"Portanto, ninguém se glorie em homens; porque todas as coisas são de vocês, seja Paulo, seja Apolo, seja Pedro, seja o mundo, a vida, a morte, o presente, ou o futuro; tudo é de vocês, e vocês são de Cristo, e Cristo, de Deus."
PENSE NISTO: "O valor do homem é determinado, em primeira linha, pelo grau e pelo sentido em que se libertou do seu ego!" (Albert Einstein).

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Fé Justificadora

Charles Finney

Em nenhum lugar a Bíblia diz que os homens são justificados ou salvos pela fé, em decorrência de seu perdão. Eles são justificados pela fé como um meio, ou instrumento. Fé é a confiança em Deus que nos leva a amá-Lo e obedecê-Lo. Nós somos conseqüentemente justificados pela fé, porque somos santificados pela fé. A fé é o instrumento da nossa justificação, porque ela é o instrumento natural para tornarmo-nos santificados. Ela nos traz de volta à obediência e, conseqüentemente, é designada como o meio de obtermos as bênçãos dessa volta. A fé não nos é imputada através de um ato arbitrário, mas é o fundamento da real obediência a Deus.

Esse é o motivo de a fé ter sido feita o meio através do qual vem o perdão. Primeiramente, ela nos leva a obedecer a Deus como um princípio do amor a Deus. Temos nossos pecados perdoados por conta de Cristo. Nosso dever é arrependermo-nos e obedecermos a Deus e, quando fazemos assim, isto nos é imputado como realmente é: santificação, ou obediência a Deus. Mas, para o perdão de nossos pecados passados, precisamos confiar em Cristo.

A fé justificadora não consiste em crer que seus pecados são perdoados. Se isto fosse necessário, você teria que crer nisto antes que fossem perdoados. Lembre-se: seus pecados não são perdoados até você crer. Mas, se a fé salvadora é crer que eles já foram perdoados, isto é acreditar em algo antes que aconteça, o que é um absurdo. Você não pode crer que seus pecados foram perdoados, antes de ter evidências de que eles foram perdoados; e você não pode ter evidências de que eles foram perdoados, até que seja verdade que eles o foram - e eles não podem ser perdoados até você exercitar a fé salvadora.

Conseqüentemente, a fé salvadora precisa ser crer em algo mais. E a fé salvadora também não consiste em crer que você será salvo, afinal. Você não tem nenhum direito de crer que você será salvo até você exercitar fé justificadora ou salvadora. Mas, fé justificadora consiste em crer na expiação feita por Cristo, ou crer na Palavra que Deus deu sobre Seu Filho. A precisão desta definição tem causado dúvida e, confesso, minha própria mente havia resistido a uma mudança sobre esse ponto.

Abraão creu em Deus e isto lhe foi imputado para justiça. Mas em que Abraão acreditou? Ele acreditou que teria um filho. Qual a causa disto? Certamente, sua fé incluía a grande benção que dependia daquele evento (que o Messias, o Salvador do mundo, descenderia dele). Esta foi a grande questão da Aliança Abraâmica e dependia de que ele tivesse um filho. Evidentemente, a fé de Abraão incluía o "desejo das nações" - isto era fé em Cristo. O apóstolo Paulo mostrou em detalhes que o resultado da aliança foi: "em ti todas as nações serão abençoadas" (Gl 3.8). No verso 16 ele diz: "Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo."

O SACRIFÍCIO MAIS EXCELENTE

Algumas pessoas argumentam que no capítulo onze de Hebreus os santos não são todos descritos como se tivessem crido em Cristo. Mas, se você examinar cuidadosamente, você perceberá que, em todos os casos, a fé em Cristo também está incluída, ou implícita, no que eles acreditavam. Veja o caso de Abel. "Pela fé, Abel ofereceu a Deus sacrifício mais excelente do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala" (Hb 11.4). Por que seu sacrifício foi mais excelente? Porque ele reconheceu a necessidade da expiação e "sem derramamento de sangue não há remissão" (Hb 9.22). Caim foi um arrogante infiel e ofereceu o fruto do campo como um mero agradecimento (oferecido pela benção da Providência), sem admitir que era um pecador ou que necessitava de uma expiação. Ele não tinha um motivo pelo qual esperasse por perdão.

Uma pessoa pode exercitar fé justificadora, enquanto nega a divindade e a expiação de Jesus Cristo? Não! Todo o resultado e essência da profecia, como raios que se convergem, centralizam-se em Jesus Cristo e Sua divindade e expiação. Tudo o que os profetas e outros escritores do Velho Testamento dizem sobre salvação vem para Ele. O Velho e o Novo Testamentos, todos os tipos e sombras, apontam para Ele. Todos os santos do Velho Testamento foram salvos pela fé nEle. Sua fé dirigia-se ao Messias que estava para vir, como a fé dos santos do Novo Testamento dirigia-se ao Messias que já tinha vindo.

No livro de 1 Corínthios, o apóstolo Paulo mostra para que ponto ele dirigiria essa doutrina: "Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras" (1Co 15.3-4). Marque essa expressão "antes de tudo". Isto prova que Paulo pregou que Cristo morreu pelos pecadores "primeiramente", ou como doutrina primária do Evangelho. E você vai verificar que, do início ao fim da Bíblia, a atenção dos homens foi dirigida para este novo caminho de vida, como o único meio de salvação. Esta verdade é a única que pode tornar os homens santificados. Eles podem acreditar em milhares de outras coisas, mas esse é o grande meio de santificação: "Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo" (2Co 5.19). Isto, somente, pode ser fé justificadora.

Pode haver muitos outros atos de fé que possam ser corretos e aceitáveis para Deus. Mas nada é fé justificadora, exceto crer na Palavra registrada que Deus deu a respeito de Seu Filho. Simplesmente crer em qualquer coisa que Deus tenha revelado é um ato de fé; mas fé justificadora liga a Cristo, prende à Sua expiação e O adota como o único meio de perdão e salvação.

8 comentários:

Rita disse...

Paz,
Maravilhoso esse sermão, só em Cristo mesmo há fé que nos justifica diante do Pai,nosso único fiel amigo e advogado,nossa defesa...nosso tesouro.
A razão de Paulo escrever;
E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo, Filipenses 3:8
Ganhar a Cristo é só o que pode nos justificar definitivamente!
Continue na paz do Senhor amado irmão!

René disse...

Amém, Rita!

E para chegarmos a Cristo, precisamos crer em tudo que Deus disse a respeito de Jesus e que está registrado em Sua Palavra, afinal, a fé vem pela pregação/pelo ouvir, e a pregação vem da Palavra.

Bom fim de semana e continue na Paz do Senhor!

disse...

Pois é o legal é esta separação de fé salvivica e fé justificadora que vc faz no seu texto. Por isso vejo muita confusão em relação a fé, principalmente nesta questão de fé para todo as as coisas. Esta entendendo o que quero dizer??

René disse...

Oi, Rô,

Na verdade, o Charle Finney, neste texto, tenta acabar com essa confusão com relação à fé. Ele considera os dois termos, salvadora e justificadora, a mesma coisa. Só que os textos dele são meio complicados, porque ele vai e volta diversas vezes, pra tentar deixar clara uma questão.

Um resumo do que ele diz, seria isto: fé salvadora/justificadora é crer na expiação dos pecados que Jesus fez com Sua morte na Cruz, ou crer em toda a Palavra que Deus deixou registrada a respeito de Seu Filho. Sem fé nessas coisas, não se chega a Cristo e, conseqüentemente, não se chega à salvação.

Isto quer dizer que podemos crer que Deus criou o mundo, podemos crer que existiu o Jardim do Éden, podemos crer que Deus falou com Abraão, com Moisés, podemos crer que Jesus existiu historicamente, mas nada disto nos leva à salvação, mesmo que se diga que o Jesus histórico é o caminho para Deus, através da imitação de Suas atitudes.

Deus diz em Sua Palavra que Jesus é Seu Filho, que Ele é Deus, que Ele morreu para expiar os pecados de todo aquele que crer, que Ele ressuscitou ao terceiro dia e que Ele ascendeu aos céus, já com Seu corpo glorificado. Se não cremos em uma destas declarações, não alcançamos a salvação.

Talvez, assim, tenha ficado um pouco melhor de entender, ou... fala que eu te escuto! rsrsrs

Bj e Paz!

disse...

Sim te entendi, só acho que há uma diferença de fé, em que muitas pessoas fazem confusão com esta palavra Fé, existem tipos de fé, ou não?? estou falando e quero ser ouvida. rsrsrs

René disse...

Com certeza, Rô,

Você está certíssima: há diferentes tipos de fé!

Alguns exemplos: quando entramos em um avião, precisamos ter fé de que o piloto tenha freqüentado um curso que o habilitasse a pilotar e que, principalmente, ele tenha sido aprovado nesse curso.

Também precisamos ter fé no médico, ao qual confiamos nossa saúde, nossa vida. Mais ainda, precisamos ter fé de que o farmacêutico realmente entendeu a letra do médico e nos deu o remédio correto.

Caso contrário, não andaríamos de avião, não iríamos ao médico e não aceitaríamos o remédio entregue na farmácia! Aqui, temos um tipo de fé!

Agora, vamos para a fé mais espiritual: esta é a fé que todas as pessoas têm, já que Deus "pôs a eternidade no coração do homem" (Eclesiastes), mas, também, de formas diferentes.

Existe a fé que vem pelo ver. Exemplo: alguém vê algo sobrenatural acontecer e passa a ter fé naquilo que se diz ser a origem do acontecimento. O R.R.Soares costuma dizer que a própria fé é a origem de fatos de cura que ocorrem. Assim, muitas pessoas passam a ter fé na fé, não em Jesus. O Darwim dizia que o homem veio do macaco, assim, muitos passaram a crer na evolução das coisas, que teriam surgido de forma espontânea. Mesmo sem terem visto isto, imaginaram, fizeram um desenho em suas mentes. Há muitos outros exemplos como estes (que o diga o Tomé).

Existe a fé que vem pelo sentir. Exemplo: alguém se banha com flores, ou cristais na banheira e sente uma sensação de leveza em seu corpo. A partir daí, passa a ter fé que as flores, ou os cristais, são poderosos e merecedores de seu culto. É estranho, mas, basicamente, é assim. Também há os que sentem "vibrações" no coração, diante de pessoas, ou circunstâncias, e crêem que isto é a ação de espíritos. Assim, passam a crer que tais espíritos são a razão do seu viver, ou, pelo menos, são imprescindíveis em suas vidas, passando a adorá-los e a obedecê-los.

E tem a fé que vem pelo ouvir. Exemplo: você ouve uma pregação e concorda com ela, a ponto de aplicar seu conteúdo em sua vida. Aqui, qualquer pregação pode levar uma pessoa à fé: sobre Buda, sobre Alá, sobre o Jesus histórico. Esta fé é apreendida intelectualmente. É aqui, também, que entra a fé salvadora, ou justificadora. A grande diferença é que ela não é apreendida, apenas, intelectualmente, porque esta fé vem do ouvir duas vezes: uma, a pregação feita por alguém e, outra, a voz do Espírito Santo, que fala diretamente ao nosso espírito. Esta "pregação" do Espírito sempre estará presente, enquanto que a pregação de alguém, nem sempre é necessária, para se chegar a essa fé.

Isto está bem resumido, portanto, se quiser algum esclarecimento sobre algum ponto, é só dizer. Se eu souber, esclareço. Se não souber, a gente ora pra que o Espírito de Cristo nos dê o discernimento.

Bj e continue na Paz!

disse...

sobre o Jesus histórico. Esta fé é apreendida intelectualmente. É aqui, também, que entra a fé salvadora, ou justificadora. Sim concordo.

vejo as outras que você citou como uma fé cega. Paz!

René disse...

E você está certa, Rô! Isso é fé cega, mesmo!

Paz!