"Portanto, ninguém se glorie em homens; porque todas as coisas são de vocês, seja Paulo, seja Apolo, seja Pedro, seja o mundo, a vida, a morte, o presente, ou o futuro; tudo é de vocês, e vocês são de Cristo, e Cristo, de Deus."
PENSE NISTO: "O valor do homem é determinado, em primeira linha, pelo grau e pelo sentido em que se libertou do seu ego!" (Albert Einstein).
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Fé Justificadora

Charles Finney

Em nenhum lugar a Bíblia diz que os homens são justificados ou salvos pela fé, em decorrência de seu perdão. Eles são justificados pela fé como um meio, ou instrumento. Fé é a confiança em Deus que nos leva a amá-Lo e obedecê-Lo. Nós somos conseqüentemente justificados pela fé, porque somos santificados pela fé. A fé é o instrumento da nossa justificação, porque ela é o instrumento natural para tornarmo-nos santificados. Ela nos traz de volta à obediência e, conseqüentemente, é designada como o meio de obtermos as bênçãos dessa volta. A fé não nos é imputada através de um ato arbitrário, mas é o fundamento da real obediência a Deus.

Esse é o motivo de a fé ter sido feita o meio através do qual vem o perdão. Primeiramente, ela nos leva a obedecer a Deus como um princípio do amor a Deus. Temos nossos pecados perdoados por conta de Cristo. Nosso dever é arrependermo-nos e obedecermos a Deus e, quando fazemos assim, isto nos é imputado como realmente é: santificação, ou obediência a Deus. Mas, para o perdão de nossos pecados passados, precisamos confiar em Cristo.

A fé justificadora não consiste em crer que seus pecados são perdoados. Se isto fosse necessário, você teria que crer nisto antes que fossem perdoados. Lembre-se: seus pecados não são perdoados até você crer. Mas, se a fé salvadora é crer que eles já foram perdoados, isto é acreditar em algo antes que aconteça, o que é um absurdo. Você não pode crer que seus pecados foram perdoados, antes de ter evidências de que eles foram perdoados; e você não pode ter evidências de que eles foram perdoados, até que seja verdade que eles o foram - e eles não podem ser perdoados até você exercitar a fé salvadora.

Conseqüentemente, a fé salvadora precisa ser crer em algo mais. E a fé salvadora também não consiste em crer que você será salvo, afinal. Você não tem nenhum direito de crer que você será salvo até você exercitar fé justificadora ou salvadora. Mas, fé justificadora consiste em crer na expiação feita por Cristo, ou crer na Palavra que Deus deu sobre Seu Filho. A precisão desta definição tem causado dúvida e, confesso, minha própria mente havia resistido a uma mudança sobre esse ponto.

Abraão creu em Deus e isto lhe foi imputado para justiça. Mas em que Abraão acreditou? Ele acreditou que teria um filho. Qual a causa disto? Certamente, sua fé incluía a grande benção que dependia daquele evento (que o Messias, o Salvador do mundo, descenderia dele). Esta foi a grande questão da Aliança Abraâmica e dependia de que ele tivesse um filho. Evidentemente, a fé de Abraão incluía o "desejo das nações" - isto era fé em Cristo. O apóstolo Paulo mostrou em detalhes que o resultado da aliança foi: "em ti todas as nações serão abençoadas" (Gl 3.8). No verso 16 ele diz: "Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo."

O SACRIFÍCIO MAIS EXCELENTE

Algumas pessoas argumentam que no capítulo onze de Hebreus os santos não são todos descritos como se tivessem crido em Cristo. Mas, se você examinar cuidadosamente, você perceberá que, em todos os casos, a fé em Cristo também está incluída, ou implícita, no que eles acreditavam. Veja o caso de Abel. "Pela fé, Abel ofereceu a Deus sacrifício mais excelente do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala" (Hb 11.4). Por que seu sacrifício foi mais excelente? Porque ele reconheceu a necessidade da expiação e "sem derramamento de sangue não há remissão" (Hb 9.22). Caim foi um arrogante infiel e ofereceu o fruto do campo como um mero agradecimento (oferecido pela benção da Providência), sem admitir que era um pecador ou que necessitava de uma expiação. Ele não tinha um motivo pelo qual esperasse por perdão.

Uma pessoa pode exercitar fé justificadora, enquanto nega a divindade e a expiação de Jesus Cristo? Não! Todo o resultado e essência da profecia, como raios que se convergem, centralizam-se em Jesus Cristo e Sua divindade e expiação. Tudo o que os profetas e outros escritores do Velho Testamento dizem sobre salvação vem para Ele. O Velho e o Novo Testamentos, todos os tipos e sombras, apontam para Ele. Todos os santos do Velho Testamento foram salvos pela fé nEle. Sua fé dirigia-se ao Messias que estava para vir, como a fé dos santos do Novo Testamento dirigia-se ao Messias que já tinha vindo.

No livro de 1 Corínthios, o apóstolo Paulo mostra para que ponto ele dirigiria essa doutrina: "Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras" (1Co 15.3-4). Marque essa expressão "antes de tudo". Isto prova que Paulo pregou que Cristo morreu pelos pecadores "primeiramente", ou como doutrina primária do Evangelho. E você vai verificar que, do início ao fim da Bíblia, a atenção dos homens foi dirigida para este novo caminho de vida, como o único meio de salvação. Esta verdade é a única que pode tornar os homens santificados. Eles podem acreditar em milhares de outras coisas, mas esse é o grande meio de santificação: "Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo" (2Co 5.19). Isto, somente, pode ser fé justificadora.

Pode haver muitos outros atos de fé que possam ser corretos e aceitáveis para Deus. Mas nada é fé justificadora, exceto crer na Palavra registrada que Deus deu a respeito de Seu Filho. Simplesmente crer em qualquer coisa que Deus tenha revelado é um ato de fé; mas fé justificadora liga a Cristo, prende à Sua expiação e O adota como o único meio de perdão e salvação.

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

O Cristão e as Eleições (Parte 1)

Mais um ano de eleições no Brasil e tenho visto algumas matérias a respeito do direcionamento do voto dos cristãos. Há sempre, independentemente do conteúdo, uma chamada à consciência na escolha dos candidatos. Antes de dar minha opinião, resolvi publicar, aqui, um trecho de um dos sermões de Charles Finney, apresentado há cerca de 180 anos atrás. O que você acha?

ELEGENDO CANDIDATOS DIVINOS

Os cristãos também não devem se conformar ao mundo na política. A política do mundo é inteiramente desonesta. A política de todo partido é encobrir os defeitos de seus candidatos e as qualidades de seus oponentes. Isso não é desonesto? Todo partido coloca seu candidato como um pedaço da perfeição e, então, envida todos os esforços para colocá-lo no gabinete por quaisquer meios, honestos ou sujos. Nenhum homem comprometido com um partido pode ser inteiramente honesto. Um cristão pode fazer isso e manter a consciência limpa?

Concordando com o mundo na política, os cristãos são culpados de estabelecerem legisladores sobre si (pelo voto deles mesmos), os quais não temem nem amam a Deus, e que desprezam a lei de Deus. Alguns políticos não cumprem o dia de descanso, cometem adultério, brigam, proferem palavrões e deixam as leis sem serem executadas. Os cristãos os colocam nos gabinetes! Onde os partidos são muitos, há cristãos o suficiente para lotarem as chapas em qualquer eleição. Seguindo o curso atual dos políticos, você está ajudando a corroer todos os governos e a ordem na terra.

Grandes nações cambaleiam e são enroladas, porque as leis são quebradas e pisoteadas, e a força executiva se recusa a agir. Nenhum político quer acabar com a desordem, ou, então, seu compromisso é com as leis demoníacas. Isto é verdade em toda a parte e em todos os partidos. Um cristão pode ser consistente com sua profissão de fé e ainda votar em homens como esses? Que maior obstáculo podemos colocar diante dos pecadores? Não é de admirar que o mundo tenha tempos difíceis acreditando em "candidatos cristãos". Eu mesmo duvido muito que muitos deles creiam na Bíblia. Eles mostram, até onde as evidências vão, que não há mudança no coração.

O que é cristianismo? É ir à Ceia do Senhor uma vez por mês e algumas vezes a uma reunião de oração? Isso é mudança de coração? O mundo seria tolo em acreditar numa mudança de coração com esse tipo de evidência. Se os cristãos agissem perfeitamente conscientes e consistentes nessa matéria, eles diriam: "Não votaremos em nenhum homem, sem que ele tema a Deus e legisle em justiça". Então homens incrédulos não indicariam candidatos que estivessem contra a lei. Todo o candidato seria obrigado a mostrar que ele foi preparado para agir com motivos mais nobres. Então ele se esforçaria para fazer o país mais próspero, promoveria as virtudes e acabaria com os vícios, opressão e desordem. Eles teriam que fazer tudo o que pudessem, para fazer as pessoas felizes e santas. Isso envergonharia os políticos desonestos e mostraria que o amor a Deus e ao homem é o motivo que os cristãos têm em vista. Que influência abençoada fluiria sobre a terra!

Se tivéssemos um ministério santo, seria muito mais importante do que um ministério educado. Se os ministros fossem santos, eles não precisariam tanta educação. Não estou menosprezando um ministro educado. Deixem os ministros serem educados tanto quanto possam, os melhores, contanto que sejam santos. Mas, supor que educação pode converter o mundo, é um engano. Deixe o ministério ter o espírito de oração e deixe o batismo do Espírito Santo estar sobre eles. Então eles propagarão o Evangelho. Se os cristãos vivessem como deviam, a Igreja sacudiria o mundo. A notícia rapidamente encheria os quatro ventos, até a terra ficar cheia de agitação e indagação. As conversões se multiplicariam como as gotas do orvalho da manhã.

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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Aprovado Pela Opinião Pública


- por Charles G. Finney

“Porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus” João 12.43

Existe uma clara distinção entre amor-próprio, ou o simples desejo por felicidade, e egoísmo. Amor-próprio, o desejo por felicidade e o medo da miséria, é uma parte da nossa estrutura, como Deus nos fez e queria que fôssemos. Esta indulgência, dentro dos limites da Lei de Deus, não é pecado. Mas, toda a vez que ela é buscada contrariando a Lei de Deus, ela se torna pecado.

Quando o desejo por felicidade, ou o medo da miséria, se torna nosso princípio controlador e preferimos a nossa própria gratificação a algum interesse maior, ele se torna egoísmo. Se, para evitar a dor ou alcançar a felicidade, nós sacrificamos interesses maiores, violamos a grande lei da benevolência desinteressada. Não é mais o amor-próprio agindo dentro dos limites legais, mas egoísmo.

Cristãos professos, que são movidos por esperança ou medo, algumas vezes são movidos por amor-próprio e outras por egoísmo. Seu maior objetivo não é glorificar a Deus, mas assegurar sua própria salvação. Os amigos de Deus e os amigos do homem concordam em muitas coisas e, se você olhar apenas para as coisas com as quais eles concordam, você não pode fazer distinção entre eles. Somente uma observação mais cuidadosa daquelas coisas nas quais eles diferem vai revelar que o plano principal do segundo grupo não é o de glorificar a Deus, mas o de assegurar sua própria salvação. Dessa forma, podemos ver seu objetivo maior. Quando, externamente, eles fazem a mesma coisa que os servos de Deus, eles a fazem por motivos totalmente diferentes. Conseqüentemente, os atos em si, à luz de Deus, são de um caráter inteiramente diferente.

COMPROMISSO CONSIGO MESMO

Alguns cristãos professos “amam mais a honra dos homens, do que a honra de Deus”. Não quero dizer que uma simples busca por reputação tenha levado esta classe a professar a fé. O cristianismo tem sido sempre muito impopular a muitas pessoas, para que pudesse fazer alguém se tornar um cristão professo a fim de ganhar reputação. Mas, quando se tornar um cristão aumenta a popularidade, um motivo complexo opera: a esperança de assegurar felicidade num mundo futuro e uma melhora na reputação aqui.

Muitos são levados a professarem o cristianismo, quando, num exame detalhado, o objetivo buscado é ser bem visto por outras pessoas. Seu compromisso se torna isto. Muito embora eles digam ser cristãos sinceros, você pode ver, por sua conduta, que eles não farão nada que os faça perder essa boa imagem diante dos homens. Eles não serão perseguidos por terem que desarraigar o pecado do mundo.

Pecadores impenitentes sempre são influenciados por uma, de duas coisas, em suas tentativas de imitarem o cristianismo. Ou eles fazem as tentativas baseados em princípios naturais (como compaixão ou amor-próprio), ou por egoísmo. Eles têm feito isso por compromisso com sua própria reputação, ou felicidade, ou pela gratificação de algum princípio natural que não tem nenhum caráter moral. Eles amam o louvor dos homens mais do que o louvor de Deus.

As pessoas que fazem do louvor dos homens o seu ídolo, fazem o que o apóstolo Paulo diz que certas pessoas faziam em seus dias. Por essa razão eles permaneceram ignorantes quanto à verdadeira doutrina: eles, “medindo-se consigo mesmos e comparando-se consigo mesmos, revelam insensatez” (2Co 10.12).

Ao invés de fazerem de Jesus Cristo seu padrão de comparação e a Bíblia sua regra de vida, muitos indivíduos não almejam nenhuma dessas coisas. Eles nunca sonharam seriamente em fazer da Bíblia o seu padrão. Sua grande preocupação é fazer tantas coisas e serem tão piedosos quanto as outras pessoas em suas igrejas. Seu objetivo é o de manter uma respeitável aparência de cristianismo. Ao invés de buscarem seriamente o que a Bíblia requer e questionar como Jesus Cristo agiria em tais e tais casos, eles olham para um cristianismo “comum” e ficam satisfeitos em imitarem a isto. Seu objetivo não é o de fazer o que a Bíblia diz, mas o que é respeitável.

Essas pessoas não se preocupam em elevar o padrão de santidade à sua volta. Elas não estão preocupadas que o padrão de santidade esteja baixo na Igreja, ou que seja difícil trazer pecadores ao arrependimento. Elas pensam que o padrão atual está alto o suficiente. Enquanto os verdadeiros amigos de Deus e dos homens estão reclamando sobre o padrão e tentando acordar a Igreja, isto parece uma intromissão para elas, uma disposição constrangedora.

Quando Jesus Cristo falou contra os escribas e fariseus, eles disseram: “Ele tem demônio” (Jo 10.20). Hoje eles podem dizer: “Ele está falando contra nossos doutores em divindade, e nossos melhores homens, e ainda ousa nos dizer que, a menos que a nossa justiça exceda a deles, não podemos entrar no Reino dos Céus. Que espírito mau ele tem!”.

Uma parte grande da Igreja tem este espírito e todos os esforços para abrir os olhos da Igreja e de fazer os cristãos verem que eles vivem como hipócritas, apenas levanta maldade e acusação. Eles dizem: “Que espírito mau ele mostra, tão cruel, em nada parecido com o espírito dócil, manso e amoroso do Filho de Deus”. Eles esquecem como Jesus Cristo amaldiçoou aqueles que tinham reputação de serem as pessoas mais piedosas naqueles dias. Foi o espírito hipócrita mostrado por homens que se diziam santos, que mexeram com Sua alma, moveram Sua indignação, e provocaram Suas chuvas incendiárias de condenação. Jesus se queixou de pessoas que criavam padrões de piedade e Ele as chamou de hipócritas, e bradou sobre suas cabeças as terríveis palavras: “Como escapareis da condenação do inferno?” (Mt 23.33).

UMA RELIGIÃO DE REPUTAÇÃO

Muitas pessoas são meticulosas em observar o que os outros consideram aceitável, ao mesmo tempo em que esquecem facilmente o que a opinião deles não impõe.

Considere, por exemplo, uma proibição. Quantas pessoas existem, que se submeteram à opinião dos outros, onde nunca se submeteriam a Deus ou ao homem? Primeiro elas esperaram para ver o que aconteceria. Resistiram em deixar o álcool. Mas, quando isto se tornou popular, e elas acharam que ficariam muito bem sem ele, abriram mão dele. Mas elas estavam determinadas a não fazer nada além do que a opinião dos outros as levaram a fazer. Não era seu objetivo destruir o monstro, mas manter um caráter de boa aparência. Elas amaram mais a honra dos homens, do que a honra de Deus.

Muitos indivíduos guardam o dia de descanso, não porque amam a Deus, mas porque isto é respeitável. Isto fica óbvio, porque eles o guardam enquanto estão entre seus conhecidos, ou onde são conhecidos. Mas, quando viajam para onde não são conhecidos, onde não será uma desonra pública, você os encontrará fugindo da igreja.

Esta classe de pessoas se abstém de todos os pecados que são condenáveis pela comunidade, mas ela faz outras coisas tão ruins quanto essas, que não sejam reprovadas. Ela negligencia coisas que são ordenadas na Palavra de Deus. Quando um indivíduo desobedece habitualmente qualquer mandamento de Deus, é certo que a obediência que ele parece ter não é por amor a Deus, mas por outros motivos. De fato, ele não obedece nenhum mandamento de Deus.

O apóstolo Tiago esclareceu esta questão: “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10). Obediência aos mandamentos de Deus implica em um estado obediente do coração; então, nada é obediência, se não implicar em uma suprema consideração pela autoridade de Deus.

Se o coração de um homem é correto, então ele considera qualquer mandamento de Deus como sendo mais importante do qualquer outra coisa. E, se um homem considera alguma coisa como superior à autoridade de Deus, tal coisa é seu ídolo. Qualquer coisa que consideramos como suprema, é o nosso deus: reputação, conforto, riquezas, honra, ou qualquer coisa que coloquemos em primeiro lugar nos nossos corações.

Qualquer que seja o motivo para um homem constantemente negligenciar qualquer coisa que ele saiba ser o mandamento de Deus, ou sirva para promover o Reino de Cristo, ele o considera como superior. Não há nada aceitável para Deus em qualquer coisa que ele faça. Sua religião é a religião da opinião dos outros. É à opinião dos outros que ele obedece, em toda a sua conduta, e não à glória de Deus.

E quanto a você? Você negligencia constantemente o que Deus requer, porque isso não é sustentado, ou exigido, pela opinião dos outros? Se você diz ser um cristão, eu presumo que você não negligencie qualquer condição que seja fortemente imposta pela opinião pública.

Mas você negligencia constantemente algumas obrigações? Você pratica coisas aceitas pelos homens, que você sabe serem contrárias à lei de Deus? Se você faz isto, então você considera mais as opiniões dos homens do que o julgamento de Deus.

Um homem, que é obediente em casa, vai beber apressadamente um copo de conhaque, ou ir a uma bar e pedir uma bebida no momento que chegar? Quando eu estive no Mediterrâneo, em Messina, um homem me perguntou se eu iria a um bar com ele. “O que! Um ministro indo a um bar?”. “Por quê? Você está longe de casa e ninguém saberia disto!”. “Mas Deus não saberia disto?”. Estava claro que ele pensou que, embora eu fosse um ministro, eu poderia ir a um bar quando estivesse longe de casa. Não importava se Deus saberia isto, desde que os homens não soubessem. E como ele teve essa idéia? Vendo ministros fazerem essas coisas!

Se você permite a si mesmo qualquer pecado secreto e pensa que ninguém sabe disso, saiba que Deus o vê e já escreveu sob o seu nome: hipócrita. Você tem mais medo da vergonha aos olhos dos mortais do que da vergonha aos olhos de Deus. Se você amasse a Deus acima de tudo, seria algo pequeno para você que todo mundo conhecesse os seus pecados, em comparação a tê-los conhecidos por Deus. Quando tentado em qualquer coisa, você exclamaria: “O que! Eu vou pecar sob o olhar de Deus?”.

Cristãos declarados podem não praticar nenhum pecado secreto, mas negligenciam obrigações como a oração secreta. Eles vão para ter comunhão e parecem muito piedosos aos domingos, mas o seu quarto secreto de oração não é conhecido por Deus ou pelo homem. O seu ídolo é a reputação. Eles têm mais medo de perderem a sua reputação do que de ofenderem a Deus.

Essas pessoas têm uma consciência de coisas que são populares e nenhuma consciência, afinal, de coisas que não são criticadas pelos outros. Você pode pregar e claramente provar isto a elas, até fazê-las confessar que isso é sua obrigação. Entretanto, se isso não é uma questão de reputação, elas vão se afastar, como antes. Mostre a elas um “Assim diz o Senhor” e faça-as ver que suas ações são inconsistentes com a perfeição cristã, contrárias aos interesses de Jesus, e, ainda assim, elas não vão mudar. Elas consideram os requisitos da opinião pública e amam o louvor dos homens, mais do que o louvor de Deus.

FANÁTICO OU NA MODA?

Esta classe de pessoas geralmente teme o pensamento de ser considerada fanática. Elas ignoram que o mundo está errado! A opinião geral do mundo é contra Deus e cada um que pretende servir a Deus precisa voltar sua face contra a opinião do mundo. Em um mundo de rebeldes, a opinião pública obviamente está tão errada quanto a discussão com Deus. O mundo está errado e os caminhos de Deus são diretamente contrários aos seus caminhos. Conseqüentemente, é verdade, e tem sido sempre verdade, que “todos que querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3.12). Eles serão chamados de fanáticos, supersticiosos, irracionais, etc.; eles têm sempre sido e sempre serão.

Mas essas pessoas de opinião dirigida nunca irão além do que seja consistente com as expectativas dos homens do mundo. Elas dizem que precisam fazer isto ou aquilo, de modo a influenciar tais homens. Os amigos de Deus e do homem são o oposto disso. Seu principal objetivo é o de virar o mundo de cabeça para baixo, trazer todos os homens à obediência a Deus e remodelar as opiniões dos homens, para conformá-las à Palavra de Deus.

Muitos cristãos professos têm a intenção de fazer amigos em ambos os lados e sempre tomam o caminho do meio. Por um lado, eles evitam a reputação de estarem acima da justiça e, por outro lado, de serem relaxados, ou não-religiosos. Uma pessoa poderia manter uma profissão de fé respeitável por séculos, sem nunca ser chamada de fanática. E o padrão ainda é tão baixo, que, provavelmente, grande parte das igrejas protestantes esteja tentando ficar em cima do muro.

Eles parecem ter amigos em ambos os lados. Eles não são considerados reprovados, ou fanáticos. São cristãos na moda!

Eles podem ser chamados de “cristãos na moda” por duas razões: uma é que seu estilo de religião é popular e modista; e a outra é que, geralmente, eles seguem modismos do mundo. Seu objetivo é agradar ao mundo. Não importa o que Deus quer. Eles estão determinados a manter a paz com os inimigos de Deus. Eles têm mais consideração pelos homens do que por Deus. E se, alguma vez, eles tiverem que escolher entre desagradar seus amigos e vizinhos e ofender a Deus, eles ofenderão a Deus. Se a opinião pública se choca com os mandamentos de Deus, eles vão preferir a opinião pública.

Ainda que eles não exercitem autonegação para conquistar o aplauso de Deus, eles exercitarão uma grande autonegação para conquistar o aplauso dos homens. Os homens que deixaram de beber licor, porque a opinião pública diz que isto é necessário, também deixarão de beber vinho ‘em qualquer momento’ que uma poderosa opinião pública determinar isto, não ‘até’ que determine isto.

Se um ministro dessa classe prega um sermão, ele fica mais ansioso em saber o que as pessoas pensam sobre ele, do que em saber o que Deus pensa dele. E, se ele falha, a desgraça disso com os homens o machuca dez vezes mais do que o pensamento de que ele tenha desonrado a Deus, ou impedido a salvação de almas.

Quando algum pecado secreto é encontrado, ele fica mais perturbado com isso por ter sido envergonhado, do que por ter desonrado a Deus. Ou, se ele cai abertamente em pecado, ele se preocupa mais com a vergonha do que com o pecado.

Esses cristãos na moda estão mais ansiosos com sua aparência aos olhos do mundo, do que aos olhos de Deus. Mulheres com esse caráter estão muito mais interessadas em como o seu corpo aparece aos homens, do que como seu coração aparece a Deus. Uma mulher dessas vai gastar toda a semana colocando tudo em ordem para parecer agradável, mas não vai gastar nem meia hora em secreto para preparar seu coração diante de Deus.

Todo mundo pode ver o que é essa religião, no momento em que ela é feita para ser vista. Ninguém fica embaraçado em dizer qual é o nome desse homem ou dessa mulher: hipócrita. Eles vão entrar na casa de Deus com seus corações escuros como a meia-noite, enquanto tudo em sua aparência exterior é atrativo e respeitável. Eles precisam parecer bem aos olhos dos homens, não importando o que Deus vê. O coração pode ser escuro, desordenado e poluído, mas eles não se importam, contanto que os olhos do homem não detectem nenhuma mancha.

SE OPONDO À LUZ

Muitas pessoas se recusam a confessar seus pecados da maneira que a lei de Deus exige. Se é exigido que elas confessem mais do que pensam ser consistente com sua reputação, elas ficam mais preocupadas em como isto afetará seu caráter, do que se Deus ficará satisfeito.

Examine seu coração, você que fez confissões, e veja o que mais afeta a sua mente: o que Deus pensou disso, ou o que os homens pensaram. Você se recusou a confessar o que você sabia que Deus exigia, porque isto mancharia a sua reputação entre os homens? Deus não vai julgar o seu coração?

Pessoas que confessam a Cristo geralmente ficam tão envergonhadas em cumprir sua obrigação, que elas não a cumprirão. Quando uma pessoa fica muito envergonhada para fazer o que Deus exige, fica claro que a sua própria reputação é o seu ídolo. Quantas pessoas ficam envergonhadas de reconhecerem a Jesus Cristo, envergonhadas para reprovar o pecado e envergonhadas para falar claro quando Cristo é atacado? Se elas considerassem a Deus acima de tudo, em algum momento elas poderiam ficar envergonhadas por fazerem sua obrigação?

Suponha que a esposa de um homem tenha sido blasfemada: ele ficaria envergonhado de defendê-la? De forma alguma! Se os seus filhos fossem abusados, ele ficaria envergonhado por ajudá-los? Não se ele os amasse! Não seria a vergonha que o impediria de defender sua esposa ou seus filhos.

Essas pessoas não vão tomar decisões firmes, quando estiverem entre os inimigos da verdade, se estiverem sujeitas a serem reprovadas por fazerem isto. Elas são corajosas quando estão entre amigos e fazem uma grande exibição de sua coragem. Mas, quando levadas a julgamento, elas negarão ao Senhor Jesus Cristo diante de Seus inimigos. Elas vão expô-Lo a uma vergonha total, ao invés de repreender a maldade, ou falar alto em Sua defesa entre Seus inimigos.

Muitos se opõem a toda luz que avança sobre assuntos práticos. Eles ficam perturbados com toda nova proposta que ataque suas carteiras, ou que invada sua costumeira auto-indulgência. Você pode falar ou pregar em favor disso, tanto quanto o agrade. Só há um modo de alcançar essas pessoas, que é criando uma nova opinião pública. Quando você tiver convencido, pelo Espírito Santo, um número suficiente de pessoas na comunidade, para criar uma opinião pública a esse respeito, então elas adotarão sua nova proposta, não antes disso.

Alguns cristãos professos geralmente se opõem aos homens, meios e coisas que sejam impopulares e sujeitos à reprovação; mas, quando se tornam populares, se rendem a eles. Deixe um ministro sair pelas igrejas de qualquer Estado e despertá-las. Enquanto ele for pouco conhecido, essas pessoas não terão medo de falar contra ele. Mas, se ele ganha influência, elas o elogiarão e dirão que são os seus amigos mais chegados.

Antes da morte de Jesus, Ele tinha um certo grau de popularidade. Multidões O seguiram pelas ruas cantando: “hosana, hosana!”. Mas, assim que Ele foi preso, todas elas mudaram e começaram a gritar: “Crucifiquem-No, crucifiquem-No!”.

Assim como elas seguem a maré quando um homem é reprovado, elas seguem a maré quando ele é honrado. Uma exceção é quando elas se tornaram tão envolvidas com a oposição, que não possam mudar sem serem envergonhadas. Elas ficarão em silêncio, até que surja outra oportunidade de escapar das chamas que os queimam por dentro.

Muitas vezes, quando um reavivamento começa, certos membros da igreja se opõem a ele. Eles não gostam que certas coisas sejam feitas e ficam com medo de que haja excitação demais. Mas a obra segue e, de repente, eles parecem ceder e vão com a multidão. Então, quando o avivamento termina e a igreja esfria novamente, você os encontrará renovando sua oposição à obra. No fim, eles vão induzir a própria igreja a criticar todo o reavivamento de que ela gostou tanto.

O mesmo tem sido verdade com relação a missões e, se acontece qualquer coisa desfavorável às missões, você encontrará um monte desses “defensores do tempo bom” fazendo oposição.

O MEDO DO HOMEM

Se qualquer coisa é proposta para promover o cristianismo, as pessoas amantes da opinião ficam muito sensíveis e cuidadosas para não fazerem o que seja impopular. Elas perguntam o que as outras igrejas irão pensar. Se é algo que traga reprovação à sua igreja ou seu ministro, à vista dos incrédulos ou das outras igrejas, elas se perturbam. Não importa quanto bem isso irá fazer, ou quantas almas salvará, elas não querem fazer nada que manche a respeitabilidade de sua igreja.

Os verdadeiros amigos de Deus e do homem sempre estão formando e corrigindo a opinião pública em todos os pontos em que estiver errada. Com todo o seu coração, eles caçam maldades a fim de mudar o mundo e tirar a iniqüidade da terra. A outra classe sempre está seguindo a opinião pública como ela é. Ela está pronta a taxar de imprudente ou precipitado, qualquer homem ou coisa que impeça a maré da opinião pública e desviá-los para outro caminho.

As pessoas podem facilmente fazer elas mesmas crerem que certas coisas sejam atos de piedade, que, na verdade, são apenas atos de hipocrisia. Elas fazem coisas que externamente pertençam à piedade e dão crédito a si mesmas, por serem santas. Seus motivos são todos corruptos e vazios, nenhum deles saídos de uma consideração suprema à autoridade de Deus. Isto fica claro pelo fato de que elas não fazem nada, exceto quando as exigências de Deus são apoiadas pela opinião pública. A menos que você queira cumprir toda a sua responsabilidade e obedecer em tudo, a piedade que você demonstra é pecado contra Deus.

Quantos de vocês incorreriam em um pecado declarado, se não por constrangimento da opinião pública, o medo da vergonha e o desejo de obter crédito pela virtude? Verdadeira santidade vem pela consideração à autoridade de Deus, a despeito da opinião pública.

De outra forma, você faz isso para obter crédito aos olhos dos homens. Mas se você espera qualquer favor de Deus, você se desapontará, com certeza. A única recompensa que Ele derramará sobre tal hipocrisia é a condenação.

Quem de vocês concordará em tomar a Bíblia para o seu padrão, Jesus Cristo por seu exemplo e fazer o que é certo, independentemente do que o homem possa dizer ou pensar? Todo aquele que não quiser fazer desta forma, precisa considerar a si mesmo como um estranho para a graça de Deus. De forma alguma ele está em um estado de justificação. Se ele não está resolvido a fazer o que ele sabe que é certo, isto é uma prova positiva de que ele ama o louvor dos homens mais do que o louvor de Deus.

Ser um cristão é ser governado pela autoridade de Deus em todas as coisas, não viver por esperanças e medos, mas pela suprema consagração de si mesmo a Deus. Se você pretende ser um cristão, você precisa calcular o custo. Não vou bajular você. Eu nunca vou tentar atrair você a se tornar um religioso escondendo a verdade. Você precisa dar a si mesmo totalmente a Cristo. Você não pode navegar em direção ao céu nas ondas da opinião pública.

Quem está do lado do Senhor? Quem deseja dizer: “Não vou mais praticar o mal, mas estou determinado a fazer a vontade de Deus em todas as coisas; deixe o mundo pensar ou dizer de mim o que quiser”? Se você deseja fazer isto, então ajoelhe-se e ore para que Deus aceite e sele sua solene promessa de obedecer a Ele em todas as coisas.


Traduzido por René Burkhardt


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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Justificação – Um Perdão Real


- por Charles G. Finney

"Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado" Gálatas 2.16

Em um sentido comum, a justificação pela lei significa “inocente”. Justificar um indivíduo, neste sentido, é declarar que ele é inocente de qualquer violação da lei. Isto afirma que ele não cometeu nenhum crime e o declara inocente.

Mais tecnicamente, isto é uma forma de defesa de uma acusação de crime. O indivíduo que é acusado admite o fato, mas apresenta uma desculpa, com a qual ele diz que tem o direito de fazer o que fez. Desta forma, se uma pessoa é acusada de assassinato, a declaração de defesa admite que ela matou o homem, mas alega que, ou isto foi feito em defesa própria, ou foi um acidente inevitável. Em ambos os casos, a declaração de defesa admite o fato, mas nega a culpa.

Pelos preceitos da lei “nenhuma carne será justificada”. Isto é verdade em ambas as formas de justificação.

Na primeira, ou forma geral de justificação, o ônus da prova cabe ao acusador. Neste caso, ele apenas precisa provar que um crime foi cometido em algum momento. Se isto é provado, o indivíduo é culpado. Deste modo, ele não pode ser justificado pela lei. Ele é considerado culpado. Argumentar que ele fez mais coisas boas do que más, ou que ele guardou a lei de Deus por mais vezes que a quebrou, não é válido. Para ser justificado neste caso, ele precisa provar que cumpriu cada ‘til’ e cada ‘vírgula’ da lei. Quem pode ser justificado pela lei, dessa forma? Ninguém!

Na segunda, ou forma técnica de justificação, o ônus da prova recai sobre aquele que faz a defesa. Ele admite o fato alegado e ainda precisa dar uma boa desculpa, ou fracassa. Dois pontos devem ser considerados: a alegação de defesa precisa ser verdade e precisa ser uma desculpa boa e suficiente, não um discurso frio que não soluciona o caso. Se ela não é verdadeira, ou é insuficiente, especialmente se é feita na corte ou no governo, ela apenas vai prejudicá-lo mais.

A NATUREZA DO PECADO

Os pecadores geralmente usam sua natureza pecaminosa como uma justificativa. Esta desculpa é boa, se ela for verdadeira. Se é verdade, como eles sustentam, que Deus lhes deu uma natureza que é pecadora em si mesma, então, esta é uma boa desculpa para pecar. Diante do céu e da terra, e no dia do juízo, esta será uma boa alegação de justificação. Deus precisa destruir o entendimento de todos os seres racionais do universo, antes que eles acusem a você por pecar, se Deus fez você pecar, ou se Ele deu a você uma natureza pecadora em si mesma.

Como a sua natureza pode ser pecadora? O que é pecado? Pecado é uma transgressão da lei. A lei diz que você precisa não ter a natureza que você tem? Isto é absurdo!

Esta doutrina não observa a diferença entre pecado e a ocasião do pecado. Os apetites do corpo e as tendências da mente e do corpo, quando fortemente excitados, se tornam as ocasiões do pecado.

Foi assim com Adão. Ninguém vai dizer que Adão tinha uma natureza pecaminosa. Mas ele tinha, por sua constituição, um apetite por comida e um desejo por conhecimento. Eles não eram pecaminosos, mas eram como Deus os fez. Eles eram necessários para o preparar a viver neste mundo como um sujeito do governo moral de Deus. Mas, sendo fortemente excitado, foi levado à submissão e isto se tornou a ocasião do seu pecado contra Deus. Essas tendências eram inocentes em si mesmas, mas ele se agarrou a elas de uma maneira pecaminosa. E esse foi o seu pecado.

Quando o pecador fala da sua natureza pecaminosa como uma justificação, ele confunde esses apetites inocentes e suscetibilidades com o próprio pecado. Fazendo assim, na verdade, ele acusa a Deus por ter dado a ele uma natureza pecaminosa. Na verdade, sua natureza é essencial para a ação moral. Deus a fez da melhor forma que poderia ser feita, perfeitamente adaptada às circunstâncias nas quais o homem vive. A natureza do homem está melhor adaptada para amar e obedecer a Deus, do que para odiá-lO e desobedecê-lO. Não está longe o dia em que se saberá se esta é uma boa desculpa ou não. Então você verá se pode encarar o seu Criador dessa forma (quando Ele o acusar de pecado). Você vai se virar e jogar a culpa de volta sobre Ele?

Você tem idéia de qual foi a influência que o pecado de Adão teve em produzir o pecado em sua posteridade? Ele os sujeitou a uma tentação mais agravada, mas, de forma alguma, tornou sua natureza pecaminosa em si mesma.

INCAPAZ DE OBEDECER?

Outra desculpa é incapacidade. Esta também é uma boa desculpa, se ela é verdadeira. Se os pecadores realmente são incapazes de obedecerem a Deus, esta é uma boa argumentação para justificação. Quando você é acusado de não obedecer às leis de Deus, você só precisa mostrar que Deus está exigindo algo que você não foi capacitado a fazer, e todo o universo inteligente vai declarar o veredito de “inocente”. Se você não tem poder natural para obedecer a Deus, eles precisam dar esse veredito, ou deixarem de ser pessoas razoáveis. A lei da razão declara que ninguém é obrigado a fazer aquilo que não tem poder para fazer.

Suponha que Deus tenha determinado que você desfaça algo que você tenha feito. Isto é uma impossibilidade natural. Você vai ser condenado por não fazer isso? Deus requer arrependimento de pecados passados, não que você os desfaça.

Suponha que era uma obrigação sua advertir uma certa pessoa sobre o seu pecado, mas agora ela está morta. Você ainda está sob a obrigação de advertir a essa pessoa? Não! Isso é impossível. Tudo que Deus pode requerer agora é que você se arrependa! Deus pode manter você responsável por não fazer isso quando estava ao seu alcance, mas seria absurdo obrigar a você fazer o que é impossível.

Se Deus requer que você faça o que você não tem poder para fazer, é tirania. O que Deus requer está sob pena de morte eterna. Ele ameaça com uma penalidade infinita por você não fazer o que você não pode fazer e, assim, Ele é um tirano infinito. Esta argumentação, então, acusa a Deus de tirania infinita e, não só é insuficiente para a justificação do pecador, como é um terrível agravo para a sua ofensa.

Vamos mudar o caso, um pouco. Suponha que Deus requeira arrependimento de você, por falhar em fazer algo que você nunca teve capacidade natural para fazer. Você, então, precisa se arrepender por não fazer o que você era incapaz de fazer, ou ir para o inferno. Você não pode se arrepender por isso, nem Ele pode fazer você se arrepender.

O que é arrependimento? É condenar a você mesmo e justificar a Deus. Mas, sem capacidade, você não pode fazer nenhuma das duas coisas. Há uma impossibilidade natural de um ser racional, alguma vez, condenar a si mesmo por não fazer o que ele sabe que não pode fazer. E você não pode justificar a Deus.

Suponha que Deus tenha determinado que você se arrependa por não voar. Através de qual processo Ele pode fazer você acusar a si mesmo por não voar, se você tem consciência que não tem asas ou capacidade para voar? Se Ele pudesse induzir você à crença de que você tinha capacidade e fizesse você acreditar em uma mentira, então você poderia se arrepender. Mas que tipo de caminho é esse para Deus usar com Suas criaturas?

O que você pensa ao trazer esse tipo de desculpa? Você acha que nunca pecou? É uma estranha contradição, quando você admite que precisa se arrepender, mas diz que você não tem capacidade para se arrepender. Você precisa fixar o seu fundamento em um caminho, ou no outro. Se você acha que descansa nessa desculpa, venha com ela, pegue seu fundamento diante de Deus e diga: “Senhor, não vou me arrepender totalmente. Não estou sob nenhuma obrigação de me arrepender, porque eu não tenho a capacidade para obedecer a lei. Então, eu me declaro inocente, porque eu nunca pequei!”.

Outra desculpa que os pecadores dão para sua conduta é o seu coração iníquo. Esta desculpa é verdadeira, mas não é suficiente. As duas primeiras que mencionei teriam sido boas, se tivessem sido verdade, mas eram falsas. Esta é verdade, mas não é nenhuma desculpa.

O que é um coração iníquo? Não é o órgão do corpo que chamamos de coração, mas a afeição da alma, a disposição iníqua, os sentimentos iníquos, e as ações da mente. Se elas vão justificar a você, elas vão justificar ao próprio diabo. Ele não tem um coração tão iníquo quanto o seu?

Suponha que você tenha cometido assassinato, foi levado a julgamento e ofereceu esta defesa: “É verdade”, você diria, “eu matei o homem. Mas, aí, eu tive tamanha sede por sangue e tamanho ódio pela humanidade, que não posso evitar de cometer assassinatos, sempre que tenho oportunidade”.

“Terrível!”, exclamaria o juiz. “Ponham ele na cela e joguem fora a chave!”. Tal é a defesa do pecador ao alegar ter um coração iníquo para justificar o seu pecado. Deus o condenará por sua própria boca (ver Jó 9.20).

TRANSFERINDO A CULPA

As pessoas geralmente desculpam a si mesmas, apontando para a conduta dos cristãos. Pergunte a um homem por que ele não crê e ele apontará para a conduta dos cristãos como sua desculpa. “Esses cristãos”, ele dirá, “não são melhores do que ninguém. Quando eu os vir praticando o que pregam, então pensarei no assunto”. Ele está se escondendo por trás dos pecados dos cristãos. Ele mostra que sabe como os cristãos deveriam viver, por isto não pode desculpar seu pecado alegando ignorância.

Mas isso conta, para dar base à justificação? Admito que cristãos se comportam muito mal e fazem muitas coisas que são contrárias à sua fé. Mas esta é uma boa desculpa para você? Longe disto! Ela é, em si mesma, uma das mais fortes razões pelas quais você deveria ser salvo. Você sabe como os cristãos deveriam viver e como seriam um exemplo. Se você os seguiu por ignorância, ou não conheceu nada melhor, seria um caso diferente. Mas a sua declaração mostra que você sabe que eles estão errados e é a grande razão pela qual você deve exercer uma influência melhor do que a deles. Ao invés de segui-los e fazer errado, porque eles fazem, você precisa repreendê-los, orar por eles e tentar levá-los a um caminho melhor.

Então, esta desculpa é verdadeira, mas não é boa a ponto de justificar. Você apenas faz dela uma desculpa, para acusar a Deus insensatamente. Ao invés de limpar a si mesmo, você apenas adiciona uma culpa terrível e incriminadora a si mesmo.

Quem pode ser justificado pela lei? Quem a guardou? Quem tem uma boa desculpa por quebrá-la? Quem ousará ir a Deus e encarar o seu Criador com tais apologias?

JESUS OBEDECEU POR NÓS?

A justificação do Evangelho não é a justiça imputada por Jesus Cristo. Sob o Evangelho, pecadores não são justificados por terem a obediência de Jesus Cristo lançada em suas contas, como se Ele tivesse obedecido a lei por eles, ou em seu lugar. Geralmente as pessoas supõem que elas são consideradas justas aos olhos da lei, por terem a obediência, ou a justiça de Cristo imputada a elas.

Esta idéia é absurda e impossível, por esta razão: Jesus Cristo foi obrigado a obedecer a lei por Ele mesmo. Era sua obrigação amar ao Senhor Seu Deus com todo o Seu coração, alma, mente e força, e amar a Seu próximo como a Si mesmo. Se Ele não tivesse feito assim, isto teria sido pecado.

A única obra que Ele poderia fazer por nós era Se submeter aos sofrimentos que Ele não merecia. Isto é chamado Sua “obediência até a morte” e isto é que foi lançado em nossa conta. Mas, se Sua obediência à lei é lançada em nossa conta, por que somos chamados a nos arrepender e obedecer à lei por nós mesmos?

Deus exige um serviço triplo de obedecermos a lei e, então, que Jesus precisa sofrer a penalidade por nós e, depois, que precisamos nos arrepender e obedecer? Nada disto é exigido! Não é requerido que a obediência de outro deva ser imputada a nós. Tudo o que devemos ter é obediência eterna à lei da benevolência. Para isto, não pode haver nenhum substituto. Se falhamos, precisamos enfrentar a penalidade, ou receber um perdão gratuito.

Justificação pela fé não significa que a fé é aceita como uma substituta para a santificação pessoal, ou que a fé nos seja imputada ao invés da obediência pessoal à lei.

Algumas pessoas pensam que a justificação implica em que a santificação pessoal é deixada de lado e que Deus arbitrariamente livra da lei e coloca a fé como substituta. Mas este não é o caminho. A fé de Abraão lhe foi imputada por justiça, agindo por amor e tendo produzido santidade. A fé justificadora é santidade e produz santidade de coração e de vida. Ela é imputada ao crente como santidade, não como uma alternativa para a santidade.

A FÉ AGE POR AMOR

Alguns acham que a justificação pela fé é sem considerar boas obras ou santidade. Eles entenderam isso pelo que Paulo disse, quando insistiu tão veementemente na justificação pela fé. Mas é preciso lembrar que Paulo estava combatendo o erro dos judeus, que esperavam ser justificados por obedecerem à lei. Em oposição a esse erro, Paulo insiste que a justificação é pela fé, sem as obras da lei. Ele não quer dizer que boas obras não sejam necessárias para a justificação. Obras da lei não são boas obras, porque elas surgem de considerações legalistas, esperança e medo, e não da fé que age por amor.

Por outro lado, desde que uma falsa teoria rastejou para dentro da Igreja, Tiago entrou no assunto e lhes mostrou que eles não haviam entendido Paulo. Para mostrar isto, ele pegou o caso de Abraão: “Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio filho, Isaque? Vês como a fé operava juntamente com as suas obras; com efeito, foi pelas obras que a fé se consumou, e se cumpriu a Escritura, a qual diz: Ora, Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça; e: Foi chamado amigo de Deus. Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente” (Tg 2.21-24).

Esta epístola foi tida como uma contradição a Paulo e algumas das igrejas primitivas a rejeitaram por esta causa. Mas elas não perceberam o fato de que Paulo estava falando de um tipo de obras e Tiago de outro. Paulo estava falando de obras feitas por motivos legalistas. Mas, em todos os lugares, ele insiste em que as boas obras que brotam da justiça da fé são indispensáveis para a salvação. Tudo o que ele nega é que obras da lei, fundamentadas em motivos legalistas, tenham algo a fazer no assunto da justificação.

Tiago ensinou a mesma coisa, quando ele disse que os homens são justificados não por obras, ou por fé apenas, mas por fé junto com as obras da fé. Ou, como Paulo expressou, a fé age por amor. Por favor, lembrem-se que estou falando de justificação do Evangelho, que é muito diferente de justificação legalista.

A justificação do Evangelho, ou justificação por fé, consiste em perdão e aceitação por Deus. Quando dizemos que os homens são justificados pela fé e pela santidade, não queremos dizer que eles são aceitos pelo fundamento da lei. Mas eles são tratados como se eles fossem justos por conta de sua fé. Este é o método que Deus usa para justificar um pecador. Não que a fé seja o fundamento da justificação, porque o fundamento está em Cristo. Mas esta é a maneira pela qual os pecadores são perdoados, aceitos e justificados. Se eles se arrependem, crêem e se tornam santos, seus pecados passados serão perdoados por causa de Jesus.

A justificação sob o Evangelho difere da justificação sob a lei. Justificação legalista é uma declaração de inocência atual e de estar livre de culpa. A justificação do Evangelho é perdão e aceitação, como se a pessoa fosse justa, mas sobre outros fundamentos, que não sejam a sua própria obediência. Quando o apóstolo diz: “por obras da lei, ninguém será justificado” (Gl 2.16), ele usa justificação em um sentido estritamente legalista. Mas quando ele fala de justificação pela fé, ele fala não de justificação legalista, mas de uma pessoa sendo tratada como se fosse justa.

RESTAURADO À CONDIÇÃO DE FILHO

Quando um indivíduo é perdoado, a penalidade da lei é liberada. O primeiro efeito do perdão é deixar de lado a execução da penalidade. Isto confirma que a penalidade era merecida, mas a deixa de lado. Então, até onde a punição é concebida, o indivíduo não tem que temer à lei mais do que ele temeria, se nunca a tivesse transgredido. Ele está totalmente liberado. As pessoas justificadas por verdadeira fé, assim que são perdoadas, não precisam mais ser influenciadas pelo medo da punição. A penalidade é deixada de lado, como se ela nunca tivesse sido provocada.

O próximo efeito do perdão é remover todas as dívidas adquiridas como conseqüência da transgressão. Um perdão real remove tudo isso e devolve o indivíduo ao ponto que estava antes de transgredir. Sob o governo de Deus, o pecador perdoado é restaurado ao favor de Deus. Ele é trazido de volta a um novo relacionamento, fica diante de Deus e é tratado por Ele, até onde a lei é concebida, como se ele fosse inocente. Isto não supõe, ou declara, que ele seja realmente inocente, mas o perdão o restaura a um estado como se fosse.

Outra operação do perdão sob o governo de Deus é que o indivíduo é restaurado à condição de filho. Em outras palavras, isto o traz a tal relacionamento com Deus, que ele é recebido e tratado como um filho de Deus.

Imagine que o filho de um rei tenha cometido assassinato e foi condenado à morte. Um perdão não apenas o livraria da morte, como o devolveria ao seu lugar na família. Todos os filhos de Deus se desviaram e ficaram a serviço do Diabo. Mas, no momento em que são perdoados, eles recebem o espírito de adoção, são herdeiros selados de Deus e são restituídos a todos os privilégios dos filhos de Deus.

Justificação assegura toda a graça necessária para os resgatar totalmente das armadilhas do Diabo e das inumeráveis conseqüências do pecado. Se Deus fosse simplesmente perdoar você e, depois, deixá-lo sair sozinho do pecado, que utilidade esse perdão teria para você? Imagine uma criança que foge da casa de seu pai, se embrenha em uma floresta e cai em um buraco profundo. Quando o pai a encontra, não pode simplesmente perdoar a criança por ter fugido. Ele precisa tirá-la do buraco e levá-la para fora da floresta.

No esquema da redenção, seja qual for a ajuda que você precise, ela está garantida, se você crê. Se Deus Se responsabiliza por salvá-lo, Ele garante toda a luz, graça e ajuda necessárias para quebrar as correntes de Satanás e as complicações do pecado; e Ele o leva de volta para a casa de seu Pai.

SALVAÇÃO ATRAVÉS DO RELACIONAMENTO

Quando indivíduos são conduzidos a uma sensação de pecado e seus corações brotam em bondade, eles olham para suas vidas e se sentem condenados. Eles vêem que ela está toda errada, caída aos pés de Deus e dão a si mesmos a Jesus Cristo. Eles se alegram muito com a idéia de que pararam com o pecado.

Mas, rapidamente, eles começam a sentir a pressão dos velhos hábitos e das influências antigas. Geralmente eles se tornam desencorajados, quando eles vêem o que precisa ser superado. Se Deus o salvou, você apenas precisa se manter perto dEle e Ele o conduzirá. Você não tem que temer aos seus inimigos. Ainda que os céus trovejem, a terra trema e os elementos se derretam, você não precisa tremer ou temer. Deus é por você e quem pode ser contra você? (ver Romanos 8.31). “Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós” (Rm 8.34).

A justificação recruta os atributos divinos a seu favor, tanto quanto se você nunca tivesse pecado. Imagine um anjo santo enviado a uma missão de amor, em alguma parte distante do universo. Os olhos de Deus o seguem. Se Ele vê aquele anjo pronto a ser magoado de alguma forma, todos os atributos divinos o protegerão e o sustentarão imediatamente. Exatamente da mesma forma, todos eles são garantidos para a sua proteção, suporte e salvação. Embora você não esteja livre de permanecer no pecado e seja totalmente não merecedor do amor de Deus, mesmo que você seja totalmente justificado, o único Deus sábio e eterno está comprometido com a sua salvação. Você vai tremer e se acovardar com tal apoio?

Se um governo humano perdoa um criminoso, ele fica comprometido em protegê-lo como um cidadão, tanto quanto se ele nunca tivesse cometido um crime. Assim é quando Deus justifica um pecador. O apóstolo Paulo diz: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus” (Rm 5.1). Deus está ao lado dele, comprometido como seu fiel e eterno amigo.

A justificação do Evangelho difere da justificação legalista neste aspecto: se a lei justifica um indivíduo, isto se mantém apenas enquanto ele permanece inocente. Se ele transgride de novo, sua justificação anterior não o ajuda. Mas, quando o Evangelho justifica um pecador, não é assim: “Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1Jo 2.1).

Agora está valendo um novo relacionamento. O pecador é trazido para fora do domínio da aliança das obras e colocado sob a aliança da graça. Ele não mantém mais o favor de Deus por obediência absoluta e sem pecado. Se ele peca, ele não é empurrado novamente de volta à lei, mas recebe o benefício da nova aliança. Se ele é justificado pela fé – e assim é com um filho de Deus –, ele recebe o tratamento de filho e é corrigido, castigado, humilhado e trazido de volta.



Traduzido por René Burkhardt




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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sobre Orar Pelo Espírito Santo


- por CHARLES G. FINNEY - 23 de Maio de 1855

" Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir {pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir} um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?" Lc 11:11-13.


Esses versículos fazem parte da conclusão de um discurso extraordinário sobre oração de nosso Senhor aos Seus discípulos. Ele foi feito pelo seu pedido de que Ele os ensinasse a orar. Em resposta a esse pedido, Ele deu a eles o que estamos acostumados a chamar de Oração do Senhor (o Pai Nosso), seguido de uma poderosa ilustração do valor de importunar, a qual Ele ainda ampliou e reforçou, renovando a promessa geral: “Pedi e dar-se-vos-á”. Então, para confirmar ainda mais a sua fé, Ele expande a idéia de que Deus é seu Pai e poderia ser alcançado em oração, como se Ele fosse um pai infinitamente bom e amável. Isto constitui a principal idéia no forte apelo feito em nosso texto. “Se um filho pedisse pão a qualquer um de vocês que é pai, você lhe daria uma pedra? Ou, se pedisse um peixe, ao invés de peixe você lhe daria uma serpente? Ou, se pedisse um ovo, você lhe daria um escorpião? Se vocês, então, sendo maus, sabem dar boas coisas para seus filhos, quanto mais o seu Pai Celestial dará o Espírito Santo àqueles que Lhe pedirem?”.

1. Meditando sobre este texto, primeiro eu observei que, quando entendemos corretamente o assunto, nós podemos ver que esse presente, que é o Espírito Santo, compreende tudo o que necessitamos espiritualmente. Ele nos assegura aquela união com Deus, a qual é a vida eterna. Isto implica em conversão, que consiste em que os desejos sejam submetidos ao controle de Deus. Santificação é (1º) essa união, aperfeiçoada e perpetuada, do desejo a Deus; (2º) o predomínio desse estado do desejo sobre todos os sentidos, de tal forma, que toda a mente é levada à união e à harmonia com a mente e o coração de Deus.

2. É muito fácil receber esse presente de Deus. Em outras palavras, é fácil receber de Deus todas as bênçãos espirituais que realmente precisamos. Se não fosse assim, o que poderíamos pensar dessas palavras de Cristo? Como podemos explicá-las consistentemente, de alguma forma, com total honestidade? Certamente, é fácil para os filhos receberem coisas realmente boas de seus pais. Qual de vocês, sendo um pai, não sabe que é fácil para os seus filhos receberem coisas boas de você? Você sabe, por experiência própria, que eles conseguem, sem dificuldade, até mesmo de você, todos os verdadeiros bens que precisam, desde que seja possível para você. Mas, algumas vezes, você é “mau” e Cristo mostra que, já que Deus nunca é mau, mas sempre infinitamente bom, é muito mais fácil alguém receber o Espírito Santo do que seus filhos receberem pão de suas mãos. “Muito mais”! Que palavras significativas, em relação a isto! Todo pai sabe que não há nada que possa impedir seus filhos de receberem dele todas as coisas boas que eles realmente necessitam e que ele deve dar. Por isto, pais trabalham e planejam pela causa de seus filhos. Desta forma, eles podem ser contrários, ou demorados, em dar essas coisas para seus filhos?

Mas Deus está muito mais pronto a dar o Seu Espírito. Minha linguagem, então, não é, de forma alguma, forte demais. Se Deus está muito mais pronto e desejoso para dar coisas boas para Seus filhos, do que você está em dar para os seus, então, certamente, deve ser fácil, e não difícil, receber bênçãos espirituais, ainda em muito maior medida do que desejamos.

Deixem este argumento fazer morada no coração de vocês que são pais. Certamente, vocês precisam sentir essa força. Cristo precisa ser um falso mestre, se isto não é assim. É preciso que este grande presente, que em si mesmo compreende todas as dádivas espirituais, seja obtido mais facilmente e em qualquer quantia que nossas almas necessitem.

3. Como são injuriosas e desonrosas, para Deus, as opiniões de quase todos os homens neste assunto. A dependência dos homens no Espírito Santo passou a ser a apologia permanente para a delinqüência moral e espiritual. Em todos os lugares, homens dizem querer o Espírito Santo e, menos ou mais, dizem sentir Sua necessidade e que estão orando por esta dádiva; mas, continuamente e em todos os lugares, eles se queixam de não a terem recebido. Esta queixa assume, direta e indiretamente, que é muito difícil receber essa dádiva; e que Deus mantém Seus filhos em uma dieta muito baixa; e com a menor quantia possível para isso; e que Ele dá o pão e a água espirituais na menor quantia possível (como se Ele Se propusesse a manter Seus filhos apenas o mínimo acima de um estado de inanição). Passe pelas igrejas e ouça o que eles dizem e como oram. E o que você pensaria? Como você ficaria chocado com a estranha, não poderia dizer, blasfema concepção que eles fazem no que se refere à política de Deus em dar, ou de não dar, o Espírito Santo àqueles que O pedem! Posso falar por experiência e observação próprias.

Quando comecei a participar de reuniões de oração, esse fato, ao qual me referi, me pareceu muito estranho. Eu nunca tinha participado de uma reunião de oração, até que eu tivesse chegado à maturidade, porque a minha situação, a este respeito, era muito diferente da sua. Mas, depois que cheguei à maturidade, e essas reuniões aconteciam no lugar onde eu vivia, passei a freqüentá-las regularmente. Era um assunto de grande interesse para mim, mais do que eu possa explicar, ou expressar corretamente. Eu estava cheio de vontade de ouvir orações cristãs, mais ainda, quando comecei a ler minha Bíblia e encontrei nela essas coisas que temos em nosso texto de hoje. Ler tais promessas e, depois, ouvir a conversa dos cristãos foi surpreendente. O que eles diziam, junto com o que eles pareciam querer dizer, seria como isto: “Eu tenho a obrigação de participar desta reunião; não posso sair sem fazer isto. Quero testemunhar que a religião é uma coisa boa, uma coisa muito boa, muito embora eu não tenha recebido muito dela. Eu creio que Deus ouve as orações, mas não penso que Ele ouça as minhas (pelo menos, não com muita vontade). Eu creio que a oração nos traz o Espírito Santo, mas, embora eu tenha sempre orado por este Espírito, eu nunca O recebi”.

Isto parecia ser o caráter de suas conversas e pensamentos, e preciso dizer que isto me deixou muito estarrecido. Tenho razões para achar que isto estarreceu a outros. Em poucos anos que se passaram, eu entendi que esta era a grande dúvida de homens não convertidos. Eles dizem: “Não poderia agüentar, se eu fosse convertido; é muito difícil receber e manter o Espírito Santo”. Eles apelam para cristãos nominais e dizem: “Olhe para eles; não estão engajados com a religião; eles não fazem a obra de seu Mestre com seriedade e confessam isto; eles não têm o Espírito e confessam isto; eles dão um testemunho vivo de que essas promessas são de um valor prático muito pequeno”.

Agora, esses são fatos de grande importância e deveriam ser profundamente considerados por todos os que se dizem cristãos. A vida cristã de multidões não é nada menos do que a evidente negação das grandes verdades da Bíblia.

Muitas vezes, quando eu estimulo cristãos a serem cheios com o Espírito Santo, me perguntam: “Você realmente acredita que este dom é para mim? Você pensa que todos os que querem podem recebê-lO?”. Se você lhes dá exemplos, aqui e ali, de pessoas que andam na luz e são cheias do Espírito, eles respondem: “Esses não são casos muito especiais? Eles não são os poucos favorecidos, desfrutando de uma bênção que apenas uns poucos podem esperar desfrutar?”.

Aqui você deve observar, cuidadosamente, que a questão não é se poucos ou muitos têm essa bênção; mas, “ela está, na prática, ao alcance de todos? Ela está realmente disponível a todos? Essa dádiva é oferecida, verdadeiramente, da forma mais plena e mais alta? É fácil possuí-la?”. Sendo estas as verdadeiras questões, precisamos ver que os ensinamentos do texto não podem estar errados sobre esse assunto. Ou Cristo testemunhou falsamente sobre esse assunto, ou esta dádiva está disponível para todos, e é obtida facilmente. Porque não pode haver nenhuma dúvida sobre o significado e o objetivo de Sua linguagem. Nenhuma linguagem pode ser mais clara. Nenhuma ilustração poderia ser mais clara e nenhuma poderia ser facilmente encontrada, que fosse mais forte.

4. Com esta impressão impregnando a Igreja de forma tão intensa, como podemos considerar que o Espírito Santo raramente pode ser obtido de forma ampla, com satisfação completa, a não ser com a maior dificuldade?

Esta impressão, obviamente, brota da atual experiência da Igreja. De fato, mas alguns parecem ter essa comunhão consciente com Deus, através do Espírito; mas alguns realmente parecem caminhar com Deus e serem cheios do Espírito.

Quando digo alguns, preciso esclarecer o que quero dizer: poucos em relação a todo o número de cristãos professos. Tomado absolutamente, o número é grande e sempre tem sido. Algumas vezes, alguns pensaram que o número era pequeno, mas estavam errados. Elias pensou que estivesse só, mas Deus o fez entender que havia muitos (muitos, descritos como sete mil), que nunca dobraram seus joelhos a Baal. Geralmente, o uso deste número sagrado, o sete, é tomado como uma grande, indefinida, soma, muito maior do que se fosse tomada absolutamente. Pode ser assim, aqui. Mesmo assim, naquela época extremamente obscura, ainda havia muitos que permaneceram firmes para Deus.

É um fato curioso que pessoas que realmente tenham a maior piedade, normalmente são tidas como as que têm a menor, por haver tão poucas pessoas que julguem a piedade como Deus a julga. Aqueles que pregam o verdadeiro Evangelho são sempre levados a encontrar alguns, em quase todas as congregações, que adotam isso claramente. Você pode julgar por seu olhar (seus olhos brilham e seus rostos são radiantes), quase como a face de Moisés, descendo do monte.

Mas a deles não é a experiência normal de cristãos professos. O normal, que serviu para criar a impressão geral de como é difícil receber o Espírito Santo, é realmente muito diferente disso. O grande corpo de cristãos nominais não tem o Espírito, no sentido de Romanos 8. Eles não podem dizer: “A lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte”. Não é verdade, para eles, que eles “não andam na carne, mas no Espírito”. Comparativamente, poucos entre todos sabem, em sua própria experiência consciente, que eles vivem e permanecem no Espírito.

Aqui tem um outro fato. Muitos estão orando, aparentemente, pelo Espírito de Deus, mas não O recebem. Se você vai a uma reunião de oração, você ouve todo mundo orar por esta dádiva. Também é assim em família e, provavelmente, no quarto secreto também. Agora, é estranho dizer que eles não O recebem. Esta experiência, de orar muito por essa bênção e nunca a receber, é comum em todos os lugares. As igrejas têm suas reuniões de oração, por anos consecutivos, orando pelo Espírito, mas elas não O recebem. Em vista disto, precisamos concluir que, ou essa promessa não é confiável, ou que aqueles que oram não reúnem as condições da promessa. Eu vou me dedicar a esta alternativa mais adiante; meu objetivo, neste momento, é considerar a impressão predominante de que o Espírito de Deus é difícil de ser recebido e mantido, ainda que em resposta à oração - um fato que, obviamente, parece existir por causa da atual experiência dos cristãos nominais.

Também poderia ser dito que as igrejas têm sido ensinadas de que Deus é soberano, em tal nível, que Sua dádiva do Espírito é, apenas, ocasional e, então, é dado sem qualquer conecção com causas aparentes (não é dependente, de modo algum, do cumprimento de condições por nós). A idéia comum de soberania exclui a idéia de que Deus mantém Sua bênção gratuitamente para todos, sob a condição de oração verdadeira por isto. Digo oração verdadeira, porque preciso mostrar a você, mais adiante, que muitas das aparentes orações da igreja pelo Espírito não são orações verdadeiras. É essa oração superficial egoísta que nos leva a muitas concepções falsas sobre a concessão do Espírito Santo.

Alguns de vocês podem lembrar que contei minha experiência uma vez, quando minha mente estava muito concentrada nessa promessa, como eu disse ao Senhor que eu não acreditava nela. Ela era contrária à minha experiência consciente e eu não conseguia acreditar em nada que fosse contra minha experiência consciente. Naquele tempo, o Senhor, amavelmente e com grande misericórdia, repreendeu minha incredulidade e me mostrou que a culpa era toda minha, que nem em parte era dEle.

Multidões oram pelo Espírito como eu fiz e estão desapontadas da mesma forma, porque elas não O recebem. Não estão conscientes de que são hipócritas; mas elas não conhecem seus próprios espíritos a fundo. Elas pensam que estão prontas a fazer qualquer sacrifício para recebê-lO. Elas não parecem saber que a dificuldade está toda nelas. Elas falham em entender o quão rica e plena é essa promessa. Tudo isso faz elas pensarem que é totalmente inacreditável, porque suas orações não são respondidas. Geralmente elas suam em agonia mental em seus esforços para resolverem este mistério. Elas não admitem dizer que a Palavra de Deus é falsa e não conseguem ver que isto é verdade. Isto é aparentemente negado por sua experiência. Este fato causa a perplexidade agonizante.

5. Como podemos conciliar essa experiência com a verdade de Cristo? Como podemos esclarecer esta experiência, de acordo com os fatos neste caso, e ainda mostrar que os ensinos de Cristo devem ser tomados em seu sentido óbvio, e que são estritamente verdadeiros?

Eu respondo: o que é ensinado aqui como oração deve ser ligado com o que é ensinado em qualquer lugar. Por exemplo: o que é dito aqui sobre pedir, deve ser ligado ao que é dito sobre orar em fé (com o que é dito por Tiago sobre pedir e não receber, porque os homens pedem mal, para poderem esbanjar com suas próprias cobiças). Se qualquer um de vocês fosse fazer um propósito, ou assumir uma nota promissória, obrigando a si mesmo ou a um administrador seu a pagar de determinada forma, sob certas condições específicas, não pensaria o necessário para estabelecer as condições, mais do que uma vez. Uma vez estabelecidas as condições, iria estabelecer a promessa detalhadamente; mas não esperaria que alguém separasse a promessa das condições e, então, exigisse a promessa sem satisfazer as condições; ainda mais, acusando a você de falsidade, por você não ter cumprido a promessa sem que as condições tivessem sido satisfeitas.

Agora, o fato é que encontramos várias condições de oração reveladas por toda a Bíblia. Quem quiser orar de forma aceitável, precisa realmente preencher todas essas condições, não somente uma parte. Mas, na prática, grande parte da Igreja negligenciou, ou falhou, em satisfazer essas condições. Por exemplo: eles geralmente oram pelo Espírito Santo, por razões egoístas. Isto é terrivelmente comum. Os motivos reais são egoístas. Agora eles vêm diante de Deus e pressionam com seus longos e muitos pedidos (talvez, querendo importunar bastante); mas eles são egoístas em todas as suas orações e Deus não as pode ouvir. Eles não estão prontos, no íntimo de seu ser, a fazer ou sofrer todas as santas vontades de Deus. Deus chama alguns dos Seus filhos para longos tempos de sofrimento extremo, obviamente como um meio de purificar seus corações; mas, muitos que oram por corações puros e para o Espírito purificar seus corações, se rebelariam imediatamente, se Deus respondesse suas orações por meio desse tipo de providência. Ou, Deus pode achar necessário crucificar o seu amor à reputação e, para isto, pode submetê-los a um tipo de prova que vai levar a sua reputação pelos ventos dos céus. Você está pronto para receber as bênçãos para um coração submisso, não egoísta, ainda que isto seja dado através desse tipo de disciplina?

Normalmente, o seu motivo para pedir o Espírito é somente conforto e consolo pessoais, como se você fosse viver toda a sua vida espiritual com manjares agradáveis. Outros O pedem como um meio de autoglorificação. Eles gostariam de ter seus nomes enfeitados em jornais. Seria tão gratificante ser tido como um milagre da Graça, como o cristão mais extraordinário. Ah! Quantos estão oferecendo apenas orações egoístas, nas mais variadas formas! Até um ministro poderia orar pelo Espírito Santo, apenas por motivos sinistros. Ele poderia desejar que fosse dito que ele é muito espiritual, ou um homem de grande poder espiritual em suas pregações, ou em suas orações; ou ele poderia querer evitar aquele duro estudo, ao qual o homem que não tem o Espírito precisa se sujeitar, quando o Espírito não o ensina, nem lhe dá unção. Ele poderia quase desejar ser inspirado, de tão fácil que esse dom tornaria sua pregação e seu estudo. Ele poderia supor que realmente desejava ser cheio com o Espírito, enquanto, na verdade, ele só está pedindo de forma errada, para usar de alguma forma não santificada.

Um estudante pode orar para o Espírito o ajudar a estudar, mas sua ambição, ou sua impiedade, pode ter inspirado essa oração. Nunca esqueça: precisamos estar de acordo com as razões de Deus para termos o Espírito, assim como devíamos desejar orar de forma aceitável. Não há nenhum mistério sobre este assunto. A grande finalidade de todas as ministrações espirituais de Deus para nós, em providência ou graça, é a de nos despir do egoísmo e trazer o nosso coração em harmonia com o dEle, no espírito do verdadeiro amor.

Muitas vezes as pessoas apagam o Espírito, mesmo quando estão orando por Ele. Alguém ora pelo Espírito, mas, naquele exato momento, falha em discernir as admoestações do Espírito no seu íntimo, ou se recusa a fazer o que o Espírito o levaria e o pressionaria a fazer. Talvez essas pessoas até orem pelo Espírito, para que este dom possa ser um substituto para alguma obrigação de autonegação, a qual o Espírito esteja cobrando há tempos delas. Esta experiência não é incomum. Essas pessoas estarão muito sujeitas a pensarem que é muito difícil receber o Espírito. Uma mulher estava indo a uma reunião de oração e pensava que queria o Espírito Santo. Ela faria disto a sua missão especial, naquela reunião. Mas, quando chegou lá, o Espírito a pressionou a orar em voz alta, mas ela resistiu e deu uma desculpa para si mesma.

É comum as pessoas resistirem ao Espírito em muitos passos que Ele escolhe para elas darem. Elas queriam fazer o Espírito se render a elas; Ele as queria rendidas a Ele. Elas só pensam em ter Suas bênçãos vindo do jeito que elas escolheram; Ele é sábio e fará isto do Seu jeito, ou não fará. Se elas não podem aceitar do Seu jeito, não pode haver acordo. Geralmente, quando as pessoas oram pelo Espírito, elas têm certas coisas em sua mente que ordenariam a Ele, como a maneira e as circunstâncias. Elas deveriam saber que, se elas tivessem o Espírito, precisariam aceitá-lO do Seu jeito.

Deixe-O no comando e leve em conta que os seus interesses serão tratados. Assim, não é raro acontecer de cristãos professos manterem uma resistência perpétua ao Espírito Santo, mesmo enquanto eles estão orando ostensivamente pela Sua presença e o Seu poder. Quando Ele os atraiu de bom grado, eles estão pensando que dão ordens a Ele e se recusam a serem dirigidos por Ele do Seu modo. Quando eles realmente entendem o que significa ser cheio com o Espírito, eles dão para trás. Isto é mais e diferente do que eles pensavam. Isto não é o que eles queriam.

COMENTÁRIOS
1. A dificuldade (e toda ela) está sempre em nós, não em Deus. Você pode registrar isto como uma verdade universal, na qual não pode haver exceções.


2. A dificuldade está em nosso estado de espírito voluntário, não em qualquer coisa que seja involuntária e fora do nosso controle. Então, não há desculpas para nós O retermos e Ele já deveria ter sido dado.

Não há dificuldade em obtermos o Espírito Santo, se estamos desejosos de O receber; mas isto implica em um desejo de nos submetermos à Sua direção e cuidados.

3. Geralmente nós confundimos outros estados de espírito com o desejo por ter o Espírito de Deus. Nada é mais comum do que isto. Os homens pensam que estão desejosos por serem cheios com o Espírito e que, tendo esse Espírito, Ele fará toda a obra deles em suas almas; mas, realmente, eles estão sob um grande erro. Desejar estar totalmente crucificado para o mundo, e o mundo para nós, é totalmente incomum. Muitos pensam ter um tipo de desejo por este estado, mas, na verdade, iriam recuar, se vissem essa realidade próxima deles. Essas pessoas cometem erros constantes e pensam desejarem ser totalmente controladas pelo Espírito, quando é evidente, por suas vidas, que não desejam. O desejo governa a vida e, então, a vida deve ser um indicador infalível do que realmente se deseja. Como é a vida, assim é o desejo. Então, quando você vê uma vida alienada de Deus, você deve inferir que o desejo não é totalmente consagrado a Seu serviço, não está totalmente harmonizado com o desejo de Deus.

4. Quando o desejo realmente está no altar de Deus, totalmente rendido ao desejo de Deus em todos os aspectos, a pessoa não vai esperar muito, até que tenha o Espírito de Deus em Sua plenitude. A mente pode não estar consciente dessa profunda união com Deus, na qual ela pode entrar. O conhecimento de Deus é uma consciência de Deus na alma. Certamente, você pode saber que o Espírito de Deus está dentro de você e que a Sua luz ilumina a sua mente. Sua presença se torna uma realidade consciente.

A maneira que o espiritual atua, diferente da carnal, e manifesta a si mesmo na mente do homem, parece muito misteriosa para alguns. Não é necessário que saibamos como esses atos têm acesso a nossas mentes; para nós é suficiente, acima de tudo, saber que têm acesso. Às vezes, os cristãos sabem que os demônios trazem seus próprios pensamentos ao mais profundo de suas almas. Alguns de vocês estão dolorosamente conscientes disto. Vocês estavam certos de que um demônio tivesse derramado seu espírito sobre vocês. As mais horríveis influências foram lançadas sobre suas mentes – aquelas que, no fundo da alma, você abomina e que não poderiam vir de outro, senão de Satanás. Agora, se o Diabo pode nos fazer conscientes de sua presença e poder, dessa forma, o Espírito de Deus não pode nos revelar os Seus? Claro que pode! Se o seu coração está em sintonia com Suas sugestões e Seus avisos, Ele não pode fazer muito mais? Certamente!

Ninguém pode duvidar de que Ele pode fazer a Sua presença e os Seus atos serem uma questão de consciência clara. É preciso ter uma visão muito distorcida e, até, falsa do caso, para supor que não podemos estar conscientes de nada, além do que a nossa própria mente opera. Muitas vezes, os homens estão conscientes dos pensamentos de Satanás, como se estivessem presentes em suas mentes; este é um fato muito bem ilustrado por Bunyan (John Bunyan - 1628-1688 – pregador e escritor inglês – NT), quando ele diz que os cristãos ficam alarmados com alguém atrás deles, que fica soprando em seus ouvidos, colocando blasfêmias terríveis em suas mentes.

Muitas vezes, acontecem casos como o seguinte: um homem me procurou, em grande sofrimento, dizendo: “Não sou um cristão; tenho certeza disto. Minha mente foi cheia com pensamentos horríveis sobre Deus”. Mas esses pensamentos horríveis eram seus mesmos, e você gostou deles, e consentiu com eles? “Claro que não! Nada poderia ter-me angustiado mais”. Eles são a obra do Diabo, eu disse. “Bem”, ele disse, “talvez sejam e eu ainda não tinha pensado nisso dessa maneira antes”.

Assim, o Espírito de Deus dentro de nós pode se tornar nada menos do que um objeto de nossa percepção consciente. E, se você, verdadeira e honestamente, espera em Deus, você pode ser suprido mais abundantemente com Sua plenitude.

5. Ser cheio com o Espírito Santo, de tal maneira que Ele tome posse total de nossas almas, é o que entendo por santificação. Esta obra gloriosa é forjada pelo Espírito de Deus; e o Espírito nunca pode tomar posse total e inteiramente de nossos corações, sem realizar essa obra abençoada.

Não me surpreendo que aquelas pessoas, que não sabem nada sobre ser cheio com o Espírito Santo, neguem a existência de qualquer estado, tal como a santificação. Não precisamos nos surpreender por eles não terem nenhum conhecimento dessa obra na alma, ignorando a Sua atuação gloriosa.

6. Muitas vezes, a grande dificuldade no caminho do progresso do cristão é uma necessidade enorme de cuidado. Alguns são tão dados a falar, que não podem manter comunhão com o Espírito de Deus. Eles não têm tempo para ouvir Sua “voz baixa e suave”. Alguns gostam tanto de rir, que parece ser impossível que, alguma vez, suas mentes possam estar se portando realmente com seriedade. Como o Espírito de Deus pode habitar neste tipo de mente? Várias vezes, em nossas discussões teológicas, eu sofri ao ver o quanto é difícil, para pessoas envolvidas em uma disputa e em uma discussão com alguém, evitar ficarem irritadas. Algumas delas são cuidadosas e oram muito contra essa tentação, mas, às vezes, vemos pessoas caírem abertamente, diante dessa tentação. Se os cristãos não fecharem o portão contra todas as ofensas da língua e, na verdade, contra todas as formas de egoísmo, não há nenhuma esperança de que eles resistirão ao Diabo e ao mundo, tanto quanto a de serem conquistadores, afinal.

7. O Espírito de Deus nos incomoda, ou nos consola, de acordo com o quanto resistimos ou recebemos este grande dom. O plano do Evangelho foi formulado com o fim de realizar essa união completa e essa harmonia entre nossas almas e Deus, de forma que a alma pudesse se agradar da própria paz de Deus e pudesse estar em perfeita harmonia com o seu Criador e Pai. Portanto, a grande obra do Espírito é trazer para este estado. Se concordamos, e se nossos desejos se harmonizam com Seus esforços, Ele nos consola; se resistimos, Ele nos incomoda; (acontece uma luta: se, nesta luta, passamos a entender a Deus e nos submetemos, então, Suas bênçãos vêm gratuitamente e nossa paz é como um rio; mas, enquanto resistimos, não pode haver nenhum fruto do Espírito operando em nós, mas repreensão e confusão). Ele não pode ser o Autor da paz e do consolo, para nós.

8. Como deve ser abominável para Deus a Igreja praticamente negar a verdade dessa grande promessa, em nosso texto, e se lançar ao chão em busca do Espírito! Quão terrível, esses cristãos sustentarem e ensinarem que ser verdadeiramente cristão é uma coisa difícil! Que incredulidade abominável! Com que força a Igreja testemunha ao mundo, assim, contra Deus! Melhor seria você queimar a sua Bíblia, do que negar que receber o dom do Espírito é a coisa mais fácil do mundo! E, agora, estranho dizer, alguns sustentam que Deus é tão soberano, e é soberano de tal forma, que poucos podem receber o Espírito plenamente. E, esses poucos, apenas recebem do jeito que possa acontecer, e não por qualquer meio que seja o resultado da provisão gratuita que foi feita, e da promessa revelada confiantemente, a qual a fé de qualquer homem pode tomar posse. Oh, como essa noção de soberania contradiz a Bíblia! Por quanto tempo isso vai ser assim?

Vocês, jovens, realmente acreditam que seus jovens corações podem ser cheios com o Espírito? Vocês realmente acreditam, como diz o nosso texto, que Deus está mais desejoso em dar o Seu Espírito para aqueles que O pedirem, do que o seu próprio pai, ou sua própria mãe, lhe daria coisas boas? Muitos de vocês estão aqui, longe de seus pais. Mas vocês sabem que, até mesmo sua mãe viúva, por mais que ela precise de cada centavo para ela mesma, dividiria satisfeita o último com vocês, se vocês precisassem. O seu pai terreno também faria assim. Vocês realmente acreditam que Deus está tão desejoso quanto eles, e tão pronto, e com tanto amor? Agora, Ele não está muito mais do que eles, tanto mais quanto Ele é melhor do que eles? E, agora, vocês realmente precisam e desejam esse dom do Espírito? Se é assim, vocês viriam e pediriam em total confiança de que vocês têm um Pai real nos céus?

Vocês encontram dificuldades práticas? Vocês percebem o quanto vocês desonram a Deus, se vocês se recusarem a crer em Sua palavra da promessa? Alguns de vocês dizem: “Eu sou tão pobre e tenho tantas dívidas, que preciso ir trabalhar em algum lugar para ganhar dinheiro”. Mas vocês têm um pai que tem dinheiro suficiente. “Sim, mas ele não vai me ajudar. Ele ama ao dinheiro, mais do que ama a seu filho”. Isto não seria um grande escândalo para o seu pai, uma desgraça viva para ele? Com certeza, seria! E você estaria tão sensível a isto, que você não o diria, se não fosse totalmente verdade, a menos que alguma circunstância muito forte parecesse requerer de você este péssimo testemunho. Se a sua mãe, estando amplamente capacitada, não o ajudasse em sua educação, ou em sua doença, você falaria duramente sobre isto, da melhor forma para que isto desonrasse o seu caráter.

E, agora, você se atreverá a dizer: “Deus não me ama; Ele não quer me educar para o céu; Ele Se recusa totalmente a me dar o Espírito Santo, muito embora eu sempre peça a Ele e O busque para que Ele faça isto!”? Você ainda pensará assim? E você ainda pode seguir adiante e agir dessa forma diante de todo o mundo? Ah, por que você iria desonrar desta maneira o seu próprio Deus e Pai?


Extraído de http://www.charlesgfinney.com/1855OE/550523_prayer_for_h_s.htm
Traduzido por René Burkhardt


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domingo, 21 de junho de 2009

Religião Legalista: Princípios do Medo


- por Charles G. Finney

"Quem é do Senhor venha até mim" Êx 32:26.

A conduta do homem mostra, invariavelmente, qual é o seu verdadeiro e principal objetivo na vida. O caráter de um homem é tal qual o seu objetivo supremo. Se você puder aprender, por sua conduta, qual é o seu objetivo principal, então você poderá saber com certeza como é o seu caráter.

Para aqueles que são motivados por amor próprio, ou egoísmo, a esperança e o medo são as principais fontes de tudo o que fazem na religião. Esses indivíduos são movidos por uma suprema estima aos seus bens conquistados e pelo medo do mal. A esperança de obter vantagem para eles mesmos é o fundamento de toda a sua conduta.

Eles fazem do Senhor um interesse secundário. Sua conduta mostra que eles não consideram o cristianismo como o principal negócio da vida, mas como subordinado a outras coisas. Eles consideram a religião como algo que deve vir e encontrar lugar entre outras coisas, exatamente como o trabalho em um Sabath deve ser restrito a um lugar pequeno. Cristianismo e negócios são considerados como interesses totalmente separados.

Se eles tivessem uma visão correta sobre o assunto, eles considerariam os negócios do Senhor como o único negócio legal na vida. Então o cristianismo fundamentaria tudo o que fizessem e, obviamente, seria um ato de obediência.

O DOMÍNIO DA CONSCIÊNCIA

Pessoas motivadas pelo egoísmo executam suas tarefas religiosas como uma obrigação. Tal como alguém que não se deleita em ter comunhão com Deus. Ele faz orações como uma obrigação. Ele faz as tarefas religiosas como as pessoas tomam remédios – não porque amam isso, mas porque esperam obter algum benefício disso.

Elas possuem um espírito de legalismo, não um espírito evangelístico. Elas fazem o que são obrigadas a fazer para Deus e não o que amam fazer. Elas obedecem aos mandamentos de Deus, mas não os amam. Elas sempre perguntam, por conta da obrigação, como podem ser salvas, não como podem fazer o bem. A diferença entre os dois grupos é a mesma que existe entre o pecador convicto e o verdadeiro convertido. O pecador convicto pergunta: “O que preciso fazer para ser salvo?”. O verdadeiro convertido pergunta: “Senhor, o que Tu queres que eu faça?”.

O medo, muito mais do que a esperança, é que as motiva. Elas fazem suas obrigações, principalmente, porque elas não se arriscam a omiti-las. Elas vão ao culto, não porque amam a Cristo ou aos seus irmãos, mas porque não ousam ficar longe. Elas temem as críticas da igreja, ou temem ser condenados, se negligenciarem isto. Elas oram, não porque gostam da comunhão com Deus, mas porque não querem se arriscar a negligenciarem a Deus. Elas têm o espírito de escravos e servem a Deus como escravos, temendo serem punidos com muitas chicotadas.

Esses “crentes” sentem como se eles fossem forçados a cumprir muitas obrigações religiosas, senão, serão pressionados pela consciência e perderão sua esperança. Então, eles fazem muitas obras por ano, dolorosa e arduamente, e chamam a isso de cristianismo!

Sua religião não é apenas produzida pelo medo da desgraça, ou pelo medo do inferno: é, geralmente, por um caráter negativo. Eles se satisfazem ao não fazerem coisas que sejam muito ruins. Sem ter visão espiritual, eles consideram a lei de Deus, principalmente, como um sistema de proibições que servem para guardar os homens de certos pecados, ao invés de um sistema de benevolência feita por amor. Se eles forem morais em sua conduta, relativamente sérios e decentes em suas atitudes gerais, e fizerem a quantia exigida de exercícios religiosos, eles ficarão satisfeitos.

Suas consciências os perturbam, não tanto pelos pecados de omissão, mas pelos pecados de comissão. Eles fazem uma distinção entre negligenciar a fazer o que Deus positivamente exige e fazer o que Ele definitivamente proíbe. O máximo que se pode dizer deles, é que eles não são maus. Parece que eles pensam pouco, ou nada, sobre ser útil à causa de Cristo. O importante é que não possam ser condenados por qualquer transgressão explícita.

Quando eles têm mentes esclarecidas e consciências tranqüilas, você sempre os considera os mais rígidos de todos os “crentes”. Eles dão dízimo de tudo e são perfeitos fariseus, levando tudo aos maiores extremos, até ao ponto onde o rigor exterior é concebido.

Mas, a despeito de todo o seu rigor, eles não podem se ajudar a perceber que eles são grandes pecadores, afinal de contas; e, não tendo nenhum senso da justificação do Evangelho, isto os deixa muito infelizes. Quanto mais esclarecidas e tranqüilas estiverem suas consciências, tanto mais infelizes eles estão. Sem considerar o seu rigor, eles sentem que não corresponderam as suas obrigações. Sem ter qualquer fé no Evangelho, ou sem a unção do Espírito Santo que traz paz à alma, eles ficam insatisfeitos, constrangidos e miseráveis.

Talvez, muitos de vocês tenham visto esse tipo de pessoa. Talvez, alguns de vocês sejam assim e nunca tenham sentido o que é se sentir justificado diante de Deus, através do sangue de Jesus Cristo. Vocês não sabem o que é sentir que Jesus Cristo o aceitou e o recebeu como Seu. Vocês nunca sentiram em suas mentes, o que é falado neste texto: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1), aqueles que não seguem a carne, mas ao Espírito.

Esse tipo de linguagem trouxe à tona esta realidade para você, porque você a experimentou em sua alma? Ou você, depois de tudo, ainda se sente condenado e culpado, sem nenhum senso de pecado perdoado, sem nenhuma paz com Deus, ou sem confiança em Jesus Cristo?

ESPERANÇAS CONFORTÁVEIS

Os legalistas ficam encorajados e animados, ao lerem sobre santos que caíram em grandes pecados. Eles se sentem maravilhosamente instruídos e edificados, quando eles ouvem que os pecados do povo de Deus foram colocados sob um holofote. Aí eles são confortados e suas esperanças são maravilhosamente fortalecidas. Eles se sentem gratificados e fortalecidos por essas coisas, ao invés de ficarem abatidos e aflitos, sentindo que tal conduta é tão contrária ao cristianismo, que eles poderiam crer totalmente que aqueles eram santos, se isso não fosse encontrado na Bíblia. Certa vez, conheci um ancião que foi trazido à frente durante um culto, pelo crime de adultério. Ele se desculpou com este argumento: “Eu não sabia por que seria esperado de mim, ser melhor que Davi, o homem com o coração segundo Deus”.

Muitos cristãos professos ficam satisfeitos se o seu ministro adota um padrão baixo e está pronto a esperar que quase todo mundo seja cristão. É fácil de ver por que eles ficam satisfeitos com tal tipo de cristianismo: ele serve para o seu objetivo principal e os ajuda a manter o que eles chamam de “esperança confortável”, ainda que eles façam tão pouco por Deus.

O oposto a eles é o homem cujo principal objetivo é libertar o mundo do pecado. Ele quer que todos os homens sejam santos e quer ter exposto o verdadeiro padrão de santidade. Ele quer que todos os homens sejam salvos, mas sabe que eles não podem ser salvos, sem serem verdadeiramente santos. Um homem piedoso preferiria pensar na ida de Satanás para o céu, do que ganhar um homem para lá desprezando o padrão bíblico de santidade.

Pessoas egoístas são fãs da doutrina da perseverança dos santos e da doutrina da eleição. Geralmente, tudo o que elas querem é o que elas chamam de doutrinas da graça. Se essas doutrinas podem ser pregadas confortavelmente, sem ameaçar muito a suas consciências, então elas ficam alimentadas.

Os legalistas adoram ter o seu ministro pregando sermões que alimentam aos cristãos. Seu principal objetivo não é salvar pecadores, mas salvarem a si mesmos. Então, eles sempre escolhem um ministro, não por sua habilidade em pregar para a conversão de pecadores, mas por seus talentos em alimentar a igreja com simples abstrações.

Em suas orações, eles pedem, principalmente, por segurança em ir para o céu. Seu grande objetivo é assegurar suas esperanças. Eles oram por evidência, ao invés de orarem para que sua fé possa ser fortalecida e suas almas sejam cheias do Espírito Santo, para puxar os pecadores para fora do fogo.

É dada muita ênfase às emoções. Se, em qualquer tempo, eles têm intensas sensações religiosas, eles se fecham em si mesmos e fazem dessa evidência a última, por um longo tempo. Um tempo de excitamento vai sustentar suas esperanças por tanto tempo, quanto eles possam se lembrar dele claramente. Não importa se eles não estão fazendo nada agora, porque eles se lembram do tempo em que tiveram essas sensações e isso mantém suas esperanças vivas.

Se tiver acontecido um reavivamento e eles ficaram tão envolvidos que puderam chorar, orar, e exortar com compaixão, eles terão uma esperança confortável por anos, na força disso. Depois que o reavivamento tiver acabado, eles não fazem nada para promover o cristianismo e seus corações se tornam endurecidos. Eles têm uma esperança confortável, esperando pacientemente que venha um reavivamento, que lhes dê outro agir.

Se você pudesse ouvir por trás da porta de seus lugares secretos de oração, você ouviria oitenta por cento de todos os seus pedidos sendo feitos para eles mesmos. Isto mostra o quanto eles valorizam sua própria salvação, em comparação com a salvação dos outros. Em um culto de oração será, geralmente, a mesma coisa. Você não poderia supor, através de suas orações, que eles soubessem que há alguma pessoa sobre a terra, viajando pela estrada para o inferno. Eles oram por si mesmos, da mesma forma como fazem no quarto secreto, apenas ligando o resto da igreja com eles, ao dizerem ‘nós’, ao invés de ‘eu’.

VIVENDO PARA HONRAR A DEUS

Pessoas egoístas estão mais ansiosas em estarem preparadas para morrer, do que em salvarem os pecadores a sua volta. Se elas pedem pelo Espírito de Deus, elas O querem para prepará-los para morrer. Compare isto com a oração de Davi: “Então, ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores se converterão a ti” (Sl 51.13).

Quantos de vocês estão com esse caráter? O indivíduo que fez disso o seu grande e apaixonante objetivo, para fazer o bem e salvar pecadores, não pensaria tanto sobre quando, onde, ou como ele vai morrer, quanto pensaria em como ele poderia fazer o maior bem enquanto vivesse. E, como para sua morte, ele vive tudo para Deus. Há muito tempo ele deu sua alma para Ele. Então, a grande questão não é: “Quando vou morrer?”, mas: “Como vou viver para honrar a Deus?”.

Muitos cristãos professos se caracterizam por um medo de punição e uma indiferença pelo pecado. Verdadeiros amigos de Deus e do homem têm mais medo do pecado, do que da punição. Eles não perguntam: “Se eu fizer isto, serei punido?”. Pelo contrário, eles perguntam o que José perguntou: “...como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?” (Gn 39.9). Este foi o espírito de um filho de Deus, com tanto medo do pecado, que não teve nenhum pensamento sobre punição.

Os falsos convertidos, geralmente, se afundam no pecado, se eles puderem se convencer que Deus os perdoará, ou quando pensarem que podem se arrepender dele, depois de cometido. Geralmente, eles raciocinam desta maneira: “O pastor faz isto”, ou: “Os anciãos fazem isto, então por que eu não poderia fazer o mesmo?”. Eles temem a punição, não o pecado. Eles sabem que pecam, mas têm esperança de escapar da punição. Isto é contrário ao espírito dos verdadeiros amigos de Deus, cujos apaixonantes objetivos são tirar todo o pecado do mundo. Este tipo de pessoa não tem nem metade do medo de ir para o inferno, quanto tem de cometer pecado.

As pessoas egoístas são mais fãs de receber o bem, do que de fazê-lo. Essas pessoas não têm o verdadeiro Evangelho. Elas nunca penetraram no Espírito de Jesus Cristo: “...Mais bem-aventurado é dar que receber” (At 20.35). A pessoa que age por verdadeiro amor a Deus e ao homem gosta do que ela faz em benefício dos outros, muito mais do que aqueles que recebem o bem de suas mãos. Ela é benevolente e demonstrar bondade é uma gratificação para ela. Seu coração está posto nisso e, quando ela não pode fazer isso, um prazer santo é derramado sobre sua mente.

A outra classe está mais interessada em receber. Eles querem mais receber instrução, do que transmiti-la. Eles querem receber conforto, mas nunca estão prontos a negarem a si mesmos, para dar o conforto do Evangelho aos outros. O quanto isto é diretamente contrário ao espírito do Evangelho, que encontra sua maior felicidade ao passar felicidade aos outros! Mas essas pessoas querem que todo mundo passe felicidade para elas, ao invés de se empenharem para abençoar aos outros. Essas duas classes de caráter são tão opostas, quanto a luz e a escuridão.

Pessoas egoístas têm, principalmente, medo do inferno e, quando são fortemente convictas, elas têm medo que os outros também vão para lá. Elas buscam felicidade para si mesmas; e, quando o destino delas não está em discussão, elas buscam o mesmo para os outros. Elas oram pelos pecadores, não por terem idéia do mal que os pecadores estão cometendo, mas porque elas têm idéia dos terrores do inferno. Elas querem que os pecadores se convertam, porque eles estão em perigo, não porque eles desonram a Deus. Seu grande objetivo em orar é o de garantir segurança para aqueles por quem oram, como é o seu grande objetivo na vida o de garantir sua própria segurança. Elas têm pena de si mesmas e têm pena dos outros. Se não houvesse nenhum perigo, elas não teriam nenhum motivo para orar, nem por elas mesmas, nem pelos outros.

Os verdadeiros amigos de Deus e dos homens sentem compaixão pelos pecadores também, mas estão muito mais preocupados com a honra de Deus. Eles ficam mais angustiados ao verem Deus ser ofendido e desonrado, do que vendo pecadores indo para o inferno. Se tiverem que decidir: ou Deus deve ser desonrado para sempre, ou os pecadores devem ir para o inferno, eles decidirão que os pecadores devem cair em um tormento final, mais rápido do que Deus sofra uma ofensa.

Verdadeiros santos manifestam seus sentimentos em suas orações. Você os ouve orar pelos pecadores, como rebeldes contra Deus – criminosos culpados, merecedores da ira eterna. Enquanto eles estão cheios de compaixão pelos pecadores, eles sentem uma indignação santa contra eles, por sua conduta contra o Deus abençoado.

Os falsos convertidos estão aptos a fazerem um grande acordo sobre suas dúvidas. Isto compõe grande parte de sua história e eles não estão preparados para fazerem nada para o Senhor, por causa dessas dúvidas. Se o Diabo, em qualquer tempo, sugere que os verdadeiros amigos de Deus e dos homens irão para o inferno, a primeira resposta que eles pensam é: “Que devo fazer? Me deixe apenas salvar pecadores do fogo, enquanto eu posso”.

É claro que um cristão verdadeiro pode ter dúvidas. Mas é muito menos capaz de ele as ter, se ele estiver totalmente determinado a salvar pecadores. Será um duro trabalho para Satanás arranjar problemas de dúvidas em uma igreja ativa.

ALEGRANDO-SE EM SE AUTONEGAR

Pessoas egoístas se sentem desconfortáveis com os crescentes chamados para a autonegação. O bem que poderia ser feito não entra em suas mentes, porque elas se fixam naquilo que teriam que deixar.

Esses ataques agressivos do reino das trevas afligem os falsos convertidos. Seu objetivo nunca foi o de descobrir e banir todas as coisas desonrosas a Deus, ou prejudiciais ao homem. Eles nunca estiveram determinados em se livrar de todos os males da terra para a alma, ou corpo. Então eles ficam angustiados com aqueles que estão verdadeiramente engajados em se livrar e acabar com o mal.

Quando os legalistas recorrem a negarem a si mesmos pela causa do fazer o bem, ao invés de isto ser uma coisa prazerosa, causa uma verdadeira dor neles. Esses tais não sabem nada sobre se alegrar com a autonegação. Eles não conseguem entender como alguém pode se alegrar em negar-se a si mesmo, pela causa do fazer o bem aos outros. Eles pensam que isso é um nível no cristianismo, que eles ainda não alcançaram.

Mas, o verdadeiro amigo de Deus e dos homens, cujo coração está determinado a fazer o bem, nunca se alegra tanto em gastar dinheiro, quanto ao ofertar para promover o Reino de Cristo. Se ele é realmente santo, ele sabe que esta é a melhor coisa que ele pode fazer com seu dinheiro. Ele até se sente triste em ter que usar dinheiro para qualquer outra coisa, quando há tantas oportunidades de fazer o bem com ele.

Se um indivíduo tem o seu coração posto em alguma coisa, todo o dinheiro que ele puder dirigir para esse objetivo será um prazer para ele. Quanto mais ele puder desviar de outros objetivos, para essa causa, mais feliz ele fica. Se ele acha difícil dar dinheiro para o Senhor, seu coração não está posto nisto. Se estivesse, ele daria seu dinheiro com alegria.

O que você pensaria de um homem que se negasse a dar dinheiro para a igreja, mas, apesar disto, se empolgasse com missões? Nos chamados para ofertas, ele nunca deu, nem mesmo, um Real. Seria óbvio que seu coração não estava verdadeiramente posto na causa de Cristo. Se estivesse, ele daria seu dinheiro tão gratuitamente, quanto se dá água.

Esses falsos convertidos não estão interessados em promover reavivamentos. Eles sempre precisam ser arrastados para a obra. Quando um reavivamento começa e a excitação é grande, então eles entram e aparentam estar excitados. Mas você nunca os vê tomando a liderança, ou se destacando à frente.

O que importa, de fato, é que esses hipócritas não convertem pecadores a Deus. Eles podem fazer o bem, de várias formas, e Satanás pode fazer boas obras assim também. Mas, de forma geral, eles não tiram os pecadores do fogo. O motivo é que isto não é o seu grande objetivo. Como é com você? Você realmente tem sucesso em converter pecadores? Existe alguém que olhe para você como o instrumento de sua conversão? Se você estava verdadeiramente no fogo, você não poderia descansar satisfeito sem fazer isto e você trabalharia com tal afinco, com tal agonia ao orar, que você faria isso.

A QUEM VOCÊ SERVE?

Pessoas egoístas não mostram muita angústia, quando elas descobrem o pecado. Elas não o repreendem. Elas adoram se misturar com acontecimentos onde o pecado é cometido e elas podem ouvir conversas torpes e se alegrar com elas. Seu espírito é mundano e elas amam as companhias mundanas. Ao invés de detestar até a roupa contaminada pelo corpo, elas adoram se colocar próximas às fronteiras do pecado, como se isto as satisfizesse.

Se qualquer missão passa por necessidade, elas não sabem, nem sentem por isso. Se as missões prosperam, elas não têm nenhum interesse. Muito provavelmente, elas não lêem nenhuma literatura cristã. Ou, se lêem, só lêem as notícias triviais. Por outro lado, os verdadeiros amigos de Deus e dos homens adoram aprender sobre reavivamentos e missões. Quando ouvem que o Senhor manifestou o Seu Espírito em uma missão, um ardor de alegria santa explode através do Espírito.

Amantes de si mesmos não almejam nada acima de uma religião legalista, sofrida e negativa. O amor de Jesus não os constrange a uma luta constante contra o pecado e ao desejo de fazer todo o bem ao seu alcance. O que eles fazem é, apenas, porque eles pensam que precisam fazer, e mantêm uma piedade formal, sem coração e inútil.

Se é proposta uma reunião mais longa, geralmente você encontrará essas pessoas fazendo objeções. Se qualquer outro esforço especial é proposto, eles vêm com relutância e preferem o “bom velho modo”. Eles ficam furiosos por serem obrigados a fazer tanto, todos os anos, para sua religião, a fim de manterem sua esperança.

Essas pessoas egoístas não oram em seus lugares secretos por gostarem de orar; elas pensam que esta é a sua obrigação e elas não querem negligenciar isso. A Bíblia não é doce para suas almas. Elas não se agradam da leitura, como uma pessoa se agrada de prazeres intensos, mas a lêem porque isto é sua obrigação. Elas sabem que não é certo declarar ser um cristão e não ler a Bíblia; mas elas a consideram um livro seco.

Desculpas frágeis as mantêm longe de reuniões de oração. Elas nunca vão, a menos que achem necessário para manter as aparências, ou sua esperança. E, quando elas vão, ao invés de terem suas almas derretidas e incendiadas com amor, elas ficam frias, apáticas e entediadas – e satisfeitas, quando acaba.

Seus corações não agonizam com pensamentos como estes: “Por quanto tempo a maldade vai prevalecer? Quando este mundo miserável estará livre do pecado e da morte? Quando os homens vão parar de pecar contra Deus?”. Ao invés disto, perguntam: “Quando eu vou para o céu e vou ficar livre de todos esses meus caminhos e cuidados?”.

Essa religião descreve a religião da maioria dos cristãos professos e eles estão radicalmente errados.

O verdadeiro cristianismo está longe disso. Isso é tão diferente do cristianismo, quanto os fariseus eram diferentes de Cristo – tanto quanto o verdadeiro Evangelho difere do legalismo.

A qual dessas classes você pertence? É eternamente importante que você saiba com certeza qual é o seu verdadeiro caráter, se você é motivado por amor verdadeiro a Deus e aos homens, ou se você é um religioso que quer recompensar a si mesmo. Você é um verdadeiro amigo de Deus e dos homens, ou não? Esclareça isto e, então, vá trabalhar para Deus.


Traduzido por René Burkhardt


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