"Portanto, ninguém se glorie em homens; porque todas as coisas são de vocês, seja Paulo, seja Apolo, seja Pedro, seja o mundo, a vida, a morte, o presente, ou o futuro; tudo é de vocês, e vocês são de Cristo, e Cristo, de Deus."
PENSE NISTO: "O valor do homem é determinado, em primeira linha, pelo grau e pelo sentido em que se libertou do seu ego!" (Albert Einstein).

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Somos Santos?

Repostagem de Agosto de 2010

- por René Burkhardt | 15 de Agosto de 2010

“Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16)

Quanta coisa se tem feito por causa dessa ordem. A religião arrancou essa passagem do contexto bíblico e a aplica das piores formas possíveis, sempre impingindo ao homem o fardo de obedecê-la integralmente, a despeito de sua [do homem] incapacidade para tanto. Verdade é, que essa ordem foi dada ao homem e deve ser cumprida, mas, como em todas as coisas ligadas ao nosso relacionamento com Deus, é o próprio Senhor que nos aponta o caminho a ser trilhado e nos capacita, no Espírito Santo, a alcançar a meta, se quisermos.

Jesus se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras. E boas obras, para que assim sejam consideradas, são o resultado do amor que enche a pessoa, a ponto de não poder mais ser contido e explodir em atitudes santas e santificadas, para com Deus e para com as outras pessoas. Elas nunca podem ser fruto da intenção racionalizada de se cumprir uma ordem. Quando dizemos: “Faço o bem e elimino meus pecados, porque a Palavra de Deus determina isto!”, na verdade, agimos como os fariseus, que pensam garantir sua salvação através do cumprimento da lei. Transformamos a Graça em Lei!

O que fazemos, nesse caso, é cuidar da aparência! Dizemos: “Não fumo, não bebo, não me drogo, não adultero, não sou assassino, não sou pedófilo, não sou homossexual, falo baixo, me domino em tudo, não vou a festas, não assisto nem vou ao futebol, não assisto televisão, vou sempre à igreja e faço tudo o que a Palavra de Deus manda!”. Sobrou alguma coisa para o Senhor operar em nós, a fim de Ele nos purificar para Si mesmo? Com esse discurso, o que realmente estaríamos dizendo é: “Não tenho pecado. Graças Te dou, meu Deus, porque eu não sou como esses outros, que fazem essas coisas!”. Mas, se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

E o Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração. É possível que alguém não faça nenhuma dessas coisas, na sua própria força. Por fora, esse alguém aparenta uma vida piedosa. No entanto, o seu interior está cheio de ódio pelas pessoas que tais coisas fazem. A todo momento, essa pessoa condenará às outras, porque elas não se esforçam para atingir esse padrão de “santidade” que ela atingiu, com o seu esforço. Ela sempre olha as outras pessoas de cima para baixo, como se ela fosse um ser humano melhor, perfeito, ainda que diga, da boca para fora, “Não sou perfeito! Também tenho meus pecados!”. Ela só diz isto, para não transgredir a “lei” de que não podemos afirmar que não temos pecado. Vemos uma pessoa dessas e a consideramos “santa”, porém, o Senhor sabe que o seu coração é enganoso, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto. Não tem amor!

O nosso Deus Pai e Criador nos indicou a forma para chegarmos à santidade que Ele requer de nós: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça”. Não sou pedófilo, mas devo confessar: “Senhor, sou homem e, enquanto estiver neste corpo carnal, estarei suscetível a cometer esse erro pavoroso. Não sou melhor do que as pessoas que caíram nesse erro, Senhor, por isto, não me deixe cair em tentação e livra-me do mal”. Não sou assassino, mas devo confessar a mesma coisa! E assim devemos fazer com todas as maldades que brotam em nosso coração, porque do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias. E são essas coisas que tornam o homem impuro, não-santo!

Assim também é, quando nos aproximamos do Senhor, ainda cansados e sobrecarregados de erros, atendendo ao Seu chamado. Devemos ter a confiança de estarmos assentados nos lugares celestiais, em Cristo Jesus, santificados por Ele, através do Espírito Santo, que milita contra nossa carne, para que não façamos o que, porventura, for de nossa vontade. E isto não acontece em um passe de mágica! É gradual! Todos os dias somos ensinados pelo Senhor! Todos os dias somos santificados por Ele, para que sejamos apresentados perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis, se é que permanecemos nessa fé, alicerçados e firmes. Com essa fé, de que é Ele quem nos purifica, e com a confissão sincera da nossa fraqueza e da nossa impossibilidade de nos aperfeiçoarmos, o Espírito de Cristo nos mostra o caminho a seguir, luta contra nossa carne, age nas circunstâncias, para que não sejamos tentados além de nossas forças, e coloca o Seu amor em nosso coração, a fim de que ele seja capacitado a ver às outras pessoas, como o Senhor as vê, em amor, além de não pensarmos mais do que convém, a nosso próprio respeito.

Mas a Palavra de Deus não está cheia de recomendações para que abandonemos o pecado? Sim, está! Mas, se isto fosse possível, na nossa própria força, Jesus não precisaria ter-Se dado em sacrifício por nós. Ele veio, como Cordeiro de Deus, exatamente por não nos ser possível a auto-santificação! E essa é a mensagem central do Evangelho: arrependimento de obras mortas! Isto significa nos conscientizarmos da nossa incapacidade de alcançar, pelo nosso esforço, a santidade, sem a qual ninguém verá a Deus. Essa consciência nos leva a confessarmos a nossa fraqueza a Deus e a entregarmos nossa vida em Suas mãos, confiando que Jesus é, realmente, o único Caminho para nos chegarmos a Deus. E esse Caminho, somente Ele, é a nossa sabedoria, nossa justificação, nossa santificação e nossa redenção! Aplicar isto à nossa vida é obedecer aos mandamentos para deixar o pecado.

"Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros" (Jo 13.35). É expressando amor, que nos tornamos discípulos de Jesus. “Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos (Mt 5.44.45). É expressando amor, que nos tornamos filhos de Deus. Como ter esse amor, se do nosso coração só saem coisas ruins? Simples: reconhecendo que somos maus, a despeito de nosso esforço em parecermos ser santos! É diminuirmos, para que Cristo cresça em nós. E diminuir, aqui, significa pararmos de achar que somos capazes de fazer alguma coisa boa em nós mesmos.

É termos esta consciência: “O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre” (Sl 73:26). É para o Senhor, que estamos de pé, ou caímos. Mas estaremos de pé, pois o Senhor é poderoso para nos sustentar. Isto é a Graça de Deus, que, através do amor, encravou a Lei na Cruz. Isto é andar no Espírito. Nós, que amamos a Jesus Cristo, devemos romper definitivamente com os mandamentos e ensinos humanos, do tipo: "Não manuseie!", "Não prove!", "Não toque!". Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne. Só Jesus é a nossa santificação!

13 comentários:

Cláudio Nunes Horácio disse...

Quantas verdades nesse seu texto René, que maravilha. Glória a Ele eternamente. Graça, Amor, Bondade e Misericórdia sejam contigo.

René disse...

Agradeço sua visita e suas palavras de bênçãos, meu amado Cláudio.

Que a Paz do Senhor continue com você!

Elton Morais disse...

Amado René, Graça e Paz!

Glória a Deus por este artigo. Excelente, Só Jesus é a nossa santificação.

O Senhor abençoe você e sua familia.

Em Cristo, a nossa santificação,
Elton Morais

Wilson disse...

Caro René, a Paz do Senhor, sou grato ao Senhor por me permitir cedo da manhã contemplar tão singela reflexão. Estou convicto que Deus não desistiu de mim, ao me confrontar com tão verdadeira mensagem.
Somos do Senhor.

René disse...

Amado Elton,

Há muito que o Senhor tem me ensinado isso, mas eu precisava, primeiro, desconstruir ensinamentos de homem que haviam sido assimilados. E eu tenho muitos motivos, graças a Deus, para declarar hoje: Jesus é a minha, a nossa, santificação!

Que a Paz do Senhor continue com você e sua família!

* * * * *

Amado Wilson,

Fico muito feliz em saber essa mensagem tocou o seu coração. O Senhor não desiste de nós, que O buscamos todos os dias e que permitimos que Seu Santo Espírito nos guie.

Continue na Paz do Senhor!

Hermes C. Fernandes disse...

Obrigado pelo comentário lá no meu blog. Apesar de divergirmos num ponto ou outro, o mais importante é que convergimos em Cristo.

Parabéns pelo trabalho no blog.

Já o estou seguindo.

Seus comentários também serão sempre bem-vindos.

www.hermesfernandes.blogspot.com

René disse...

Amado Hermes,

Em um certo sentido, é até bom que tenhamos algumas divergências. Isto é demonstração de que o nosso culto ao Senhor é racional, não um seguir alienado, sem questionamentos e sem a busca pela sabedoria que vem do alto. Quanto mais que, pelo que percebi, nossas divergências são em questões secundárias. O tempo e os acontecimentos mostrarão quem compreendeu tais questões corretamente, sem que isto interfira em nossa salvação.

O mais importante, como você disse, é que convergimos em Cristo, nosso Senhor, e aguardamos nossa reunião definitiva com Ele, procurando imitá-lO, manifestando o Seu Reino, enquanto não estivermos definitivamente com Ele.

Continue na Paz e um grande abraço!

Coisas da vida disse...

Santidade é conquistada no dia a dia, em nossas ações e atitudes, se agirmos em amor e entregarmos nosso corpo e alma ao Pai Celestial, Ele nos mostrará o caminho para alcançar a santidade. É fato que santidade não é algo fácil de se viver, nós estamos ai de prova, pois se houvesse facilidade teríamos gente sendo arrebatada o tempo todo, mas o que vemos é que somos falhos e sujeitos a errar, a pecar. Deus é maior e santo, só um santo pra nos perdoar tanto...

Gostei do blog amigo Rene. Estou seguindo.

Abraços

'Glenda Barros

René disse...

Amada Glenda,

Valeu pela visita e comentário!

Você está certa: santidade não é algo fácil de se viver, porque todos nós somos falhos e erramos muito. Graças a Deus que, ainda assim, temos o Seu perdão!

Continue na Paz!

Conexão da Graça disse...

René meu querido, como vai
Essa blogsfera é uma caixinha de surpresa, e surpreso fiquei eu com esse seu texto, pois estou terminando de escrever um outro que em síntese aborda o tema discutido por vc.
As pessoas tem uma falsa idealização de santidade, crêem que existe uma blindagem especial para os "crentes".
Pura ilusão, ninguem consegue sustentar essa pretensão por muito tempo pois somos inadequados e fragilizados por natureza.
Vc como sempre arrebentou na abordagem!
Valeu por compartilhar conosco a benção de se enxergar!

Um ABRAÇÃO meu querido,Franklin

René disse...

Graças a Deus, estou bem, meu querido Franklin! Espero que esteja tudo bem com você também!

Não é a primeira vez que surge uma 'sintonia' de assuntos entre nós. Certamente, isto é obra do Espírito de Cristo.

Você usou uma expressão interessante e muito apropriada: pensa-se existir uma blindagem especial para "crentes"! O pior de tudo, querido amigo, é que este pensamento existe por conta do que a religiosidade tem ensinado. Há séculos que tem sido assim! E, como você disse, isto é pura ilusão.

Essa bênção de me enxergar, me tem sido dada pelo Espírito Santo, que me leva a me examinar constantemente. Não pra saber se peco ou não peco, mas pra saber se, apesar do pecador que sou, continuo andando na fé de que Jesus é a minha santificação e a minha redenção.

Forte abraço e continue na Paz!

Alan Capriles disse...

Querido amigo,

Este é um dos textos mais importantes que já li. Você fez muito bem em publicá-lo novamente. Fica bastante claro, em suas palavras, que não fazemos boas obras para sermos salvos, mas porque já somos salvos.

Sendo assim, a prática do amor ao próximo, bem como a santidade, resulta como fruto de uma vida cheia do amor de Deus. No entanto, não devemos deixar de ensinar a vontade de Deus, uma vez que é a confrontação com essa verdade que nos conduz ao arrependimento e, por fim, a Cristo. Vemos isso nas cartas de Paulo, onde ele faz relações de pecados, com o fim de sacudir os falsos crentes, para que realmente morram para si mesmos e experimentem um novo nascimento.

O perigo é alguém pensar que porque já não pratica certos pecados seria melhor do que os outros. Fazendo isso, cai num pecado ainda pior: o da soberba. Muitos crentes tem se desviado por esse caminho. Mas, particularmente, penso que nunca nasceram de novo. Principalmente, porque o novo nascimento é um processo que começa com profundo quebrantamento. Quem realmente passou por isso, nunca mais se ensoberbece.

Um forte abraço, na graça e paz do Senhor Jesus Cristo!

René disse...

Meu querido Alan,

O perigo que você menciona, é o que mais se vê acontecendo por aí! Isto é um dos artifícios mais utilizados pelo Diabo, através da sua sagacidade: ele convence a pessoa a se 'purificar' de determinada coisa e, depois, enche seus ouvidos com 'elogios', para que esta pessoa se sinta o máximo. E, neste ponto, também concordo com você: penso que quem assim age, ainda não nasceu de novo.

Infelizmente, há uma onda de pregações que afirmam que a pessoa, ao levantar sua mão e dizer com sua boca que aceita a Jesus, nasce de novo. Isto é um tremendo de um equívoco, que deve ser denunciado a todo momento!

Valeu por seu ótimo comentário/complemento!!!

Forte abraço e continue na Paz!