diversas instituições religiosas. Estes só têm a vantagem de poderem abrigar um maior número de cristãos, em um lugar definido, para desfrutarem da comunhão com Deus. Só que esta comunhão é pela reunião dos crentes (Mt 18.20), não pelo lugar.

O Espírito de Deus ainda diz, através de Moisés, que as coisas referentes ao dízimo poderiam ser convertidas em dinheiro (v.25), se o lugar escolhido por Deus fosse longe (v.24), e que, “esse dinheiro, da-lo-ás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, ou ovelhas, ou vinho, ou bebida forte, ou qualquer coisa que te pedir a tua alma; come-o ali perante o Senhor, teu Deus, e te alegrarás, tu e a tua casa; porém não desampararás o levita que está dentro da tua cidade, pois não tem parte nem herança contigo. Ao fim de cada três anos, tirarás todos os dízimos do fruto do terceiro ano e os recolherás na tua cidade. Então, virão o levita (pois não tem parte nem herança contigo), o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão dentro da tua cidade, e comerão, e se fartarão, para que o Senhor, teu Deus, te abençoe em todas as obras que as tuas mãos fizerem” (vs. 26-29).

Novamente vemos o dizimista usufruindo daquilo que recolheu e da forma mais liberal. Quanto à conversão dos bens em dinheiro, é motivada pelo fato de existir apenas um lugar no mundo para onde se deve levar o dízimo (e enquanto o terceiro Templo não for construído, não existe nenhum lugar para cumprir-se a Lei). Com relação aos levitas receberem dos dízimos, é por não terem recebido parte da terra de Israel, onde pudessem plantar ou criar animais, porque o Senhor os separou para serem Seus sacerdotes santos, não podendo envolver-se em negócios deste mundo. E, completando a obra, Deus usa Sua misericórdia e Sua justiça para sustentar aqueles que não têm como fazê-lo sozinhos. No atual uso do dízimo, somente os sacerdotes (pastores, bispos, presbíteros) têm sido contemplados conforme a Lei, pois, para os pobres e desvalidos, são feitas campanhas específicas de arrecadação.

Em segundo lugar, se essa pregação não é feita de forma correta, se ela não obedece às determinações legais de Deus, se ela não instrui de acordo com a vontade do Senhor, seria correto as igrejas (instituições humanas) apoiarem boa parte de sua administração sobre a arrecadação de dízimos? Será que seus orçamentos ficariam comprometidos sem isso? Ou será que, baseando-se na Lei, estejam negligenciando, também, os preceitos mais importantes dela, conforme o “ai de vós” do Senhor Jesus, registrado em Mateus 23.23? Um desses preceitos é a fé, que também é, junto com o amor, um dos principais fundamentos do cristianismo.

A Igreja é a maior expressão da Graça de Deus, que, através da morte e ressurreição de Jesus, proporcionou a salvação e a remissão dos pecados para todo aquele que crer. “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). E, quando cremos, somos orientados a fazermos uso da fé e não andarmos ansiosos por coisa alguma, porque nosso Pai celestial sabe de todas as coisas que necessitamos e Ele Se agradou em dar-nos o Seu reino (Lc 12.22-34). Se Ele sabe dessas coisas de nossa vida pessoal, também sabe de nossas necessidades institucionais.

Quando o Espírito de Deus disse que “devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino” (1Tm 5.17), é evidente que Ele sabia que a Igreja se organizaria e, assim, teria despesas a serem cobertas. Ainda assim, Ele não abriu uma exceção para que essa organização lançasse mão de um preceito da Lei a fim de prover seu sustento. Pelo contrário, o Senhor nos indicou o cumprimento da essência da Lei – fé, amor, justiça, misericórdia – através de uma vida piedosa, “pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser” (1Tm 4.8).

 Ao observarmos a Palavra de Deus, verificamos que o cristão deve trabalhar, não para prosperar e cercar-se de bens para seu próprio conforto, mas para ter sustento (despesas pessoais imprescindíveis) e vestir-se (sem grande ostentação). O restante do fruto do trabalho é para acudir ao necessitado, seja quanto for. A Igreja não pode abandonar este princípio, nem mesmo condicioná-lo a dez por cento, pois, ao fazê-lo, negligencia a vontade do Deus Altíssimo para nossa vida. “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7.21), disse o Senhor Jesus. E isso Ele disse com relação aos frutos dos cristãos demonstrados no cotidiano.

 Se, em nosso dia-a-dia, nos preocupamos em conquistar bens, cargos profissionais ou eclesiásticos, vestuário dispendioso, manjares agradáveis, ou qualquer outra coisa para nossa satisfação, fatalmente, estaremos entristecendo ao Senhor e sendo iníquos. A iniquidade do homem está no pensar apenas em si mesmo. Isso o afasta de Deus, porque é contrário à Palavra. Buscar as coisas terrenas é endeusar o próprio ventre, é gloriar-se na própria infâmia, tendo como destino a perdição (Fp 3.19). Essa é a iniquidade que será considerada nos julgamentos celestiais, pois o pensar em si não deixa condições para pensar nos outros.

 Mas, quando nos sujeitamos ao senhorio de Cristo, fazemos Sua vontade e somos abundantes nas boas obras que, providencialmente, Ele colocou em nosso caminho. Aí, como sabemos que são muitos os membros de Cristo e que todos devem cooperar em favor uns dos outros, buscamos ter comunhão uns com os outros. Assim, forma-se a Igreja local com pessoas unidas por um mesmo pensar e um mesmo proceder. Com essa atitude e cientes da Palavra de Deus, trazemos todas nossas ofertas aos líderes da Igreja (At 4.32-35) que cumprirão a vontade de Deus. Essas ofertas é que devem ser a base da administração das igrejas, tomando-se o extremo cuidado com os supérfluos que têm se tornado gêneros de primeira necessidade, apesar de não terem apoio bíblico para tanto. E, quando nos afastamos da Palavra, nos afastamos de Deus.

Diante de tudo isso, só podemos concluir que a pregação do dízimo é movida, principalmente, pela incredulidade, pois, se pregamos sua necessidade para cobrir despesas das instituições, não cremos que o Senhor proverá recursos de outra forma. Mais do que isto, ao resgatarmos um preceito da Lei, não consideramos que tais ordenanças foram inteiramente removidas, tendo sido encravadas na Cruz (Cl 2.14), e negligenciamos a Palavra. Ainda pior, induzimos os cristãos a crerem que as bênçãos de Deus estão condicionadas ao fato de serem dizimistas.

 É assustador constatar que a Igreja, hoje, esteja fundamentada no texto de Malaquias 3.10. Através dele, cremos que cumprindo a ordenança (trazei todos os dízimos), estamos aptos a cobrar de Deus (provai-me nisto) toda sorte de benção material. Mas, a Palavra de Deus não é muito mais do que um versículo? Ela não é muito mais completa? Será que não precisamos entender que através de Malaquias o Senhor estava chamando a atenção de Seu povo escolhido sobre a corrupção dos líderes religiosos (Ml 1.6-2.9), a corrupção do próprio povo, que repudiava a família para unir-se a outra, sem temor a Deus (Ml 2.10-16), e a sua mesquinhez para com o Senhor (Ml 3.3-5)? Podemos esquecer as consequências disso? Se, ali mesmo, Deus diz: “eu, o Senhor, não mudo” (Ml 3.6a), e está descontente com os ramos naturais, nós, que somos oliveira brava enxertados na boa oliveira (ver Rm 11.11-24), e andamos como eles, não deveríamos estar possuídos de muito maior temor? Não deveríamos viver todos os princípios cristãos ao invés de nos justificarmos e nos ensoberbecermos através do cumprimento de um preceito da Lei? Se sabemos que “a letra mata, mas o espírito vivifica”(2Co 3.6b), é fácil decidirmos. E, com esta decisão, rechaçamos esse erro doutrinário, a despeito de sua tradição e dos títulos que seus defensores detenham.

Cientes de que a Igreja está em uma condição à parte do cumprimento da Lei de Moisés, precisamos verificar, ainda, o que a Bíblia informa sobre o dízimo no período anterior à Lei. Ele é mencionado, apenas, em duas passagens de Gênesis: na primeira, Abrão tinha voltado da guerra contra os quatro reis que haviam levado todo o povo, incluindo seu sobrinho Ló, e os bens de Sodoma e Gomorra, onde havia vencido e recuperado tudo. Chegando, veio ao seu encontro Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, com pão e vinho.

Este Melquisedeque, perfeita figura de Cristo (Hb 7.1-3), o abençoou e, também, salientou que o Deus Altíssimo havia entregado os seus adversários em suas mãos. Imediatamente, Abrão entregou ao sacerdote o dízimo de todos os bens que havia recuperado na guerra. Já que a Lei ainda não havia sido entregue, o que o levou a fazê-lo? Ora, ele estava diante do sacerdote do Deus que o havia tirado de Ur, na Caldéia, para dar-lhe outra terra e ficou sabendo que esse mesmo Deus havia entregado seus adversários em suas mãos. Então, não só como agradecimento, mas, principalmente, para chamar a atenção de todos sobre Deus e Seu Mediador com os homens, Abrão Lhe fez essa oferta.

 Lembremos que aqueles bens não pertenciam a Abrão e ele tinha consciência disto, porque, depois, o rei de Sodoma ofereceu-lhe tudo e ele recusou, em nome d'Aquele que possui os céus e a terra. Talvez Abrão tivesse ofertado até mais se os bens fossem seus, porque, nesse capítulo 14 de Gênesis, é mostrado, pela primeira vez, Deus abençoando aos gentios através de Abraão. Ele entendeu, e queria que todos entendessem, que, se não houvesse a intervenção do Senhor, todo aquele povo teria sido escravizado e todos os bens estariam perdidos. Tamanha foi a importância desse fato, que esta foi a única vez que Abraão entregou dízimos ao Senhor. Ali ficou claro que a salvação do povo pertence ao Senhor, anunciada e consumada através do que é “sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4b), evidenciada e confirmada no pão e no vinho trazidos pelo sacerdote, ou seja, a carne e o sangue do Senhor Jesus. Hoje, o Senhor está conosco todos os dias até a consumação do século (Mt 28.20) e chamamos atenção para isto seguindo Seus passos e sendo tais como Ele foi.

Na segunda passagem anterior à Lei em que o dízimo é mencionado, Gênesis 28.22, vemos que Jacó faz um voto a Deus, condicionando-o ao sucesso na jornada que ele iniciara, até a volta em paz para a casa de seu pai. Além de constatarmos que Abraão não ensinou aos de sua casa o costume de entregar dízimos a Deus, também percebemos que Jacó estava fazendo um acordo específico com o Senhor, caso Ele fosse com Jacó, já que ele sentia-se culpado por ter recebido a benção de Isaque no lugar de Esaú. Apesar de ter acabado de receber a palavra de Deus, através de um sonho, de que o Senhor estava com ele e o guardaria por onde quer que fosse, que lhe daria a terra em que estava deitado e que sua descendência seria incontável (Gn 28.11-17), Jacó não teve certeza de que Deus estava com ele e achou que precisava fazer uma troca com o Senhor para que aquilo se cumprisse. Seria esse o caso da Igreja hoje?

Aquele que não limita sua oferta para a obra do Senhor será abundante naquilo que faz, compreendendo e testemunhando que Deus é dono de tudo (Sl 50.12) e que está aqui aprendendo a ser Seu adorador em verdade e em espírito (Jo 4.23) e, por isto, enquanto tem oportunidade, faz o bem a todos (Gl 6.10), trabalha “fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado” (Ef 4.28) e aprende “também a distinguir-se nas boas obras a favor dos necessitados, para não se tornar infrutífero” (Tt 3.14). Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como o Senhor Jesus nos amou é o que deve nortear a nossa vida e não uma lei ou conjunto de leis. “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais de novo a jugo de escravidão” (Gl 5.1). Amém!

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Inferindo...

- por René Burkhardt | 18 de Setembro de 2010

- Mestre! Mestre! Te imploro que dês atenção ao meu filho, pois é o único que tenho. Um espírito o domina; de repente ele grita; lança-o em convulsões e o faz espumar; quase nunca o abandona, e o está destruindo. Roguei aos Teus discípulos que o expulsassem, mas eles não conseguiram!

- Caramba! Que geração incrédula! Até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam-me o menino! – disse Jesus.

Então, eles o trouxeram. Quando o espírito viu Jesus, imediatamente causou uma convulsão no menino. Este caiu no chão e começou a rolar, espumando pela boca.

- Há quanto tempo ele está assim? – perguntou Jesus ao pai do menino.

- Desde a infância! – respondeu ele. - Muitas vezes o tem lançado no fogo e na água para matá-lo. Mas... se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos.

- Se podes!!!??? Tudo é possível àquele que crê!

- Eu creio! Ajuda-me a vencer a minha incredulidade! – exclamou o pai do menino.

Quando Jesus viu que uma multidão estava se ajuntando, repreendeu o espírito imundo, dizendo: "Espírito mudo e surdo, eu ordeno que o deixe e nunca mais entre nele".

O espírito gritou, agitou-o violentamente e saiu. O menino ficou como morto, a ponto de muitos dizerem: "Ele morreu!".

Mas Jesus tomou-o pela mão e o levantou, e ele ficou em pé.

Depois de Jesus ter entrado em casa, seus discípulos lhe perguntaram em particular:

- Pôxa! Por que não conseguimos expulsá-lo?

- Essa espécie só sai pela oração e pelo jejum! – respondeu-lhes Jesus.

Incríveis, as coisas que Jesus nos revela aqui! Primeiro, ao saber que Seus discípulos não conseguiram expulsar o espírito imundo do garoto, Ele vincula o fracasso da tentativa à falta de fé daqueles homens, Seus seguidores. Fé em quê? Fé na presença pessoal de Deus, junto a eles, apesar de Jesus não estar fisicamente lá com eles. Fé na ação de Deus através deles. Fé em que a libertação do menino, daquela opressão/possessão demoníaca, era a vontade de Deus. Uma fé que já deveria ter-se desenvolvido, pelo tempo que eles andavam com Jesus, aprendendo com Ele.

Depois, Ele questiona a fé do próprio pai do garoto. Mas, aí, já se trata de uma fé diferente. Esse homem não havia estado com Jesus, não havia aprendido nada com Ele, como Seus discípulos já haviam. Portanto, Jesus não poderia “cobrar” isto dele. Então, de que fé Ele está falando aqui? Daquela que faz as pessoas se aproximarem de Jesus: ouvindo a Seu respeito, se passa a crer que Jesus é o Filho unigênito de Deus, que é o poderoso Deus, o Salvador de todos os homens. E, nessa fé, as pessoas se aproximam dEle, para conferirem se isso é mesmo verdade. Assim, naquele momento, Jesus estava dizendo, àquele homem, em outras palavras:

“Você Me trouxe seu filho, porque, em um primeiro momento, você acreditou que Eu sou o Filho de Deus, o Messias prometido. Mas você ainda não tem certeza disto, porque você só ouviu falar a Meu respeito, sem, contudo, Me ver face a face, sem experimentar pessoalmente o Meu poder em sua vida. Por isto, Eu lhe digo: se você crer, realmente, que Eu Sou, tudo lhe será possível, desde que esteja de acordo com Minha vontade. Eu vim para dar vida! E, se a libertação de seu filho serve para dar vida a vocês, Eu quero e posso libertá-lo, porque todas as coisas Me estão subordinadas!”.

Depois disso tudo, da libertação do garoto, e da pergunta dos discípulos, o Senhor ainda nos revela mais: Ele diz que existe diferença entre espíritos, onde alguns resistem mais do que outros. Mesmo assim, todos devem obediência a Jesus. Desta forma, o que permite que alguns espíritos resistam mais do que outros?

Jesus deu a dica: falta de oração e jejum! Mas... será que o Senhor estava Se referindo à oração e jejum específicos no momento de expulsar demônios, ou de algo que deve estar associado à vida da pessoa? Como Ele mesmo não orou, nem jejuou com um fim específico antes de libertar o garoto, podemos inferir que Ele Se referia ao tipo de vida da pessoa, com relação a Deus. E, quando entendemos o que significa oração e o que significa jejum, para Deus, passamos a compreender a profundidade dessa declaração de Jesus, que aponta para algo bem diferente da nossa religiosidade em orar e jejuar.

Deus revelou em Sua Palavra, que devemos orar, falar com Ele o tempo todo. Que Ele Se agrada da oração do justo. E também nos revelou que esse orar não pode ser algo com uma forma pré-estabelecida, algo automático, que não mostra a verdade do nosso coração. Ele diz que esse nosso falar com Ele deve ser um constante reconhecer da nossa pequenez, em contraposição à Sua grandeza, Seu amor, Seu poder (ver Lucas 18.9-14, como um dos exemplos). Certamente, é dessa atitude de oração diária que Jesus falou aos discípulos.

E quanto ao jejum? Há diversos casos de pessoas jejuando, descritos na Palavra de Deus. E, em muitos deles, vemos o Senhor falando com as pessoas. Mas teria sido por conta do jejum, que o Senhor falou com elas? O caso mais comentado, talvez, seja o jejum de vinte e um dias, feito por Daniel. Mas, quando o anjo falou com Daniel, ele disse que a resposta de Deus era em conseqüência de seu jejum? Não! Disse o anjo: “Desde o primeiro dia em que você decidiu buscar entendimento e se humilhar diante do seu Deus, suas palavras foram ouvidas, e eu vim em resposta a elas” (Daniel 10.12).

O jejum a que Daniel se propôs foi o de só comer o básico, o nosso arroz com feijão, hoje em dia, e de beber água, como forma de deixar ainda mais evidente a grande diferença que existe entre o ser humano e Deus. Ele ficaria mais consciente disso, não Deus. Ele estaria em um estado de maior fraqueza verdadeiramente, não só como uma declaração vazia. Portanto, Daniel sabia que o jejum não servia para comover a Deus, mas para provocar um estado de maior consciência de sua fraqueza nele mesmo. E, principalmente, ele não buscava uma vantagem pessoal. Nenhuma vantagem pessoal! Ele buscava, apenas, uma compreensão maior, sobre os desígnios de Deus. Portanto, seu jejum não era arma de negociação!

Daniel conhecia bem o que Deus pensava a respeito do jejum, pois isto já havia sido declarado pelo próprio Espírito Santo, através de Isaías:

“Vocês não podem jejuar como fazem hoje e esperar que a sua voz seja ouvida no alto. Será esse o jejum que escolhi, que apenas um dia o homem se humilhe, incline a cabeça como o junco e se deite sobre pano de saco e cinzas? É isso que vocês chamam jejum, um dia aceitável ao Senhor?

O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, e não recusar ajuda ao próximo?

Aí sim, a sua luz irromperá como a alvorada, e prontamente surgirá a sua cura; a sua retidão irá adiante de você, e a glória do Senhor estará na sua retaguarda.

Aí sim, você clamará ao Senhor, e ele responderá; você gritará por socorro, e ele dirá: Aqui estou. Se você eliminar do seu meio o jugo opressor, o dedo acusador e a falsidade do falar; se com renúncia própria você beneficiar os famintos e satisfizer o anseio dos aflitos, então a sua luz despontará nas trevas, e a sua noite será como o meio-dia.

O Senhor o guiará constantemente; satisfará os seus desejos numa terra ressequida pelo sol e fortalecerá os seus ossos. Você será como um jardim bem regado, como uma fonte cujas águas nunca faltam” (Isaías 58.4-11).

Certamente, Jesus está nessas palavras! Tudo isto é ter uma vida íntima com o Senhor, dia a dia. E até os demônios sabem disto! E é diante dessa intimidade com Jesus, que nenhum desses demônios pode resistir! Você pode até morrer de fome jejuando, mas, se não tiver esse amor presente em cada passo de sua vida, você será envergonhado!

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Prosperidade

Repostagem de um texto que, apesar de longo, é extremamente necessário para muitas pessoas que têm sido enredadas nessa mensagem diabólica da busca pela prosperidade. Esta é uma tentativa de lançar um bocado de luz da Palavra sobre o assunto.

- por René Burkhardt | 15 de Setembro de 2004


"Conservem-se livres do amor ao dinheiro e
contentem-se com o que vocês têm,
porque Deus mesmo disse:
‘Nunca o deixarei, nunca o abandonarei’.” (Hb 13.5)



Nas últimas décadas, a Igreja tem sido invadida por uma pregação de prosperidade material, a ponto de já ser uma doutrina – denominada por muitos de teologia da prosperidade -, que tem causado dúvidas, discussões sobre sua validade no Evangelho verdadeiro e desânimo em muitos cristãos que não a alcançam, já que ela é vinculada à fé e a atitudes do próprio cristão.

Essa doutrina tem sido pregada não só nas igrejas, mas, principalmente, nos meios de comunicação de massa (rádio, tv, internet), onde atinge um sem número de não-convertidos, leigos, recém-convertidos, imaturos espiritualmente e débeis na fé, que a tudo recebem como verdade, já que está sendo dito por pessoas que (supõe-se) têm a autoridade e o conhecimento para fazê-lo. E, assim, pelo muito falar, passa-se a acreditar que tal discurso seja verdadeiro, a ponto de colocar em dúvida, até mesmo, pessoas mais firmadas na fé, que, por concordarem com o princípio bereiano (At 17.11), reexaminam as Escrituras, para saberem se realmente perderam algo em seu ensino.

Graças a Deus que, ao fazê-lo, descobrem que essa doutrina é fruto de um uso inadequado da Palavra, onde os textos que a apóiam são arrancados do grande contexto bíblico. A grande maioria dos textos utilizados é do Velho Testamento, onde Deus faz promessas de prosperidade ao povo de Israel e, todas elas, vinculadas à obediência da Lei. Todas condicionais! É bem verdade que o Velho Testamento é de suma importância para a Igreja, por ser a preparação da salvação, a fonte de conhecimento da história da criação, da evolução do mundo e para conhecermos o modo de agir e o caráter de Deus.

Mas tudo isso aponta para o Senhor Jesus, Rei dos reis, Senhor dos senhores, o próprio Deus, determinando que devemos ouvi-Lo, segui-Lo e imitá-Lo. Se aplicamos tais promessas à Igreja, devemos aplicar, também, as suas condições, ou seja, o cumprimento da Lei e, assim, anulamos a Cruz de Cristo. Na verdade, devemos guardar e praticar as palavras de Jesus e dos apóstolos, “a fim de viverdes [vivermos] de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus” (Cl 1.10).

“Toda Escritura é inspirada por Deus...” (2Tm 3.16) e por diversas vezes nos orienta a não buscarmos bens materiais, pois essa busca, que é a definição de avareza em qualquer dicionário, faz parte da nossa natureza terrena, a qual devemos fazer morrer, e é idolatria (Cl 3.5). “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1Jo 2.15-17).

Então, “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão” (1Tm 6.8-11).

Será que o Espírito Santo, que claramente nos orienta a fugirmos dessas coisas, ao mesmo tempo nos orientaria a buscá-las? “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (1Jo 4.1) e não há criatura que não seja manifesta na presença da Palavra de Deus (Hb 4.12-13).

Na dispensação da Lei, época das promessas de prosperidade ao povo de Israel, o próprio EU SOU disse: “Não cobiçarás...” (Êx 20.17), deixando claro que o povo não deveria aplicar seu coração à busca de bens materiais, ainda que seu próximo tivesse fartura deles. E o Espírito Santo ainda registrou nas Escrituras as consequências impostas por Deus àqueles que insistissem nessa busca, a despeito da orientação divina.

Entre outros casos, nunca devemos esquecer de Balaão (Nm 22-24), “...que amou o prêmio da injustiça” (2Pe 2.15), ou seja, olhou apenas para as vantagens próprias, sendo envergonhado por um animal de carga falando com voz humana para refreá-lo (2Pe 2.16) e tendo, dessa forma, o seu nome como exemplo de falso profeta e pregador de falsas doutrinas (Ap 2.14) para sempre.

Também não podemos esquecer de Acã, que cobiçou uma bela capa, uma barra de ouro e um punhado de moedas e os tomou para si (Js 7.21), colocando todo o povo de Israel sob maldição, a ponto de ser derrotado na pequena e fraca cidade de Ai, e ele e sua família morrerem apedrejados. Outro que deve ser lembrado é Geazi, moço de Eliseu, que, em busca de prosperidade pessoal, pediu recompensa, que já havia sido recusada pelo profeta, ao general sírio Naamã (curado de lepra por Eliseu). A consequência foi a lepra de Naamã passar para Geazi e seus descendentes (2Rs 5). E, já no Novo Testamento, Ananias e Safira (At 5.1-11), provavelmente temendo passar alguma necessidade posterior, mas, ao mesmo tempo, não querendo perder a aparência de piedosos, foram levados a mentir ao próprio Deus, o que lhes custou a vida instantaneamente.

Estes exemplos não são dados como motivadores de medo do Deus cruel e irredutível, que é a imagem que Satanás tenta nos passar. Eles são uma demonstração de que a conquista dessa ambição não tem poder algum sobre contingências possíveis na vida de cada um. Todas essas pessoas foram movidas por princípios que são a base da doutrina da prosperidade, onde o direito de possuir está acima da nossa condição de adoradores do Deus Altíssimo em verdade e em espírito. E é com relação a isso que o Espírito de Cristo nos exorta: “Não vos deixeis envolver por doutrinas várias e estranhas, porquanto o que vale é estar o coração confirmado com graça e não com alimentos, pois nunca tiveram proveito os que com isto se preocuparam” (Hb 13.9).

Muitos têm sido enredados por essa doutrina nociva, que os faz concentrar seu olhar nos encantos do mundo, crendo que estão no Caminho do Senhor, sem se aperceberem que os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições sufocam a Palavra, ficando infrutífera neles (Mc 4.19). O Senhor Jesus contou uma parábola, registrada em Lucas 12.16-21, na qual um homem rico se regozijava por ter em depósito muitos bens para muitos anos. “Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?”(v.20).

E disse em outra vez: “Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?” (Mt 16.26). Mas, antes, ainda recomendou: “...Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Lc 12.15). E, além disso, “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt 6.24). “Vendei os vossos bens e dai esmola; fazei para vós outros bolsas que não desgastem, tesouro inextinguível nos céus, onde não chega o ladrão, nem a traça consome, porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”(Lc 12.33-34). “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra" (Cl 3.1-2).

Todos esses textos são claros indicativos de que a nossa prioridade não deve ser nós mesmos, mas, sim, Deus e, por consequência, as outras pessoas. Estamos no mundo, mas não somos dele (Jo 17.14) e, por isto, não podemos nos agarrar a ele, nem mesmo, quando consideramos ser alguma coisa bênção do Senhor, porque o nosso interesse não pode ser pelas bênçãos, mas pelo Abençoador. Nada tem valor se não tivermos a presença de Deus em nossas vidas.

Vejamos a situação descrita em Êxodo 33.1-4: Deus disse a Moisés para levar o povo a Canaã, que o Anjo iria adiante deles, que os inimigos (moradores da terra) seriam expulsos de lá, que eles tomariam posse de uma terra que mana leite e mel, porém, o próprio Senhor não iria com eles. Apesar de todas aquelas bênçãos prometidas por Deus, o povo “pôs-se a prantear, e nenhum deles vestiu seus atavios” (v.4), porque o Senhor não estaria com eles. Aquele povo estava cheio de pecados, mas teve a consciência de que o afastamento de Deus seria a pior coisa de sua vida, ainda que recebesse todas as bênçãos.

E foi esse reconhecimento, esse choro profundo, que fez o Senhor “voltar atrás”, anuindo com a oração de Moisés pelo povo, e refazer a aliança com o povo (Êx 34.10). Da mesma forma, devemos temer que o Senhor se retire de nossas vidas e, como já vimos, é o que Ele faz quando amamos o mundo, pois, quando o fazemos, o Seu amor não está em nós (1Jo 2.15-16), ou seja, Ele não está presente em nossas vidas.

Que coisa terrível é esta! Conhecermos ao Senhor Jesus e, depois, nos afastarmos de Seus princípios verdadeiros. Isso é apostasia! Isso é rejeitarmos o caminho apertado, a porta estreita e optarmos pelo caminho espaçoso, pela porta larga (Mt 7.13-14), pois só neles cabem todos esses nossos desejos pessoais, essas coisas que satisfazem a nossa carne. Não nos enganemos mais, “porque o que semeia para a sua própria carne, da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito, do Espírito colherá vida eterna” (Gl 6.8).

E, se é essa vida eterna com Deus que buscamos, temos que seguir a Cristo. E o Senhor não viveu aqui na terra em busca de bens móveis ou imóveis. Ele não fazia propósitos com Deus a fim de aumentar Seu patrimônio, Seu conforto, Seus meios para viajar, ou para ter manjares desejáveis a Sua disposição. A Sua preocupação única era fazer a vontade do Deus Pai, pregando a Palavra, consolando, exortando, orando sem cessar. Ao fazê-lo, todas as bênçãos de Deus apareciam, porque Ele estava presente.

Então, os alimentos se multiplicavam, os enfermos eram curados, os espíritos malignos fugiam, o dinheiro do imposto aparecia em um peixe, os mortos ressuscitavam e acontecia tudo o que, aos nossos olhos, era impossível. É isso que acontece quando temos Deus presente em nossas vidas ainda hoje, pois o Senhor disse: “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará...” (Jo 14.12). Mas, antes, devemos ouvi-Lo dizer: “Vinde a mim...e aprendei de mim...” (Mt 11.28-29).

O Senhor Jesus quer que sejamos Seus discípulos, que O sigamos, que sejamos tais como Ele foi. Sem interesse pelo que é terreno, mas, sim, pelo que é dos céus. E só sendo discípulos do Senhor Jesus é que chegaremos ao Reino dos Céus. E só seremos Seus discípulos se abrirmos mão do nosso fascínio pelo que é do mundo, como Ele mesmo disse: “Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” (Lc 14.33). Aqui, Ele confirma que não podemos servir a dois senhores.

Como, então, vamos louvar a Deus e exigir a herança a que temos direito no mesmo culto? Quem é, verdadeiramente, o nosso senhor: Deus ou as riquezas? Quando damos ouvidos a uma doutrina de busca pela prosperidade, não estamos cercando-nos “de mestres segundo as suas [nossas] próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos” (2Tm 4.3b)? É bem verdade que o Espírito de Cristo nos disse: “Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra, como está escrito: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre” (2Co 9.8-9).

Mas, aí, há dois pontos importantes: primeiro, quando diz “Deus pode”, afirma que Deus tem a capacidade para fazer algo, mas, apenas, quando for de Sua vontade. Segundo, que esse poder será exercido com o fim de que o beneficiado distribua com os necessitados aquilo que recebeu. Então, não podemos ficar exigindo de Deus esses benefícios. Nosso interesse não pode ser o acúmulo de bens. Isso é contrário à vontade do Senhor. “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo” (Jo 6.27). “Aquele que furtava, não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado” (Ef 4.28).

Novamente o Senhor nos indica onde deve estar o nosso coração, ou seja, em agradá-Lo e ter uma vida piedosa. Por isso, “Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”(Mt 22.37-40).

Sabemos que a Aliança da Lei foi substituída pela Nova Aliança em Cristo Jesus e que os Profetas, junto com os Apóstolos, nos dão o fundamento sobre o qual devemos edificar, que também é o Senhor Jesus. Então, sigamos as Suas determinações. Estamos próximos do tempo em que “Os mansos terão regozijo sobre regozijo no Senhor, e os pobres entre os homens se alegrarão no Santo de Israel, e os que erram de espírito virão a ter entendimento, e os murmuradores hão de aceitar instrução” (Is 29.19,24). Por isto, tenhamos em mente que “Melhor é o pouco, havendo o temor do Senhor, do que grande tesouro onde há inquietação" (Pv 15.16).

Busquemos ao Senhor e à Sua sabedoria, porque “A sabedoria protege como protege o dinheiro; mas o proveito da sabedoria é que ela dá vida ao seu possuidor” (Ec 7.12), pois nos orienta no Caminho que é a própria Vida. “Há caminho que parece direito ao homem, mas afinal são caminhos de morte” (Pv 16.25). E, se a busca pela prosperidade material é avareza, “Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais participantes com eles”(Ef 5.5-7), mesmo que se apóiem em alguns textos bíblicos, porque são textos “que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles. Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais de vossa própria firmeza; antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno”(2Pe 3.16b-18).

Quando éramos crianças, era comum tentarmos transferir nossa culpa para os outros dizendo: “foi ele que mandou” ou “ela fez primeiro”. Mas, agora que nos entregamos a Cristo e Ele nos aceitou, recebemos o Seu Espírito e tornamo-nos, ainda mais, indesculpáveis, porque foi pelo derramamento do Espírito Santo em nossa vida, que falou o profeta: “Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor, porque TODOS ME CONHECERÃO, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor. Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei” (Jr 31.34). Portanto, sejamos sóbrios e vigilantes, como disse o Senhor.

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a Sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo” (1Pe 1.3-5).

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Isaías 1.11-17

Não gosto de ser redundante, publicando algo que já tem sido publicado em outros blogs e sites, mas entendo que esta mensagem seja de tamanha importância, que deveria ser publicada por muito mais pessoas.

Acompanhando os blogs "Uma Estrangeira no Mundo", "Cristianismo Subversivo" e outros, eis o que também penso sobre o assunto:

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sábado, 31 de dezembro de 2011

Vocês, Discípulos, São o Sal da Terra

- por René Burkhardt | 30 de Dezembro de 2011

“Eu lhes digo que uma Igreja, à qual dirigi todas essas bem-aventuranças, só pode partir de uma origem: a Cruz do Calvário! Vocês, discípulos, são bem-aventurados quando, POR MINHA CAUSA, os injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vocês. Regozijem-se e exultem, porque é grande o seu galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vocês. POR MINHA CAUSA vocês são rejeitados, mas o atingido sou EU MESMO. As injúrias, as difamações, as perseguições até à morte, mesmo quando aparentemente gratuitas, são o motivo das bem-aventuranças e são amostras de sua comunhão COMIGO.

O mundo os odeia, porque sua voz humilde e mansa é uma ameaça ao mundo: vocês, discípulos, dão testemunho da injustiça do mundo, quando suportam a pobreza e o sofrimento com paciência e em silêncio. Enquanto lhes digo que são bem-aventurados, o mundo grita ‘Fora, fora!’, para vocês. E esta é a esperança de vocês: que, fora do mundo, o que os aguarda é o salão celestial, com uma grande ceia preparada para vocês pelo próprio Deus Pai e Criador, o qual enxugará todas as suas lágrimas que, naquele momento, serão de alegria. Lá, suas feridas e seu martírio terão sido transfigurados para um novo corpo, já não mais vestido com pecado e arrependimento, mas com vestes brancas da Verdadeira Justiça.

No entanto, enquanto esse dia não chega, vocês têm uma missão na terra: conservá-la! Quando o mundo os rejeita, traz destruição sobre si mesmo. Mas, POR MEU AMOR A VOCÊS, o mundo continua existindo. POR MEU AMOR A TODOS, ainda derramo minha misericórdia, porque muitos ainda virão através do que vocês demonstram em suas próprias vidas. E isto acontece porque vocês são o sal da terra! Vocês não têm o sal, nem têm que ser o sal! Vocês o são por sua comunhão COMIGO! Vocês não serão o sal da terra por pregarem a Palavra, mas apresentarão a Palavra de forma viva em seu cotidiano, por serem o sal! Vocês não terão o sal por dizerem o Meu Nome, ou por citarem as escrituras com perfeição, mas são o sal que permeia toda a terra, que é a sua substância principal, porque foram atingidos por Meu chamado e se tornaram Meus discípulos!

Mas, para a terra continuar conservada, o sal precisa continuar sendo sal, precisa manter seu poder de temperar, de purificar e de conservar. Ele precisa ser incorruptível! Se ele se tornar insípido, não poderá ser recuperado. Terá que ser lançado fora! Portanto, ele não pode ficar guardado: tem que ser livre! Ele não pode ficar restrito a rituais do homem para o homem, porque ele é a vinda de Deus para todos os homens!

E vocês não são, apenas, o poder invisível do sal: vocês também são o brilho visível da luz! Mais uma vez Eu lhes digo: vocês não têm que ser luz, nem têm a luz. Vocês são luz! Sua resposta ao Meu chamado os fez luz! Vocês são a cidade edificada sobre o monte. Não há como escondê-la! Lembrem-se: vocês vieram da Cruz! E todos, do mais simples ao mais famoso, reconhecem que algo muito extraordinário acontece na Cruz! Para espanto de todos, a Cruz se torna claramente visível em toda essa escuridão! E as boas obras de vocês devem ser vistas nessa luz. Não são vocês que serão vistos, mas as suas boas obras! E as suas obras são o motivo de serem bem-aventurados: pobreza, sofrimento, humildade, paciência, mansidão, choro por causa da injustiça, amor à paz, rejeição, perseguição! Tomem a minha Cruz! Ela é a luz que brilha e onde suas obras serão vistas, onde sua renúncia será admirada. E, ao verem essas boas obras, as pessoas darão glórias a Deus! Não são vocês, não é a Igreja, que serão glorificados, mas o nosso Pai que está nos céus! (cfe. Mateus 5 e outros textos bíblicos).

Nisto saberão todos que vocês são Meus discípulos: em amarem-se uns aos outros”.

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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Um Chamado à Intimidade

- por René Burkhardt | 04 de Julho de 2010

Jesus nos ensinou, o tempo todo, a buscarmos intimidade com o Deus Pai. Os judeus tinham medo (e ainda têm), até mesmo, de pronunciar o nome de Deus. Aí, ao nos ensinar a orar, Ele já demonstra que devemos nos dirigir com intimidade a Deus, sem medos, chamando-O de Pai. Não só nessa oração, mas também na parábola do filho pródigo e outras diversas passagens bíblicas, a demonstração que temos é de um relacionamento íntimo de Pai e filho. Mas o que é, exatamente, viver essa intimidade? Seria, apenas, no momento de falar com o Pai, ou quando voltamos envergonhados, com o “rabinho entre as pernas”, para pedir o Seu perdão?

Entendo que essa intimidade é bem mais do que isto. Nossa vida íntima com Deus deve se manifestar a todo momento, em todos os dias, através de nossas atitudes diante de Deus e diante dos homens. Neste aspecto, vejo a parábola da grande ceia, em Lucas 14.16-24, como uma grande indicação para isso.

Nessa parábola, um certo homem, que representa Deus, convida a muitas pessoas para participarem de uma grande ceia que ele havia preparado. Ora, certamente, esse homem convidou pessoas de seu relacionamento íntimo, para confraternizarem com ele. Como este homem representa a Deus, as pessoas que Ele convidou são, hoje, os cristãos. Mas, como disse no início, nós somos chamados a ter intimidade constante com o Senhor, em nosso dia a dia, não apenas quando formos para o céu. Dessa forma, podemos entender esse convite para a grande ceia como sendo um convite constante, permanente, diário.

Mas como esse convite nos é feito? A todo momento, surgem, diante de nós, aquelas “boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Essas obras não se limitam à nossa ajuda a pessoas que tenham passado por uma catástrofe natural, a povos que passam fome, a órfãos e a viúvas. Essas boas obras são muito mais numerosas e muito mais comuns em nossas vidas, do que temos realmente percebido.

Na parábola, Jesus se refere a desculpas comuns e que, aparentemente, não são atitudes más, que usamos para não atendermos ao convite de Deus. Ele diz que usamos como desculpas nossas próprias obrigações diárias, que, em si mesmas, não são más. Não é errado nos concentrarmos em nosso trabalho. Não é errado cuidarmos dos bens que o Senhor nos entregou para administrarmos. Não é errado cuidarmos de nossas famílias. O erro não está nisso! O erro está em colocarmos tais coisas acima de nosso relacionamento íntimo com o Senhor. Ele tem a primazia sobre todas as coisas! É para Ele que devemos olhar, mesmo diante das questões mais simples de nosso cotidiano.

Então, na verdade, Jesus está dizendo: “Lembra quando aquele mendigo lhe pediu um prato de comida e você disse que não poderia atendê-lo, porque estava em cima da hora de ir trabalhar? Era eu que estava convidando você a saciar a minha fome de intimidade com você! Lembra quando aquele vizinho lhe pediu o carro emprestado para levar a esposa ao hospital e você disse que não poderia atendê-lo, porque você era zeloso com seu patrimônio e não poderia correr o risco de danificá-lo? Era eu que estava convidando você a ter intimidade comigo através do meu maior patrimônio, o ser humano! Lembra quando aquele seu parente foi chorar sua dor com você e, porque estava fazendo o jantar para a sua família, você disse a ele que voltasse outra hora? Era eu que estava convidando você a ter, comigo, a intimidade de uma família!”.

O Senhor conhece todas as nossas obrigações, todas as nossas necessidades. Mas é Ele que sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder. Por isto, quando nos deparamos com alguma circunstância que demande amor, piedade, não podemos deixar de atendê-lO, por mais “santa” que seja a nossa desculpa. Já que Ele sustenta todas as coisas, atendê-lO não irá prejudicar nada que estejamos por fazer. Podemos ter a certeza de que em muito mais vezes do que imaginamos, Ele está nos dizendo: “Este é o caminho, ande por ele e você terá intimidade comigo!”.

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Discipulado

- por René Burkhardt | 21 de Outubro de 2011

“Passando por ali, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria, e disse-lhe: ‘Siga-me’. Levi levantou-se e o seguiu” (Mc 2.14)


Eis aí o discipulado descrito por completo, do início ao fim!

Não há teologias! Não há conhecimento prévio de Quem é Jesus! Não há cumprimento de leis! Não há apego às “certezas” da vida e à sua comodidade!

Tudo que existe é o chamado pessoal de Jesus e a obediência da pessoa chamada! É isto mesmo: a obediência ao “siga-me” é o primeiro passo, seja pelo motivo que for! Os evangelhos nos dão conta disto, ao nos trazerem um pouco da história dos discípulos. Ali, percebemos que havia diferentes motivações entre eles, mas havia esse ponto comum a todos: a obediência de seguir a Jesus, quando chamados.

Esse chamado, que se mantém através do Espírito de Cristo, agora estendido a todas as pessoas, continua o mesmo: é um chamado à vida sem um roteiro pré-estabelecido; não há certezas! Pelo contrário: o que existe é um caminho apertado, de dúvidas, de incertezas, rumo ao desconhecido!

É um chamado que nos leva a largarmos tudo o que vivemos, até então, e a focarmos só e unicamente no Cristo, no Filho de Deus, no próprio Deus que Se tornou Homem. A meta, agora, é segui-Lo em cada passo Seu, aprendendo com Ele e imitando cada olhar, cada toque, cada abraço, cada acolhimento, cada atitude, cada comunhão, cada palavra, que Ele faz e diz! Agora, descartamos todas as fôrmas conhecidas, criadas e impostas pelo homem, que tentam encaixotar o Espírito!

E sem o “Siga-me” pessoal de Jesus, não adianta darmos nem um passo em Sua direção!

“Indo eles caminho fora, alguém lhe disse: Seguir-te-ei para onde quer que fores. Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.

A outro disse Jesus: Segue-me! Ele, porém, respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Mas Jesus insistiu: Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e prega o reino de Deus.

Outro lhe disse: Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa. Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que olha para trás, tendo posto a mão no arado, é apto para o reino de Deus” (Lc 9.57-62).

Essa passagem é a indicação de Jesus sobre a necessidade do Seu chamado, para sermos Seus discípulos. Mais do que isto, é uma demonstração da insanidade humana em tentar segui-Lo, sem que Ele chame, e da inutilidade do emprego de fôrmas ou leis como demonstração da capacidade própria de andar em Seu caminho:

No primeiro caso, a pessoa aborda a Jesus e diz que O seguirá a qualquer lugar. Imediatamente, Jesus demonstra que essa pessoa não tem a mínima noção do que está dizendo: Jesus fala da instabilidade e da incerteza de Seu caminho, que é em direção à Cruz, em direção ao sofrimento e ninguém tem como querer isto pra si mesmo!

Logo depois, é Jesus Quem chama uma pessoa. E a pessoa aceita o convite! Mas esta, provavelmente por conta da tradição humana da qual ouviu falar, pensa que precisa, primeiro, se preparar para seguir a Jesus! Ela acha que deve, antes de tudo, cumprir a Lei para, então, estar apta a seguir o Seu caminho. E Jesus diz a ela: “Dane-se a Lei! Seu compromisso é comigo; seu relacionamento, agora, é direto comigo; Eu vou falar diretamente com você, vou lhe ensinar tudo o que você precisa saber, vou lhe mostrar por onde ir e como agir!”.

“Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei no seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei. Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus” (Hebreus).

Por fim, o terceiro caso, onde a pessoa também diz que quer seguir a Jesus, sem ser chamada, e demonstra uma insanidade ainda maior que a primeira: além de não ter idéia do que teria pela frente como discípula, ela quer que o discipulado seja de acordo com a sua vontade, com as suas imposições, sem estar disposta a abrir mão de sua vida, sua segurança, suas certezas, e parece sonhar com viagens maravilhosas, cercadas de conforto, sob a tutela de um guru que irá providenciar todas as coisas para o seu bem-estar!

E Jesus rejeita isto! Com Sua resposta, Ele diz que não pode haver nada entre o chamado, o próprio Jesus, e a obediência, para que haja o discipulado! Não pode haver condições e nem leis entre Jesus e o discípulo. Se houver, deixa de ser discipulado, passando a ser um programa de vida de acordo com a vontade humana! Uma religiosidade!

Discipulado é compromisso única e exclusivamente com Jesus! Ao “Siga-me” segue-se o “levantou e O seguiu”, sem ponderações, sem questionamentos, sem condições. Discipulado é novidade de vida, largando-se o que até então se viveu! Isto não é uma auto-santificação, mas uma mudança de foco, de prioridades, de meta! Discipulado é caminhar com Jesus, aprendendo e sendo direcionado por Seu Espírito!

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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O Evangelho para Jovens (parte 1)

- por Sóli Limberger

O Evangelho só extrai de mim aquilo que está me matando, ele não é um “amputador” de todas as coisas boas e prazerosas da vida, desde que essas coisas não sejam amputadoras da própria vida.

Engana-se quem pensa que o Evangelho é para aqueles que gostam do mau-hálito, da sujeira, da feiura, da burrice, da cegueira e de todas as coisas ultrapassadas e velhas que tornam a vida enfadonha e chata. Ao contrário, é ele, o Evangelho, que, entendido e vivido na sua essência, torna a vida aquilo que ela deve ser: incrível!

Toda a vida fora de Deus, na realidade, não é bonita. Que beleza pode haver no paraíso sem a presença de Deus? É justamente a presença de Deus que faz de um lugar comum um paraíso. É justamente a ausência de Deus que faz do paraíso um inferno.

Muitas pessoas, principalmente jovens, me perguntam sobre o Evangelho; entendem como algo antigo e maçante. Na verdade, eles confundem as palavras de Cristo com as palavras do Antigo Testamento. O Evangelho de Cristo é o UPdate do Antigo Testamento. Dirão os religiosos: “Mas que blasfêmia! O antigo testamento também é a palavra de Deus e a palavra de Deus não precisa de Update”. Mas eu entendo que Deus hoje não trará as suas palavras escritas nas pedras. É mais provável que Ele as traga escritas num iPad.

Deus não muda! Os seus métodos, sim. Afinal, nós mudamos, a vida muda, a tecnologia muda. Imaginem Jesus vindo nos dias de hoje e caminhando entre nós com um vestido de linho e uma sandália de tiras de couro. Quando Jesus veio, andou como se andava na época; hoje ele viria de jeans, camiseta, talvez um tênis allstar... Um Deus que se faz homem entre os homens, que se torna “um de nós”. Porque é assim que Deus age: ele VEM entre nós, Deus não é um ET, um ser diferente, verde, de olhos grandes e com um pescoço gigante! Deus quer ser reconhecido como um de nós, não como “um ser bizarro”.

Quando entendemos o Evangelho de Cristo como algo novo, compreendemos que Deus não é um ET, mas se fez compreendido entre nós por ser exatamente como nós somos, mesmo ele sendo Deus.

O Antigo Testamento é a base para a chegada de Cristo no Novo Testamento. A importância do Antigo é fundamental para compreendermos o plano de Deus para humanidade. Mas é apenas no Evangelho que esse plano é concretizado.

Qual o plano ou o objetivo do Evangelho de Cristo: convencer as pessoas a andarem com Deus? NÃO! O objetivo do Evangelho é deixar claro para as pessoas que Deus está preocupado com o coração delas. Que nada, eu disse NADA, do que existe fora do coração humano realmente importa.

Diferente do Antigo Testamento, onde as aparências eram importantes, o Evangelho dá valor ao conteúdo. Enquanto as orações e preces do passado eram em público, em voz alta, no meio da multidão, Jesus ensinava as pessoas a entrarem no seu quarto e em secreto falarem com o Pai que está no céu.

Os líderes da religião ensinaram o povo a chamar Deus de “Deus”, mas Jesus ensinava a chamá-lo de PAI. Pois “pai” é intimidade, Deus é religiosidade.

Enquanto a religião apedrejava as pessoas encontradas em adultério até a morte, Jesus diz: “Eu, porém, vos digo, que qualquer que cobiçar uma mulher, já em seu coração cometeu adultério com ela.” - Mateus 5:28. Veja a importância do coração para Jesus.

Enquanto a pele e as aparências de santidade eram importantes para o Antigo Testamento, no Evangelho Jesus desnuda o coração humano. No passado separavam-se os tipos de pecados. No Evangelho TODOS os pecados são iguais. Você pode ter uma história longa de religiosidade, de formas e de modelos humanos e mesmo assim estar longe de Deus.

Nas palavras de Jesus, Deus aproxima e iguala todos: prostitutas, professores, religiosos, ladrões, médicos, mendigos, ricos, miseráveis, famintos, mulheres, homens... Todos, para o Evangelho, são “gente”. Têm nome, têm cor, cheiro... Não importa o quanto possuem, mas se estão dispostos a conhecerem e andarem com Deus no seu dia a dia.

O objetivo do Evangelho é que a pessoa expresse o interesse por Deus. Porque para Deus não há interesse nenhum em estar com alguém que não queira estar com ele por amor e não por medo.

O Antigo Testamento faz com as pessoas se aproximem de Deus pelo medo, pelo receio, pela obrigação... como algumas religiões fazem hoje. Mas o Evangelho de Cristo é diferente... Ele quer que as pessoas se aproximem de Deus pelo amor, pelo desejo de mudança, pela liberdade de poder estar com qualquer outro ídolo, mas mesmo assim escolher andar com Deus. O Evangelho é liberdade de escolha!

O Evangelho veio para acabar com a busca de Deus. Ele não está lá distante. Ele está aqui, tão próximo, que a religião não precisa mais levá-lo a Deus; tão barato que você não precisa mais pagar para ter a sua presença; Deus não se paga, ele não tem preço! Ele não é produto!

A bússola da religião pifou! O Evangelho chegou, está ao seu alcance! Estique a mão e sinta a mão de Deus, sinta o seu perfume... Deus é real e a atenção de Jesus é exclusiva para você. Os ritos não podem mais te aproximar de Deus. Os ritos falharam! Chegou o Evangelho! É a hora de se aproximar de Deus sem escada alguma, sem muletas, sem amuletos, sem ritos, sem dinheiro... O Evangelho é um convite a todos, venham e descubram “as boas novas”. Venham os que não têm dinheiro para pagar, venham os ricos, os jovens, os internautas, os plugados na tecnologia, os desconectados, os que moram nas grandes metrópoles, os que vivem em pequenas cidades do interior... O Evangelho chegou e é para todos!

Paz em todos,

Soli


Obs. do René: Também recomendo a leitura da continuação deste texto, parte 2 e parte 3. O Sóli é um homem de Deus, que tem sido muito usado por Ele!

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sábado, 25 de junho de 2011

Obediência

 
Mais um da fase 'retrô'.

- por René Burkhardt 23 de Junho de 2009

Em todos os lugares, tenho escutado: “O crente tem que obedecer!”. Aí, percorro a maravilhosa Palavra de Deus e constato que isso é uma verdade fundamental a respeito da vontade de Deus para o homem. Mas, será que a declaração que tenho ouvido está em conformidade ao que diz o Senhor?

Tremo ao pensar que o homem tem uma facilidade inata para modificar aquilo que realmente foi dito a ele. Desde o Éden, sabemos que isto acontece. Quando indagada pela serpente se não poderia comer de nenhuma árvore do jardim, Eva respondeu que poderia, sim, comer das árvores do jardim, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal, em cujo fruto não poderia nem tocar.

Mas o Senhor não disse que eles não poderiam nem tocar no fruto daquela árvore. Disse, apenas, que não poderiam comer dele. Esse é o primeiro registro do legalismo humano, do costume de mudar o que realmente foi dito, como meio de ficar mais fácil não cometer erros, não desobedecer. A partir daí, o ser humano sempre procurou modificar a Palavra de Deus, acrescentando, ou retirando algo, com o único fim de ter uma participação ativa em sua própria salvação, sua comunhão com Deus.

Infelizmente, a Igreja, hoje, está contaminada por esse tipo de pensamento. Os homens têm criado suas muralhas em redor da Palavra do Senhor, onde cada tijolo é uma regra, uma lei, que tem por objetivo tornar as pessoas santas e justas por suas próprias obras, por sua fidelidade e obediência a essa lei. Ficar do lado de dentro dessa muralha significa estar salvo. Ficar do lado de fora significa estar condenado. Mas isto anula completamente a justificação e a santificação mediante a fé em Cristo Jesus.

O CAMINHO DE MORTE

Como é dito em Provérbios 14.12, “há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte”. Muitas coisas se encaixam neste provérbio, inclusive, essa pretensa santificação pessoal, através da obediência a mandamentos de homens.

Muitos santos, pelo mundo todo, têm sido levados a obedecerem aos preceitos humanos, como se fossem mandamentos de Deus. Pessoas mal informadas e, até mesmo, mal intencionadas têm deturpado as Escrituras, para manterem sob o seu domínio aqueles que estavam prontos a deixarem o pecado. O mais incrível é que isto acontece, mesmo depois de o próprio Senhor Jesus ter recriminado duramente essa atitude, que era própria dos fariseus, escribas e intérpretes da lei. Em Mateus 23.28, o Senhor fala com eles o que poderia ser dito hoje, para muitas pessoas dentro das igrejas: “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade”.

Esse capítulo de Mateus traz uma das mais duras repreensões do Senhor, senão a mais dura, mas, ainda hoje, multidões praticam tudo isso que foi recriminado por Jesus, demonstrando não terem o mínimo temor de Deus. É um tal de ‘não faça isso’, ‘não coma aquilo’, ‘não toque nisso’, ‘use esta roupa’, ‘fique em pé’, ‘ajoelhe-se’, ‘diga para o irmão ao lado’, ‘sorria’, ‘pratique línguas estranhas’, ‘profetize’, ‘faça um propósito’, ‘exija seus direitos’, ‘determine’, e outras coisas mais, alegando que tais coisas o santificarão!

Isso contaminou de tal forma a cristandade, que muitos santos já agem de forma legalista, sem perceberem que estão agindo assim. Muitos entram nas igrejas, vão para seus lugares e, imediatamente, colocam em seus rostos uma expressão de piedade. Às vezes, fecham os olhos e movimentam os lábios, como se estivessem desfrutando de grande intimidade com o Pai celestial. Não desconsidero os que agem em verdade e em espírito, mas me refiro àqueles que o fazem para demonstrarem santidade, aos que estão a sua volta.

Também é comum as pessoas chorarem durante o louvor, não por serem tocadas pelo Espírito, mas para darem a entender que são. Aproveitam o clima emocional proporcionado por uma melodia e derramam lágrimas, para que todos vejam o quanto são próximas de Deus. De novo, digo que há pessoas que realmente são cheias do Espírito e, por isto, choram, ao sentirem sua proximidade com o Deus Criador. Mas, muitos, são atores e atrizes que deveriam estar no mundo cinematográfico, não na Igreja.

Todas essas coisas, por mais piedosas que pareçam, não santificam ninguém. Os cristãos farão essas coisas, ou não, seguindo suas consciências, que são orientadas pelo Espírito Santo. O Espírito sempre orientará as pessoas a agirem com base nos princípios elementares do cristianismo, de amar a Deus e ao próximo. Impor obediência a essas ordens é legalismo. Na verdade, isso demonstra que legalismo é mais do que a imposição de regras, ou seja, legalismo é um desejo de parecer santo. Ele traz à tona o grande pecado da incredulidade humana na obra santificadora e redentora de Jesus Cristo, pois leva as pessoas a confiarem em si mesmas, em suas próprias obras.

O que realmente se pratica, obedecendo a essas leis humanas, é uma tentativa de completar a obra de Cristo. Anula-se completamente a graça de Deus derramada sobre todos através da cruz do Calvário. E as pessoas que praticam esse legalismo, obedecendo a mandamentos de homens com o fim de parecerem santificadas, são o destino da dura palavra do Senhor: “Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?” (Mt 23.33).

O CAMINHO DE VIDA

Graças a Deus, nós temos à disposição um outro caminho. É um caminho apertado, que leva a uma porta estreita, mas é um caminho de vida.

O Senhor Jesus, pela Sua palavra, trouxe todas as coisas à existência. E é pela palavra do Seu poder, que Ele sustenta a existência de todas as coisas. Tudo isto, Ele fez (e ainda faz) com um propósito definido. O Senhor formou o homem. Na verdade, cada ser humano é formado individualmente por Deus. E Ele tem um propósito definido, ao fazer isto. Isso quer dizer, claramente, que há um propósito divino na existência de cada ser humano e cabe a cada um de nós descobrir qual é o propósito de Deus para nossa vida.

“Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para edificação” (1Co 14.26). Paulo está nos dizendo que todos os cristãos têm dons, dados pelo Espírito Santo, para edificação da Igreja. Neste capítulo de sua primeira carta aos coríntios, ele dá instruções sobre a ordem a ser adotada nas igrejas, porém, na maioria das igrejas, essas instruções não têm sido obedecidas.

Em uma época na qual se fala tanto em obediência, um princípio básico não tem sido obedecido. O que o apóstolo nos revela, aqui, é completamente diferente da liturgia adotada por quase todas as igrejas, atualmente. Paulo fala sobre a participação ativa de cada crente em suas reuniões (cultos). Ele não está falando sobre participar como uma marionete nas mãos de quem está investido de alguma autoridade, ou seja, dos líderes. Ele não está dizendo: “Vocês devem fazer tudo aquilo que os que estiverem à frente do trabalho mandarem! Vocês devem sorrir, quando mandarem sorrir! Cantar, quando mandarem cantar! Repetir frases prontas, quando mandarem repetir! Se abraçar, ajoelhar, levantar, bater palmas, quando mandarem fazer estas coisas!”.

Absolutamente! O apóstolo está se referindo a cada um dos crentes exercitar seus dons, em benefício da Igreja. Ele está falando de reuniões onde as pessoas querem tanto receber edificação, quanto edificar. Ele fala sobre pessoas santificadas pelo Espírito, cada uma no estágio já alcançado, não sobre pessoas que querem mostrar que são santas. Ele fala de pessoas que já descobriram que Deus tem um propósito para a vida de cada um e que permitem que o Espírito Santo conduza suas vidas. Ele também fala de reuniões que têm por objetivo a comunhão com Deus e com os irmãos na fé. Não são reuniões para as pessoas se justificarem diante de Deus e dos homens, mas para declararem a sua justificação em Jesus Cristo, mediante a fé.

Essas instruções de Paulo mostram que o todo, que é formado por indivíduos, vai exercer uma influência santa sobre cada indivíduo. E, mais do que influência sobre os crentes, será uma influência sobre os incrédulos que terão contato com esses santos. Paulo diz que, quando “entrar algum incrédulo ou indouto, é ele por todos convencido e por todos julgado; tornam-se-lhe manifestos os segredos do coração, e, assim, prostrando-se com a face em terra, adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vós” (1Co 14.24-25).

Essa influência da Igreja sobre os incrédulos, também é abordada pelo Senhor Jesus: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.35). Vejam o alcance que terá a manifestação do amor entre os cristãos: todas as pessoas saberão que somos verdadeiros seguidores de Cristo. Certamente, é assim que santificamos a Cristo e que as pessoas serão levadas a quererem conhecer qual é a “razão da esperança que há em vós [nós]” (1Pe 3.15).

Na verdade, este é o primeiro e grande mandamento do Senhor e, também, o segundo: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22.37-40 – grifos meus). Ora, onde há mandamento, há expectativa de obediência a ele. Se o Senhor nos diz que amar é o grande mandamento, certamente Ele espera que amemos. Mas como podemos obedecer a tal mandamento, se o próprio Senhor Jesus disse que “do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias” (Mt 15.19)?

A resposta a essa pergunta também nos mostra o verdadeiro caminho para a obediência: “mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (Jo 14.26 – grifo meu). O Espírito de Cristo nos ensina todas as coisas. Não é uma coisa ou outra. São todas as coisas. Isto inclui a obediência. E, para obedecermos à ordem de amar, Ele nos enche com o amor do Pai Celestial. Ele, que nos purifica de todo o pecado, ou seja, que, dia a dia, arranca todas aquelas coisas horríveis que procedem do nosso coração, nos capacita a amar, tanto a Deus, quanto ao nosso próximo.

Para que Ele atue em nós dessa forma, precisamos nos render a Ele, nos entregarmos a Ele total e verdadeiramente. E precisamos, constantemente, falar com o Senhor e ouvi-Lo, ou seja, orar. É através da oração que criamos intimidade com Deus e é através dessa intimidade que o Espírito Santo age poderosamente em nós. Essa ação crescente do Espírito em nós, nos leva a obedecermos ao que verdadeiramente é a vontade de Deus, a fazermos o que realmente tem valor para Ele. E é nesta obediência que nos tornamos instrumentos úteis à disposição dEle.

Além do amor, o Senhor Jesus nos deixou outros mandamentos, como perdoar, respeitar autoridades, sermos humildes e ainda outros. Mas todos eles dependem do amor. Paulo também disse isto, quando se referia aos dons, mostrando que este é um bem que deve ser buscado em Deus. Ele diz que não temos o amor em nós mesmos e que devemos buscá-lo no Senhor, porque, sem ele, nada tem valor (ver 1C0 13). Ele diz que não adianta fazermos as coisas mais santas do mundo, se não tivermos amor. Então, de acordo com as palavras de Jesus e com o fundamento lançado pelo apóstolo Paulo, é aqui que deve começar a nossa obediência.

Seguindo esse princípio seremos levados, pelo Espírito, a obedecermos ao Senhor em toda a Sua vontade. É isso que nos levará a buscar e conhecer o propósito de Deus para as nossas vidas. De posse deste conhecimento, seremos levados a obedecer às instruções de Paulo quanto às reuniões da Igreja, onde nosso objetivo não será mais o de receber, mas o de dar. Não iremos mais às reuniões para recebermos a aprovação dos outros pela nossa santidade. Não iremos mais para buscar alimento, apenas, para a nossa alma. Não iremos mais para receber revelações, curas, consolo, milagres e outras bênçãos. Iremos às reuniões, para que o Senhor utilize a cada um de nós como Seu instrumento, através do qual a Sua vontade será feita. Aí haverá comunhão com Deus e com os outros santos, porque Deus estará no meio de nós.

Creio que é a isto que o Senhor se refere, quando fala do caminho apertado que leva a uma porta estreita. Porque essa nossa obediência é o resultado de uma consagração total a Deus. Isto implica em abrirmos mão, completamente, de qualquer controle que possamos ter sobre nossas vidas, nos entregando totalmente ao domínio do Senhor. Esta entrega faz com que nos sintamos fracos, sem capacidade para fazermos nada. Mas a verdade é que, justamente nessa hora, seremos capacitados, pelo Espírito de Cristo, a fazermos qualquer coisa, que seja de Sua vontade. Como disse Paulo: “quando sou fraco, então, é que sou forte” (2Co 12.10).

Hoje, normalmente, temos dificuldade para entender como Davi pôde enfrentar ao gigante. Muitas vezes, somos levados a considerar a habilidade que ele já tinha com a funda. Mas está bem claro que nem mesmo Davi se fiava na sua própria habilidade. Vejam o que ele disse a Golias: “o SENHOR te entregará nas minhas mãos” (1Sm 17.46).

Da mesma forma, ficamos admirados com a força de Sansão. Mas ele não tinha força nenhuma! Sua força vinha sempre de Deus. “Então, o Espírito do SENHOR de tal maneira se apossou dele, que ele o rasgou [ao leão] como quem rasga um cabrito, sem nada ter na mão” (Jz 14.6 – grifo meu). De novo: “Então, o Espírito do SENHOR de tal maneira se apossou dele, que desceu aos asquelonitas, matou deles trinta homens” (14.19 – grifo meu). Mais uma vez: “porém o Espírito do SENHOR de tal maneira se apossou dele, que as cordas que tinha nos braços se tornaram como fios de linho queimados, e as suas amarraduras se desfizeram das suas mãos” (15.14 – grifo meu) e, com uma queixada de jumento, matou mil filisteus.

O Senhor o usava, porque ele era consagrado a Deus: “tu conceberás e darás à luz um filho sobre cuja cabeça não passará navalha... porque o menino será nazireu consagrado a Deus, desde o ventre materno até ao dia de sua morte” (Jz 13.5, 7), foi o que Deus disse à mãe de Sansão. No entanto, quando sua consagração foi cortada, ou seja, quando ele valorizou mais a uma pessoa do que a Deus, o Senhor se retirou dele (ver Jz 16.20) e ele já não tinha nenhuma força para reagir a nada.

Da mesma forma, é a nossa consagração ao Senhor que nos capacitará a fazermos a vontade de Deus. Em outras palavras, quando nos negarmos a nós mesmos, tomarmos nossa cruz e seguirmos os passos do Senhor Jesus, seremos capazes de obedecer. A vida do Senhor aqui na terra foi uma vida de autonegação, para obedecer à vontade do Pai. Foi uma vida no caminho apertado, sem busca de realização de vontades pessoais, sem busca de concretização de sonhos pessoais e sem busca de satisfação pessoal, que não fosse a satisfação da vontade de Deus. E seguir o Seu exemplo também é um mandamento a ser obedecido.

Agora, pergunto a vocês e a mim: somos legalistas, obedecendo a mandamentos de homens, para parecermos santos aos olhos de todos, ou somos cristãos, obedecendo verdadeiramente aos mandamentos do Senhor, para sermos santificados por Ele? Há uma diferença eterna entre as duas posições.

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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Aos Mestres, Com Carinho

No passado surgiram falsos profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.

Muitos seguirão os caminhos vergonhosos desses homens e, por causa deles, será difamado o caminho da verdade.

Em sua cobiça, tais mestres os explorarão com histórias que inventaram. Há muito tempo a sua condenação paira sobre eles, e a sua destruição não tarda.

Pois Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os lançou no inferno, prendendo-os em abismos tenebrosos a fim de serem reservados para o juízo.

Ele não poupou o mundo antigo quando trouxe o dilúvio sobre aquele povo ímpio, mas preservou Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas.

Também condenou as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinzas, tornando-as exemplo do que acontecerá aos ímpios;

mas livrou Ló, homem justo, que se afligia com o procedimento libertino dos que não tinham princípios morais

( pois, vivendo entre eles, todos os dias aquele justo se atormentava em sua alma justa por causa das maldades que via e ouvia ).

Vemos, portanto, que o Senhor sabe livrar os piedosos da provação e manter em castigo os ímpios para o dia do juízo,

especialmente os que seguem os desejos impuros da carne e desprezam a autoridade. Insolentes e arrogantes, tais homens não têm medo de difamar os seres celestiais;

contudo, nem os anjos, embora sendo maiores em força e poder, fazem acusações injuriosas contra aqueles seres na presença do Senhor.

Mas eles difamam o que desconhecem e são como criaturas irracionais, guiadas pelo instinto, nascidas para serem capturadas e destruídas; serão corrompidos pela sua própria corrupção!

Eles receberão retribuição pela injustiça que causaram. Consideram prazer entregar-se à devassidão em plena luz do dia. São nódoas e manchas, regalando-se em seus prazeres, quando participam das festas de vocês.

Tendo os olhos cheios de adultério, nunca param de pecar, iludem os instáveis e têm o coração exercitado na ganância. Malditos!

Eles abandonaram o caminho reto e se desviaram, seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o salário da injustiça,

mas em sua transgressão foi repreendido por uma jumenta, um animal mudo, que falou com voz humana e refreou a insensatez do profeta.

Esses homens são fontes sem água e névoas impelidas pela tempestade. A escuridão das trevas lhes está reservada,

pois eles, com palavras de vaidosa arrogância e provocando os desejos libertinos da carne, seduzem os que estão quase conseguindo fugir daqueles que vivem no erro.

Prometendo-lhes liberdade, eles mesmos são escravos da corrupção, pois o homem é escravo daquilo que o domina.

Se, tendo escapado das contaminações do mundo por meio do conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, encontram-se novamente nelas enredados e por elas dominados, estão em pior estado do que no princípio.

Teria sido melhor que não tivessem conhecido o caminho da justiça, do que, depois de o terem conhecido, voltarem as costas para o santo mandamento que lhes foi transmitido.

Confirma-se neles que é verdadeiro o provérbio: "O cão voltou ao seu vômito" e ainda: "A porca lavada voltou a revolver-se na lama".

Pedro, o apóstolo, a todos os que encontraram e seguem a Jesus, em especial, aos que ensinam a Palavra.

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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Somos Santos?

Repostagem de Agosto de 2010

- por René Burkhardt | 15 de Agosto de 2010

“Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16)

Quanta coisa se tem feito por causa dessa ordem. A religião arrancou essa passagem do contexto bíblico e a aplica das piores formas possíveis, sempre impingindo ao homem o fardo de obedecê-la integralmente, a despeito de sua [do homem] incapacidade para tanto. Verdade é, que essa ordem foi dada ao homem e deve ser cumprida, mas, como em todas as coisas ligadas ao nosso relacionamento com Deus, é o próprio Senhor que nos aponta o caminho a ser trilhado e nos capacita, no Espírito Santo, a alcançar a meta, se quisermos.

Jesus se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras. E boas obras, para que assim sejam consideradas, são o resultado do amor que enche a pessoa, a ponto de não poder mais ser contido e explodir em atitudes santas e santificadas, para com Deus e para com as outras pessoas. Elas nunca podem ser fruto da intenção racionalizada de se cumprir uma ordem. Quando dizemos: “Faço o bem e elimino meus pecados, porque a Palavra de Deus determina isto!”, na verdade, agimos como os fariseus, que pensam garantir sua salvação através do cumprimento da lei. Transformamos a Graça em Lei!

O que fazemos, nesse caso, é cuidar da aparência! Dizemos: “Não fumo, não bebo, não me drogo, não adultero, não sou assassino, não sou pedófilo, não sou homossexual, falo baixo, me domino em tudo, não vou a festas, não assisto nem vou ao futebol, não assisto televisão, vou sempre à igreja e faço tudo o que a Palavra de Deus manda!”. Sobrou alguma coisa para o Senhor operar em nós, a fim de Ele nos purificar para Si mesmo? Com esse discurso, o que realmente estaríamos dizendo é: “Não tenho pecado. Graças Te dou, meu Deus, porque eu não sou como esses outros, que fazem essas coisas!”. Mas, se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

E o Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração. É possível que alguém não faça nenhuma dessas coisas, na sua própria força. Por fora, esse alguém aparenta uma vida piedosa. No entanto, o seu interior está cheio de ódio pelas pessoas que tais coisas fazem. A todo momento, essa pessoa condenará às outras, porque elas não se esforçam para atingir esse padrão de “santidade” que ela atingiu, com o seu esforço. Ela sempre olha as outras pessoas de cima para baixo, como se ela fosse um ser humano melhor, perfeito, ainda que diga, da boca para fora, “Não sou perfeito! Também tenho meus pecados!”. Ela só diz isto, para não transgredir a “lei” de que não podemos afirmar que não temos pecado. Vemos uma pessoa dessas e a consideramos “santa”, porém, o Senhor sabe que o seu coração é enganoso, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto. Não tem amor!

O nosso Deus Pai e Criador nos indicou a forma para chegarmos à santidade que Ele requer de nós: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça”. Não sou pedófilo, mas devo confessar: “Senhor, sou homem e, enquanto estiver neste corpo carnal, estarei suscetível a cometer esse erro pavoroso. Não sou melhor do que as pessoas que caíram nesse erro, Senhor, por isto, não me deixe cair em tentação e livra-me do mal”. Não sou assassino, mas devo confessar a mesma coisa! E assim devemos fazer com todas as maldades que brotam em nosso coração, porque do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias. E são essas coisas que tornam o homem impuro, não-santo!

Assim também é, quando nos aproximamos do Senhor, ainda cansados e sobrecarregados de erros, atendendo ao Seu chamado. Devemos ter a confiança de estarmos assentados nos lugares celestiais, em Cristo Jesus, santificados por Ele, através do Espírito Santo, que milita contra nossa carne, para que não façamos o que, porventura, for de nossa vontade. E isto não acontece em um passe de mágica! É gradual! Todos os dias somos ensinados pelo Senhor! Todos os dias somos santificados por Ele, para que sejamos apresentados perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis, se é que permanecemos nessa fé, alicerçados e firmes. Com essa fé, de que é Ele quem nos purifica, e com a confissão sincera da nossa fraqueza e da nossa impossibilidade de nos aperfeiçoarmos, o Espírito de Cristo nos mostra o caminho a seguir, luta contra nossa carne, age nas circunstâncias, para que não sejamos tentados além de nossas forças, e coloca o Seu amor em nosso coração, a fim de que ele seja capacitado a ver às outras pessoas, como o Senhor as vê, em amor, além de não pensarmos mais do que convém, a nosso próprio respeito.

Mas a Palavra de Deus não está cheia de recomendações para que abandonemos o pecado? Sim, está! Mas, se isto fosse possível, na nossa própria força, Jesus não precisaria ter-Se dado em sacrifício por nós. Ele veio, como Cordeiro de Deus, exatamente por não nos ser possível a auto-santificação! E essa é a mensagem central do Evangelho: arrependimento de obras mortas! Isto significa nos conscientizarmos da nossa incapacidade de alcançar, pelo nosso esforço, a santidade, sem a qual ninguém verá a Deus. Essa consciência nos leva a confessarmos a nossa fraqueza a Deus e a entregarmos nossa vida em Suas mãos, confiando que Jesus é, realmente, o único Caminho para nos chegarmos a Deus. E esse Caminho, somente Ele, é a nossa sabedoria, nossa justificação, nossa santificação e nossa redenção! Aplicar isto à nossa vida é obedecer aos mandamentos para deixar o pecado.

"Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros" (Jo 13.35). É expressando amor, que nos tornamos discípulos de Jesus. “Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos (Mt 5.44.45). É expressando amor, que nos tornamos filhos de Deus. Como ter esse amor, se do nosso coração só saem coisas ruins? Simples: reconhecendo que somos maus, a despeito de nosso esforço em parecermos ser santos! É diminuirmos, para que Cristo cresça em nós. E diminuir, aqui, significa pararmos de achar que somos capazes de fazer alguma coisa boa em nós mesmos.

É termos esta consciência: “O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre” (Sl 73:26). É para o Senhor, que estamos de pé, ou caímos. Mas estaremos de pé, pois o Senhor é poderoso para nos sustentar. Isto é a Graça de Deus, que, através do amor, encravou a Lei na Cruz. Isto é andar no Espírito. Nós, que amamos a Jesus Cristo, devemos romper definitivamente com os mandamentos e ensinos humanos, do tipo: "Não manuseie!", "Não prove!", "Não toque!". Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne. Só Jesus é a nossa santificação!

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