"Portanto, ninguém se glorie em homens; porque todas as coisas são de vocês, seja Paulo, seja Apolo, seja Pedro, seja o mundo, a vida, a morte, o presente, ou o futuro; tudo é de vocês, e vocês são de Cristo, e Cristo, de Deus."
PENSE NISTO: "O valor do homem é determinado, em primeira linha, pelo grau e pelo sentido em que se libertou do seu ego!" (Albert Einstein).
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Inferindo...

- por René Burkhardt | 18 de Setembro de 2010

- Mestre! Mestre! Te imploro que dês atenção ao meu filho, pois é o único que tenho. Um espírito o domina; de repente ele grita; lança-o em convulsões e o faz espumar; quase nunca o abandona, e o está destruindo. Roguei aos Teus discípulos que o expulsassem, mas eles não conseguiram!

- Caramba! Que geração incrédula! Até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam-me o menino! – disse Jesus.

Então, eles o trouxeram. Quando o espírito viu Jesus, imediatamente causou uma convulsão no menino. Este caiu no chão e começou a rolar, espumando pela boca.

- Há quanto tempo ele está assim? – perguntou Jesus ao pai do menino.

- Desde a infância! – respondeu ele. - Muitas vezes o tem lançado no fogo e na água para matá-lo. Mas... se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos.

- Se podes!!!??? Tudo é possível àquele que crê!

- Eu creio! Ajuda-me a vencer a minha incredulidade! – exclamou o pai do menino.

Quando Jesus viu que uma multidão estava se ajuntando, repreendeu o espírito imundo, dizendo: "Espírito mudo e surdo, eu ordeno que o deixe e nunca mais entre nele".

O espírito gritou, agitou-o violentamente e saiu. O menino ficou como morto, a ponto de muitos dizerem: "Ele morreu!".

Mas Jesus tomou-o pela mão e o levantou, e ele ficou em pé.

Depois de Jesus ter entrado em casa, seus discípulos lhe perguntaram em particular:

- Pôxa! Por que não conseguimos expulsá-lo?

- Essa espécie só sai pela oração e pelo jejum! – respondeu-lhes Jesus.

Incríveis, as coisas que Jesus nos revela aqui! Primeiro, ao saber que Seus discípulos não conseguiram expulsar o espírito imundo do garoto, Ele vincula o fracasso da tentativa à falta de fé daqueles homens, Seus seguidores. Fé em quê? Fé na presença pessoal de Deus, junto a eles, apesar de Jesus não estar fisicamente lá com eles. Fé na ação de Deus através deles. Fé em que a libertação do menino, daquela opressão/possessão demoníaca, era a vontade de Deus. Uma fé que já deveria ter-se desenvolvido, pelo tempo que eles andavam com Jesus, aprendendo com Ele.

Depois, Ele questiona a fé do próprio pai do garoto. Mas, aí, já se trata de uma fé diferente. Esse homem não havia estado com Jesus, não havia aprendido nada com Ele, como Seus discípulos já haviam. Portanto, Jesus não poderia “cobrar” isto dele. Então, de que fé Ele está falando aqui? Daquela que faz as pessoas se aproximarem de Jesus: ouvindo a Seu respeito, se passa a crer que Jesus é o Filho unigênito de Deus, que é o poderoso Deus, o Salvador de todos os homens. E, nessa fé, as pessoas se aproximam dEle, para conferirem se isso é mesmo verdade. Assim, naquele momento, Jesus estava dizendo, àquele homem, em outras palavras:

“Você Me trouxe seu filho, porque, em um primeiro momento, você acreditou que Eu sou o Filho de Deus, o Messias prometido. Mas você ainda não tem certeza disto, porque você só ouviu falar a Meu respeito, sem, contudo, Me ver face a face, sem experimentar pessoalmente o Meu poder em sua vida. Por isto, Eu lhe digo: se você crer, realmente, que Eu Sou, tudo lhe será possível, desde que esteja de acordo com Minha vontade. Eu vim para dar vida! E, se a libertação de seu filho serve para dar vida a vocês, Eu quero e posso libertá-lo, porque todas as coisas Me estão subordinadas!”.

Depois disso tudo, da libertação do garoto, e da pergunta dos discípulos, o Senhor ainda nos revela mais: Ele diz que existe diferença entre espíritos, onde alguns resistem mais do que outros. Mesmo assim, todos devem obediência a Jesus. Desta forma, o que permite que alguns espíritos resistam mais do que outros?

Jesus deu a dica: falta de oração e jejum! Mas... será que o Senhor estava Se referindo à oração e jejum específicos no momento de expulsar demônios, ou de algo que deve estar associado à vida da pessoa? Como Ele mesmo não orou, nem jejuou com um fim específico antes de libertar o garoto, podemos inferir que Ele Se referia ao tipo de vida da pessoa, com relação a Deus. E, quando entendemos o que significa oração e o que significa jejum, para Deus, passamos a compreender a profundidade dessa declaração de Jesus, que aponta para algo bem diferente da nossa religiosidade em orar e jejuar.

Deus revelou em Sua Palavra, que devemos orar, falar com Ele o tempo todo. Que Ele Se agrada da oração do justo. E também nos revelou que esse orar não pode ser algo com uma forma pré-estabelecida, algo automático, que não mostra a verdade do nosso coração. Ele diz que esse nosso falar com Ele deve ser um constante reconhecer da nossa pequenez, em contraposição à Sua grandeza, Seu amor, Seu poder (ver Lucas 18.9-14, como um dos exemplos). Certamente, é dessa atitude de oração diária que Jesus falou aos discípulos.

E quanto ao jejum? Há diversos casos de pessoas jejuando, descritos na Palavra de Deus. E, em muitos deles, vemos o Senhor falando com as pessoas. Mas teria sido por conta do jejum, que o Senhor falou com elas? O caso mais comentado, talvez, seja o jejum de vinte e um dias, feito por Daniel. Mas, quando o anjo falou com Daniel, ele disse que a resposta de Deus era em conseqüência de seu jejum? Não! Disse o anjo: “Desde o primeiro dia em que você decidiu buscar entendimento e se humilhar diante do seu Deus, suas palavras foram ouvidas, e eu vim em resposta a elas” (Daniel 10.12).

O jejum a que Daniel se propôs foi o de só comer o básico, o nosso arroz com feijão, hoje em dia, e de beber água, como forma de deixar ainda mais evidente a grande diferença que existe entre o ser humano e Deus. Ele ficaria mais consciente disso, não Deus. Ele estaria em um estado de maior fraqueza verdadeiramente, não só como uma declaração vazia. Portanto, Daniel sabia que o jejum não servia para comover a Deus, mas para provocar um estado de maior consciência de sua fraqueza nele mesmo. E, principalmente, ele não buscava uma vantagem pessoal. Nenhuma vantagem pessoal! Ele buscava, apenas, uma compreensão maior, sobre os desígnios de Deus. Portanto, seu jejum não era arma de negociação!

Daniel conhecia bem o que Deus pensava a respeito do jejum, pois isto já havia sido declarado pelo próprio Espírito Santo, através de Isaías:

“Vocês não podem jejuar como fazem hoje e esperar que a sua voz seja ouvida no alto. Será esse o jejum que escolhi, que apenas um dia o homem se humilhe, incline a cabeça como o junco e se deite sobre pano de saco e cinzas? É isso que vocês chamam jejum, um dia aceitável ao Senhor?

O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, e não recusar ajuda ao próximo?

Aí sim, a sua luz irromperá como a alvorada, e prontamente surgirá a sua cura; a sua retidão irá adiante de você, e a glória do Senhor estará na sua retaguarda.

Aí sim, você clamará ao Senhor, e ele responderá; você gritará por socorro, e ele dirá: Aqui estou. Se você eliminar do seu meio o jugo opressor, o dedo acusador e a falsidade do falar; se com renúncia própria você beneficiar os famintos e satisfizer o anseio dos aflitos, então a sua luz despontará nas trevas, e a sua noite será como o meio-dia.

O Senhor o guiará constantemente; satisfará os seus desejos numa terra ressequida pelo sol e fortalecerá os seus ossos. Você será como um jardim bem regado, como uma fonte cujas águas nunca faltam” (Isaías 58.4-11).

Certamente, Jesus está nessas palavras! Tudo isto é ter uma vida íntima com o Senhor, dia a dia. E até os demônios sabem disto! E é diante dessa intimidade com Jesus, que nenhum desses demônios pode resistir! Você pode até morrer de fome jejuando, mas, se não tiver esse amor presente em cada passo de sua vida, você será envergonhado!

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sexta-feira, 25 de março de 2011

Intercedendo

- por René Burkhardt | 25 de Março de 2011

E aí, depois de deixar seus afazeres e muito andar em direção a Jesus, ela intercedeu:

- Senhor, eu sei que Você é o Messias prometido, o próprio Deus que prometeu nos redimir, o Filho de Davi, por isto eu clamo a Você: tenha compaixão de mim e liberte minha filha, pois ela está horrivelmente endemoninhada! (Mt 15.22ss)

Silêncio... o seu clamor parecia não chegar a lugar nenhum, pois ela não obteve resposta!

As pessoas próximas ainda cochichavam entre si: “Que coisa ridícula! Quem essa mulher pensa que é, para incomodar o nosso Mestre? Ela não faz parte do nosso grupo e não tem direito nenhum de pedir alguma coisa a Ele! Se ela andasse com a gente, ainda vá lá! Mas vem lá não sei de onde, dizendo que sabe quem é Jesus, sem nunca ter tido uma aula conosco! Vê se pode! Mestre, manda essa mulher embora, que ela continua aí, aporrinhando a gente e dizendo que sabe quem Você é!” (15.23).

Não viram sua dor! Não viram que ela intercedia por uma pessoa, a fim de que esta fosse liberta e pudesse viver o amor de Cristo pelo resto da eternidade. Viram o exterior, a aparência, e pensaram que era mais um pedido para obter vantagem pessoal, afinal, pedia pela filha. Não entenderam que o “horrivelmente endemoninhada” significava uma vida de depravação e de mergulho de cabeça em direção à morte eterna! Não amaram, nem a uma, nem a outra mulher!

Mas Jesus nunca se fez de surdo com ninguém! Por que, então, o silêncio? Por que Ele não respondia? Porque, como sempre, Ele via muito além daquela situação específica. Ele via todo o futuro da humanidade e sabia que a história daquela mulher seria contada por todas as gerações futuras, para a edificação de muitos. Ele podia ter resolvido a questão em segundos, apenas com um gesto, ou mesmo com uma palavra. Mas o Seu propósito era muito superior, por isto, Ele permitiu que a situação se desdobrasse da forma que aconteceu. Assim, Ele preferiu provar publicamente a fé daquela mulher!

Mas, depois de algum tempo, Ele Se dirigiu a ela com palavras que poderiam cortar mais do que o silêncio anterior: “Mulher, Eu vim trazer a salvação aos judeus! Por que Eu deveria desperdiçar meu tempo e o Evangelho que trouxe para eles, com uma pessoa de fora desse grupo?” (15.24).

Não sei quanto a você, mas, eu, nessa hora, daria meia volta e sumiria dali, com o rabinho entre as pernas! E por que a mulher não sambou fora? Muito simples: porque ela tinha fé no Senhor! Sabia que Deus, o Messias, podia atender seu pedido. Mas, mais do que isto, ela havia se disposto a interceder, porque essa questão, em seu coração, era de vida ou morte, para ela! Se ela não tivesse tal sentimento, não se manteria firme em sua intercessão. Teria, apenas, falado o que falou e, diante da resposta negativa, voltaria para os seus e diria: “É! O caso dela não tem mais jeito! Está perdida mesmo!”. Só que ela compreendia o valor que cada vida tem para o Senhor que as formou. Então, se manteve firme, a despeito do sofrimento que tivesse que enfrentar.

Essa mulher aplicou toda a sua alma, todo o seu entendimento, todo o seu coração e toda a sua força, sabendo que não havia outra solução! E acredito que tenha sido o próprio Espírito do Senhor que tenha construído toda essa situação. Ele usou os graves acontecimentos na vida daquela mulher, a fim de levá-la a buscar a Cristo, o Salvador! Tendo feito isto, permitiu que a história se desenrolasse daquela forma, com os discípulos tecendo seus comentários, com a mulher perseverando atrás deles, para que tudo fosse registrado da forma que foi e muitos aprendessem mais um pouco sobre viver o Reino, pois a ação de Deus sempre tem uma amplitude que não se percebe no momento imediato que ela acontece!

Firme ela estava e firme ela continuou: “Ela veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me!” (15:25). Não reclamou do silêncio de Jesus, não reclamou de Suas duras palavras! Ela O adorou, como o Deus que é, e continuou clamando por ajuda. Ela não iria desistir, até que tivesse uma resposta definitiva.

Mas, então, Jesus é ainda mais duro com a mulher: “Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos” (15:26). É importante que se entenda que os judeus religiosos daquela época consideravam os gentios menos do que cachorros aos olhos de Deus. É claro que Jesus não aceitava isto; Ele jamais daria uma conotação de inferioridade racial a qualquer das criaturas do Pai Criador. Mas Ele sabia que essa mulher estava consciente da atitude dos judeus em relação aos gentios. E, uma vez mais, Ele a estava provando.

E, diante disto, a mulher fecha a conversa com chave de ouro: “Senhor, eu continuo crendo no que afirmei a Seu respeito. Eu sei que Você é Deus e Se importa com todas as pessoas! Sei que Você é poderoso para sustentar todas as coisas! Por isto, não estou pedindo que Você deixe de atender a nenhum dos Seus. O que peço é que Você permita que eu também seja tocada por fragmentos da Sua Glória!”.

Que fé!!!! Que fé!!! Ela não se deixou abalar pelas circunstâncias negativas à sua volta! Ela olhou firme para Jesus! Ela não desviou o seu olhar de Jesus! Ela não considerou que sua filha pudesse não ser merecedora de ajuda! Ela não pensou que, talvez, ela mesma não fosse merecedora de ser atendida, mesmo diante das negativas que lhe foram apresentadas! Ela perseverou! Ela amou ao Senhor e amou a pessoa pela qual estava intercedendo, mais do que a si mesma, que estava ali sendo exposta à vergonha e ao desprezo!!!

Fico pensando o quanto ainda tenho que aprender com este exemplo...

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quarta-feira, 23 de março de 2011

Amar a Ponto de Interceder

- por René Burkhardt | 25 de Fevereiro de 2011

Toda intercessão é oração, mas nem toda oração é intercessão. Interceder é intervir a favor de alguém, intervir a favor de um condenado. E, para que haja esta intervenção, é necessário que o intercessor deixe de lado seus próprios interesses, a fim de argumentar, até obter resposta, junto àquele que está investido de autoridade para livrar ou condenar.

A Palavra de Deus está repleta de exemplos de intercessão, através de Abraão, Moisés, Josué, Salomão, Jeremias, e muitos outros. Evidentemente, o maior exemplo de intercessão nos é dado através de Jesus. Isaías, setecentos anos antes, pode ver a intercessão do Senhor: “Pois ele carregou o pecado de muitos, e INTERCEDEU pelos transgressores” (53.12). O profeta viu Jesus Se colocando como mediador entre Deus e a humanidade e também viu Seu sofrimento por isso: “um homem de tristeza e familiarizado com o sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima” (53.3).

Essas palavras nos remetem a momentos cruciais da vida de Jesus aqui na Terra. Em João 17, vemos o Senhor orando ao Pai, em favor de todos os que nEle crêem. Ele intercedeu por todos! Não para que tivéssemos uma vida sem problemas, ou para que fôssemos ricos, mas para que Deus nos livrasse do mal, para que fôssemos cheios do amor de Deus e para que Ele mesmo, Cristo, pudesse estar em nós. Logo depois de interceder por nós, Jesus foi ao Getsêmani, onde Ele foi acometido por tamanha tristeza, que Seu suor era como gotas de sangue caindo ao chão. Esta seqüência de fatos demonstra o sofrimento a que é acometido aquele que intercede por outra pessoa, guardadas as devidas proporções. Isto significa que interceder está intimamente ligado a sofrer, de alguma forma, a dor da pessoa representada diante de Deus. Não se trata de algum castigo, ou algum tipo de sadismo da parte de Deus, mas de dividir o sofrimento do outro, como em um jugo, movido pelo único combustível capaz de realizar uma verdadeira intercessão: o amor de Deus em nós, Cristo em nós!

Em Hebreus, aprendemos que “Todo sumo sacerdote é escolhido dentre os homens e designado para representá-los em questões relacionadas com Deus e apresentar ofertas e sacrifícios pelos pecados. Ele é capaz DE SE CONDOER dos ignorantes e dos que erram, pois ele mesmo, também, está rodeado de fraquezas” (5.1-2). Também aprendemos que “Ninguém toma esta honra para si mesmo, mas deve ser chamado por Deus” (5.4). É claro que Deus não nomeia mais nenhum sumo sacerdote, pois Jesus é o Único e para sempre. Mas é evidente que o Senhor nos levanta, algumas vezes, para intercedermos por alguém.

A Palavra nos dá exemplo disto: em João 4.46-53, vemos a história de um homem nobre que intercedeu por seu filho, junto ao Senhor. Aquele homem foi de Cafarnaum a Caná, distantes cerca de 40 km entre si, provavelmente por ter ouvido que Jesus se dirigia para lá e por saber que Ele era poderoso, a ponto de livrar da morte. Ele deixou tudo para trás, não se importando consigo mesmo. E era homem reconhecido na sociedade, afinal, ele era oficial do rei. Mesmo assim, ele se dispôs a enfrentar a viagem, a deixar seu trabalho e os cuidados com sua casa, a fim de interceder por seu filho. E, diante de Jesus, ele intercedeu: “suplicou-lhe que fosse curar seu filho, que estava à beira da morte” (v. 47).

Este exemplo nos traz mais um elemento necessário na intercessão: a fé! E não se trata de fé em que Jesus tem o poder para curar. É mais do que isto: é fé em que Jesus é o próprio Deus encarnado! Quando o homem rogou a Jesus, Este respondeu: “Se vocês não virem sinais e maravilhas, nunca crerão” (v. 48). O que Jesus quis dizer com isto? Ele estava dizendo ao oficial que uma libertação milagrosa não era a sua necessidade mais urgente. Na verdade, a questão número um era a fé desse homem. Cristo poderia ter entrado na casa daquela família, ter imposto as mãos sobre o filho moribundo e o curado. Mas, assim, tudo o que a família saberia a respeito de Jesus era que operava milagres. E o relato nos dá conta de que houve salvação naquela casa, indiretamente, por causa da intercessão do homem. Sua resposta, diante do comentário do Senhor, foi: “Senhor, desce, antes que meu filho morra” (4:49). Ele estava dizendo que levava em consideração, sim, o poder curador de Jesus, mas, antes disto, sabia que Ele é o Senhor, é Deus! E Jesus reconheceu esta sua fé, pois lhe disse “vai, teu filho vive!”.

Um outro elemento que nos é mostrado é que a intercessão não significa atendimento imediato! O homem intercedeu e Jesus passou a provar a fé desse homem, para ele mesmo. Algo semelhante aconteceu com Moisés, que intercedeu pelo povo (diversas vezes), Deus disse que não atenderia sua intercessão, mas, mais tarde, livrou o povo. Também aconteceu com Jeremias. E o que podemos inferir disto é que o Senhor, além de nos levar a interceder individualmente por alguém, também tem um propósito maior a ser cumprido, mediante tal intercessão. E, normalmente, esse propósito é de que um maior número de pessoas O reconheça como Deus, reconheça que Jesus é Deus e que a salvação só ocorre por isto, viabilizada pelo amor!

É importante essa compreensão mais ampla sobre a intercessão, porque é muito comum vermos pessoas pedindo que irmãos intercedam por alguém. Entendo que o pedido correto a ser feito é o de que se ore por esse alguém, pois a intercessão será requerida diretamente por Deus de alguma pessoa que Ele levantar para isso. Às vezes, a pessoa que está sendo ‘defendida’ nem sabe que tem alguém intercedendo por ela. No entanto, ao final, o propósito do Senhor se cumpre.

Portanto, se você se sentir impelido a orar por alguém, sentindo uma grande tristeza em seu coração e uma urgência incompreensível para orar, disponha-se ao Senhor. Olhe para a pessoa com os olhos do Senhor, para poder reconhecer o Seu amor por ela (nem sempre somos levados a orar por alguém que nos seja agradável). Quando estiver certo desse amor, virá a parte mais difícil: se dispor a repartir a dor da pessoa consigo mesmo, a fim de que ela tenha forças para reconhecer a Jesus como Senhor de sua vida e se entregar a Ele, para fazer parte da Sua unidade com Deus! Você terá que amar a ponto de interceder!



Getsêmani (letra)

No Getsêmani foi que meu Jesus orou,
Se entregando ao Pai mais uma vez.
Logo vieram pessoas para O levar para a maior das provações
Ele tanto amou tudo suportou.
Ele carregou a nossa cruz.
Vê os cravos nas mãos, Seu corpo a sofrer
Naqueles momentos de dor.
Vê o mestre a chorar
E foi por você que Ele mostrou tanto amor.
Os soldados cuspiam no Seu rosto nu...
Posso ouvir o clamor da multidão.
E Jesus, a olhar aquele céu azul,
Pede ao pai que lhes dê o Seu perdão.
Ele tanto amou, tudo suportou.
Ele carregou a nossa cruz.
Vê os cravos nas mãos, Seu corpo a sofrer
Naqueles momentos de dor.
Vê o mestre a chorar
E foi por você que Ele mostrou tanto amor.
Ele tanto, tanto me amou.
Ele tudo por mim suportou,
Ele carregou minha cruz.
Vem vê os cravos nas mãos, Seu corpo a sofrer
Naqueles momentos de dor.
Vê o mestre a chorar
E foi por você que Ele mostrou tanto amor.

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domingo, 30 de janeiro de 2011

Oração de Coração

Às vezes a gente entra em parafuso... a gente olha em volta e não vê saída nenhuma! Está tudo escuro e não há pessoas, nem palavras, que possam nos levantar... e, nesses momentos, a gente costuma rever nossas vidas, nossos atos, tentando encontrar o motivo de tão grande isolamento, de tamanha provação, porque a gente esquece que o Reino dos Céus não é uma questão de causa e efeito... é uma questão de Graça de Deus!

Nessas horas, o melhor que temos a fazer é entrar em nosso quarto secreto e orar:


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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Agnus Dei (Cordeiro de Deus)



Agnus Dei
Michael W. Smith

Alleluia, Alleluia
For the Lord God Almighty reigns
Alleluia, Alleluia
For the Lord God Almighty reigns
Alleluia

Holy, Holy are You Lord God Almighty
Worthy is the Lamb
Worthy is the Lamb

You are holy, Holy are You Lord God Almighty
Worthy is the Lamb
Worthy is the Lamb

Amen


Cordeiro de Deus
Michael W. Smith

Aleluia, Aleluia
Porque o Senhor Deus Todo-Poderoso reina
Aleluia, Aleluia
Porque o Senhor Deus Todo-Poderoso reina

Santo, Santo és Tu Senhor Deus Todo-Poderoso
Digno é o Cordeiro
Digno é o Cordeiro

Tu és Santo, Santo és Tu Senhor Deus Todo-Poderoso
Digno é o Cordeiro
Digno é o Cordeiro

Amém!

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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Desafio aos Evangélicos

- por Venefredo Barbosa Vilar | 2006

Desconfio que há alguma coisa errada com a igreja que está por aí!

Diante desse imbróglio todo [falsas doutrinas], estou sendo levado a achar que podemos fechar todos os templos, todos os institutos bíblicos e todos os seminários, deixar de lado a teologia, e dar um tempo. E, aí, pegamos uns sete preceitos ensinados pelo Senhor Jesus Cristo — os quais nós conhecemos de cor e salteado, desde os primórdios da Escola Dominical — e os praticamos com fidelidade, e então a Igreja, os nossos familiares, os companheiros de trabalho, nossos patrões ou nossos empregados, o mundo enfim, verão a diferença e sentirão um tremendo impacto, e saberão que realmente somos discípulos do Senhor Jesus Cristo.

Proponho assumirmos o compromisso de praticarmos pelo menos os seguintes ensinos:

 Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não; o que disto passar vem do maligno;

 Não resistais ao perverso; mas a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra;

 Ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa;

 Não julgueis, para que não sejais julgados;

 O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei;

 Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam nem roubam; porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

 Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles.

(Copie esses preceitos, em letras grandes, e deixe-os bem à mão, para você lembrar de praticá-los todos os dias, em casa, no trabalho, nos negócios, na igreja e até nos momentos de lazer. E não tenha vergonha de dizer: “Estou fazendo o que o Senhor Jesus Cristo me mandou fazer, e se eu errar, corrija-me, por favor").

Eu queria que você analisasse e meditasse profunda e serenamente em cada um desses preceitos e procurasse ver a extensão de cada um deles e a influência e as mudanças que causarão na Igreja e no mundo, se forem efetivamente praticados pelos cristãos. Creio piamente que o cumprimento desses preceitos só trará benefícios para si, para a igreja ou para a comunidade que cada um freqüenta e para a sociedade em geral. Não causará divisões ou cisões. E você nem precisa proclamar que os está praticando, as pessoas irão perceber logo que você é diferente; quem sabe até vão achar você parecido com o Senhor Jesus!

Extraído do livreto ‘Dízimo – o engano cavalgando a verdade’, de Venefredo Barbosa Vilar
1ª Edição impressa, julho de 2006, tiragem 1.000 exemplares
Para pedidos: E-mail: dizimo2006@hotmail.com

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A Oração Toca a Eternidade


- por Leonard Ravenhill

A estatura espiritual de um crente é determinada pelas suas orações. O pastor ou crente que não ora está-se desviando. O púlpito pode ser uma vitrine onde o pregador exibe seus talentos. Mas no aposento da oração não temos como dar um jeito de aparecer.

Embora a igreja seja pobre sob muitos aspectos, é mais pobre ainda na questão da oração. Contamos com muitas pessoas que sabem organizar, mas poucas dispostas a agonizar; muitas que contribuem, mas poucas que oram; muitos pastores, mas pouco fervor; muitos temores, mas poucas lágrimas; muitas que interferem, mas poucas que intercedem; muitas que escrevem, poucas que combatem. Se fracassarmos na oração, fracassaremos em todas as frentes de batalha.

Os dois requisitos para se ter uma vida cristã vitoriosa são visão e fervor. Ambos nascem da oração e dela se nutrem. O ministério da pregação é de poucos; o da oração — a mais importante de todas as atividades humanas — está aberta a todos. Porém, as “criancinhas” espirituais comentam sem o menor constrangimento: “Hoje, não vou à igreja. É dia de reunião de oração”.

É bem possível que Satanás não tema grande parte das pregações de hoje. Mas a experiência do passado leva-o a arregimentar todo o seu exército infernal para lutar contra o crente que ora. Os crentes de hoje não têm muito conhecimento da prática espiritual de “ligar e desligar”, embora essa responsabilidade nos tenha sido delegada por Deus: “O que (tu) ligares na terra..”. Você tem feito isso? Deus não desperdiça seu poder. Se quisermos ser poderosos na obra dele, temos que ser poderosos com ele.

O mundo está marchando para o inferno a um ritmo tão rápido que, se comparado aos modernos aviões supersônicos, estes pareceriam tartarugas. E, no entanto, para vergonha nossa, nem recordamos quando foi a última vez que passamos uma noite toda em oração a Deus, suplicando-lhe que derrame sobre nós um avivamento que abale o mundo. Não temos compaixão pelas almas. Estamos pensando que os andaimes são o prédio. As pregações de hoje, com sua falha interpretação das verdades bíblicas, nos levam a confundir agitação com unção, e comoção com avivamento.

O segredo da oração é orar em secreto. Quem se entrega ao pecado pára de orar. Mas aquele que ora pára de pecar. O fato é que somos pobres, mas não humildes de espírito.

A oração é profundamente simples, e ao mesmo tempo profunda. “É uma forma de expressão tão simples que até uma criancinha pode exercitá-la”. Mas é igualmente tão sublime que ultrapassa os recursos da linguagem humana, e esgota seu vocabulário. Lançar diante de Deus uma torrente de palavras não irá necessariamente impressioná-Io ou comovê-lo. Uma das mais significativas orações do Velho Testamento foi feita por uma pessoa que não pronunciou palavras: “Seus lábios se moviam, porém não se lhe ouvia voz nenhuma” (1Sm 1.13). De fato ela não tinha grandes dons de oratória. Sem dúvida existem “gemidos inexprimíveis”.

Será que nos encontramos num padrão tão inferior ao dos cristãos neotestamentários que não possuímos mais a fé dos nossos antepassados (com todas as suas realizações e implicações), mas somente a fé emocional de nossos contemporâneos? A oração é para o crente o que o capital é para um homem de negócios.

Não se pode negar que a maior preocupação da igreja hoje são as finanças. E, no entanto, esse problema que tanto inquieta as igrejas modernas era o que menos perturbava a do Novo Testamento. Hoje damos mais ênfase à contribuição; eles a davam à oração.

Em nossos dias são muito poucos os que estão dispostos a assumir a responsabilidade de orar inspirados pelo Espírito, e para esse tipo de oração não há substitutos. Temos que orar, senão pereceremos!

“A pior maldição que um povo pode sofrer é ter uma religião movida à base de mera emoção e sensacionalismo. A ausência de realidade espiritual já é trágica; mas o aumento da falsa espiritualidade é pecado mortal”.— S. Chadwick

“Seria muito bom se nos libertássemos da idéia de que fé é uma questão de heroísmo espiritual, que apenas alguns cristãos seletos conseguem ter. Existem os heróis da fé, é verdade; mas a fé não é apenas para heróis. É uma questão de maturidade espiritual; é para adultos em Cristo”.— P. T. Forsyth

“Sempre que Deus tenciona exercer misericórdia para com seu povo, a primeira coisa que faz é levá-lo a orar”. — Matthew Henry

“A verdade sem entusiasmo, a moralidade sem emoção e o ritual vazio de realidade são coisas que Cristo condena severamente. Sem fervor espiritual, elas não passam de uma filosofia ímpia, um sistema ético ou de mera superstição”.— S. Chadwick

“Portanto, o chamado da cruz é para que participemos da paixão de Cristo. Precisamos trazer em nós as marcas dos cravos”.— Gordon Watt

“Minha pobreza se encontra com tua riqueza. E assim, em ti, tenho tudo”.— Anônimo

“Sede fervorosos no espírito; servindo ao Senhor”.— Apóstolo Paulo



Este é o capítulo 2 do livro “Por que tarda o pleno avivamento”, de Leonard Ravenhill, escrito em 1959.
Você pode baixar este e outros livros, gratuitamente, no site:http://www.semeadoresdapalavra.net

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sobre Orar Pelo Espírito Santo


- por CHARLES G. FINNEY - 23 de Maio de 1855

" Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir {pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir} um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?" Lc 11:11-13.


Esses versículos fazem parte da conclusão de um discurso extraordinário sobre oração de nosso Senhor aos Seus discípulos. Ele foi feito pelo seu pedido de que Ele os ensinasse a orar. Em resposta a esse pedido, Ele deu a eles o que estamos acostumados a chamar de Oração do Senhor (o Pai Nosso), seguido de uma poderosa ilustração do valor de importunar, a qual Ele ainda ampliou e reforçou, renovando a promessa geral: “Pedi e dar-se-vos-á”. Então, para confirmar ainda mais a sua fé, Ele expande a idéia de que Deus é seu Pai e poderia ser alcançado em oração, como se Ele fosse um pai infinitamente bom e amável. Isto constitui a principal idéia no forte apelo feito em nosso texto. “Se um filho pedisse pão a qualquer um de vocês que é pai, você lhe daria uma pedra? Ou, se pedisse um peixe, ao invés de peixe você lhe daria uma serpente? Ou, se pedisse um ovo, você lhe daria um escorpião? Se vocês, então, sendo maus, sabem dar boas coisas para seus filhos, quanto mais o seu Pai Celestial dará o Espírito Santo àqueles que Lhe pedirem?”.

1. Meditando sobre este texto, primeiro eu observei que, quando entendemos corretamente o assunto, nós podemos ver que esse presente, que é o Espírito Santo, compreende tudo o que necessitamos espiritualmente. Ele nos assegura aquela união com Deus, a qual é a vida eterna. Isto implica em conversão, que consiste em que os desejos sejam submetidos ao controle de Deus. Santificação é (1º) essa união, aperfeiçoada e perpetuada, do desejo a Deus; (2º) o predomínio desse estado do desejo sobre todos os sentidos, de tal forma, que toda a mente é levada à união e à harmonia com a mente e o coração de Deus.

2. É muito fácil receber esse presente de Deus. Em outras palavras, é fácil receber de Deus todas as bênçãos espirituais que realmente precisamos. Se não fosse assim, o que poderíamos pensar dessas palavras de Cristo? Como podemos explicá-las consistentemente, de alguma forma, com total honestidade? Certamente, é fácil para os filhos receberem coisas realmente boas de seus pais. Qual de vocês, sendo um pai, não sabe que é fácil para os seus filhos receberem coisas boas de você? Você sabe, por experiência própria, que eles conseguem, sem dificuldade, até mesmo de você, todos os verdadeiros bens que precisam, desde que seja possível para você. Mas, algumas vezes, você é “mau” e Cristo mostra que, já que Deus nunca é mau, mas sempre infinitamente bom, é muito mais fácil alguém receber o Espírito Santo do que seus filhos receberem pão de suas mãos. “Muito mais”! Que palavras significativas, em relação a isto! Todo pai sabe que não há nada que possa impedir seus filhos de receberem dele todas as coisas boas que eles realmente necessitam e que ele deve dar. Por isto, pais trabalham e planejam pela causa de seus filhos. Desta forma, eles podem ser contrários, ou demorados, em dar essas coisas para seus filhos?

Mas Deus está muito mais pronto a dar o Seu Espírito. Minha linguagem, então, não é, de forma alguma, forte demais. Se Deus está muito mais pronto e desejoso para dar coisas boas para Seus filhos, do que você está em dar para os seus, então, certamente, deve ser fácil, e não difícil, receber bênçãos espirituais, ainda em muito maior medida do que desejamos.

Deixem este argumento fazer morada no coração de vocês que são pais. Certamente, vocês precisam sentir essa força. Cristo precisa ser um falso mestre, se isto não é assim. É preciso que este grande presente, que em si mesmo compreende todas as dádivas espirituais, seja obtido mais facilmente e em qualquer quantia que nossas almas necessitem.

3. Como são injuriosas e desonrosas, para Deus, as opiniões de quase todos os homens neste assunto. A dependência dos homens no Espírito Santo passou a ser a apologia permanente para a delinqüência moral e espiritual. Em todos os lugares, homens dizem querer o Espírito Santo e, menos ou mais, dizem sentir Sua necessidade e que estão orando por esta dádiva; mas, continuamente e em todos os lugares, eles se queixam de não a terem recebido. Esta queixa assume, direta e indiretamente, que é muito difícil receber essa dádiva; e que Deus mantém Seus filhos em uma dieta muito baixa; e com a menor quantia possível para isso; e que Ele dá o pão e a água espirituais na menor quantia possível (como se Ele Se propusesse a manter Seus filhos apenas o mínimo acima de um estado de inanição). Passe pelas igrejas e ouça o que eles dizem e como oram. E o que você pensaria? Como você ficaria chocado com a estranha, não poderia dizer, blasfema concepção que eles fazem no que se refere à política de Deus em dar, ou de não dar, o Espírito Santo àqueles que O pedem! Posso falar por experiência e observação próprias.

Quando comecei a participar de reuniões de oração, esse fato, ao qual me referi, me pareceu muito estranho. Eu nunca tinha participado de uma reunião de oração, até que eu tivesse chegado à maturidade, porque a minha situação, a este respeito, era muito diferente da sua. Mas, depois que cheguei à maturidade, e essas reuniões aconteciam no lugar onde eu vivia, passei a freqüentá-las regularmente. Era um assunto de grande interesse para mim, mais do que eu possa explicar, ou expressar corretamente. Eu estava cheio de vontade de ouvir orações cristãs, mais ainda, quando comecei a ler minha Bíblia e encontrei nela essas coisas que temos em nosso texto de hoje. Ler tais promessas e, depois, ouvir a conversa dos cristãos foi surpreendente. O que eles diziam, junto com o que eles pareciam querer dizer, seria como isto: “Eu tenho a obrigação de participar desta reunião; não posso sair sem fazer isto. Quero testemunhar que a religião é uma coisa boa, uma coisa muito boa, muito embora eu não tenha recebido muito dela. Eu creio que Deus ouve as orações, mas não penso que Ele ouça as minhas (pelo menos, não com muita vontade). Eu creio que a oração nos traz o Espírito Santo, mas, embora eu tenha sempre orado por este Espírito, eu nunca O recebi”.

Isto parecia ser o caráter de suas conversas e pensamentos, e preciso dizer que isto me deixou muito estarrecido. Tenho razões para achar que isto estarreceu a outros. Em poucos anos que se passaram, eu entendi que esta era a grande dúvida de homens não convertidos. Eles dizem: “Não poderia agüentar, se eu fosse convertido; é muito difícil receber e manter o Espírito Santo”. Eles apelam para cristãos nominais e dizem: “Olhe para eles; não estão engajados com a religião; eles não fazem a obra de seu Mestre com seriedade e confessam isto; eles não têm o Espírito e confessam isto; eles dão um testemunho vivo de que essas promessas são de um valor prático muito pequeno”.

Agora, esses são fatos de grande importância e deveriam ser profundamente considerados por todos os que se dizem cristãos. A vida cristã de multidões não é nada menos do que a evidente negação das grandes verdades da Bíblia.

Muitas vezes, quando eu estimulo cristãos a serem cheios com o Espírito Santo, me perguntam: “Você realmente acredita que este dom é para mim? Você pensa que todos os que querem podem recebê-lO?”. Se você lhes dá exemplos, aqui e ali, de pessoas que andam na luz e são cheias do Espírito, eles respondem: “Esses não são casos muito especiais? Eles não são os poucos favorecidos, desfrutando de uma bênção que apenas uns poucos podem esperar desfrutar?”.

Aqui você deve observar, cuidadosamente, que a questão não é se poucos ou muitos têm essa bênção; mas, “ela está, na prática, ao alcance de todos? Ela está realmente disponível a todos? Essa dádiva é oferecida, verdadeiramente, da forma mais plena e mais alta? É fácil possuí-la?”. Sendo estas as verdadeiras questões, precisamos ver que os ensinamentos do texto não podem estar errados sobre esse assunto. Ou Cristo testemunhou falsamente sobre esse assunto, ou esta dádiva está disponível para todos, e é obtida facilmente. Porque não pode haver nenhuma dúvida sobre o significado e o objetivo de Sua linguagem. Nenhuma linguagem pode ser mais clara. Nenhuma ilustração poderia ser mais clara e nenhuma poderia ser facilmente encontrada, que fosse mais forte.

4. Com esta impressão impregnando a Igreja de forma tão intensa, como podemos considerar que o Espírito Santo raramente pode ser obtido de forma ampla, com satisfação completa, a não ser com a maior dificuldade?

Esta impressão, obviamente, brota da atual experiência da Igreja. De fato, mas alguns parecem ter essa comunhão consciente com Deus, através do Espírito; mas alguns realmente parecem caminhar com Deus e serem cheios do Espírito.

Quando digo alguns, preciso esclarecer o que quero dizer: poucos em relação a todo o número de cristãos professos. Tomado absolutamente, o número é grande e sempre tem sido. Algumas vezes, alguns pensaram que o número era pequeno, mas estavam errados. Elias pensou que estivesse só, mas Deus o fez entender que havia muitos (muitos, descritos como sete mil), que nunca dobraram seus joelhos a Baal. Geralmente, o uso deste número sagrado, o sete, é tomado como uma grande, indefinida, soma, muito maior do que se fosse tomada absolutamente. Pode ser assim, aqui. Mesmo assim, naquela época extremamente obscura, ainda havia muitos que permaneceram firmes para Deus.

É um fato curioso que pessoas que realmente tenham a maior piedade, normalmente são tidas como as que têm a menor, por haver tão poucas pessoas que julguem a piedade como Deus a julga. Aqueles que pregam o verdadeiro Evangelho são sempre levados a encontrar alguns, em quase todas as congregações, que adotam isso claramente. Você pode julgar por seu olhar (seus olhos brilham e seus rostos são radiantes), quase como a face de Moisés, descendo do monte.

Mas a deles não é a experiência normal de cristãos professos. O normal, que serviu para criar a impressão geral de como é difícil receber o Espírito Santo, é realmente muito diferente disso. O grande corpo de cristãos nominais não tem o Espírito, no sentido de Romanos 8. Eles não podem dizer: “A lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte”. Não é verdade, para eles, que eles “não andam na carne, mas no Espírito”. Comparativamente, poucos entre todos sabem, em sua própria experiência consciente, que eles vivem e permanecem no Espírito.

Aqui tem um outro fato. Muitos estão orando, aparentemente, pelo Espírito de Deus, mas não O recebem. Se você vai a uma reunião de oração, você ouve todo mundo orar por esta dádiva. Também é assim em família e, provavelmente, no quarto secreto também. Agora, é estranho dizer que eles não O recebem. Esta experiência, de orar muito por essa bênção e nunca a receber, é comum em todos os lugares. As igrejas têm suas reuniões de oração, por anos consecutivos, orando pelo Espírito, mas elas não O recebem. Em vista disto, precisamos concluir que, ou essa promessa não é confiável, ou que aqueles que oram não reúnem as condições da promessa. Eu vou me dedicar a esta alternativa mais adiante; meu objetivo, neste momento, é considerar a impressão predominante de que o Espírito de Deus é difícil de ser recebido e mantido, ainda que em resposta à oração - um fato que, obviamente, parece existir por causa da atual experiência dos cristãos nominais.

Também poderia ser dito que as igrejas têm sido ensinadas de que Deus é soberano, em tal nível, que Sua dádiva do Espírito é, apenas, ocasional e, então, é dado sem qualquer conecção com causas aparentes (não é dependente, de modo algum, do cumprimento de condições por nós). A idéia comum de soberania exclui a idéia de que Deus mantém Sua bênção gratuitamente para todos, sob a condição de oração verdadeira por isto. Digo oração verdadeira, porque preciso mostrar a você, mais adiante, que muitas das aparentes orações da igreja pelo Espírito não são orações verdadeiras. É essa oração superficial egoísta que nos leva a muitas concepções falsas sobre a concessão do Espírito Santo.

Alguns de vocês podem lembrar que contei minha experiência uma vez, quando minha mente estava muito concentrada nessa promessa, como eu disse ao Senhor que eu não acreditava nela. Ela era contrária à minha experiência consciente e eu não conseguia acreditar em nada que fosse contra minha experiência consciente. Naquele tempo, o Senhor, amavelmente e com grande misericórdia, repreendeu minha incredulidade e me mostrou que a culpa era toda minha, que nem em parte era dEle.

Multidões oram pelo Espírito como eu fiz e estão desapontadas da mesma forma, porque elas não O recebem. Não estão conscientes de que são hipócritas; mas elas não conhecem seus próprios espíritos a fundo. Elas pensam que estão prontas a fazer qualquer sacrifício para recebê-lO. Elas não parecem saber que a dificuldade está toda nelas. Elas falham em entender o quão rica e plena é essa promessa. Tudo isso faz elas pensarem que é totalmente inacreditável, porque suas orações não são respondidas. Geralmente elas suam em agonia mental em seus esforços para resolverem este mistério. Elas não admitem dizer que a Palavra de Deus é falsa e não conseguem ver que isto é verdade. Isto é aparentemente negado por sua experiência. Este fato causa a perplexidade agonizante.

5. Como podemos conciliar essa experiência com a verdade de Cristo? Como podemos esclarecer esta experiência, de acordo com os fatos neste caso, e ainda mostrar que os ensinos de Cristo devem ser tomados em seu sentido óbvio, e que são estritamente verdadeiros?

Eu respondo: o que é ensinado aqui como oração deve ser ligado com o que é ensinado em qualquer lugar. Por exemplo: o que é dito aqui sobre pedir, deve ser ligado ao que é dito sobre orar em fé (com o que é dito por Tiago sobre pedir e não receber, porque os homens pedem mal, para poderem esbanjar com suas próprias cobiças). Se qualquer um de vocês fosse fazer um propósito, ou assumir uma nota promissória, obrigando a si mesmo ou a um administrador seu a pagar de determinada forma, sob certas condições específicas, não pensaria o necessário para estabelecer as condições, mais do que uma vez. Uma vez estabelecidas as condições, iria estabelecer a promessa detalhadamente; mas não esperaria que alguém separasse a promessa das condições e, então, exigisse a promessa sem satisfazer as condições; ainda mais, acusando a você de falsidade, por você não ter cumprido a promessa sem que as condições tivessem sido satisfeitas.

Agora, o fato é que encontramos várias condições de oração reveladas por toda a Bíblia. Quem quiser orar de forma aceitável, precisa realmente preencher todas essas condições, não somente uma parte. Mas, na prática, grande parte da Igreja negligenciou, ou falhou, em satisfazer essas condições. Por exemplo: eles geralmente oram pelo Espírito Santo, por razões egoístas. Isto é terrivelmente comum. Os motivos reais são egoístas. Agora eles vêm diante de Deus e pressionam com seus longos e muitos pedidos (talvez, querendo importunar bastante); mas eles são egoístas em todas as suas orações e Deus não as pode ouvir. Eles não estão prontos, no íntimo de seu ser, a fazer ou sofrer todas as santas vontades de Deus. Deus chama alguns dos Seus filhos para longos tempos de sofrimento extremo, obviamente como um meio de purificar seus corações; mas, muitos que oram por corações puros e para o Espírito purificar seus corações, se rebelariam imediatamente, se Deus respondesse suas orações por meio desse tipo de providência. Ou, Deus pode achar necessário crucificar o seu amor à reputação e, para isto, pode submetê-los a um tipo de prova que vai levar a sua reputação pelos ventos dos céus. Você está pronto para receber as bênçãos para um coração submisso, não egoísta, ainda que isto seja dado através desse tipo de disciplina?

Normalmente, o seu motivo para pedir o Espírito é somente conforto e consolo pessoais, como se você fosse viver toda a sua vida espiritual com manjares agradáveis. Outros O pedem como um meio de autoglorificação. Eles gostariam de ter seus nomes enfeitados em jornais. Seria tão gratificante ser tido como um milagre da Graça, como o cristão mais extraordinário. Ah! Quantos estão oferecendo apenas orações egoístas, nas mais variadas formas! Até um ministro poderia orar pelo Espírito Santo, apenas por motivos sinistros. Ele poderia desejar que fosse dito que ele é muito espiritual, ou um homem de grande poder espiritual em suas pregações, ou em suas orações; ou ele poderia querer evitar aquele duro estudo, ao qual o homem que não tem o Espírito precisa se sujeitar, quando o Espírito não o ensina, nem lhe dá unção. Ele poderia quase desejar ser inspirado, de tão fácil que esse dom tornaria sua pregação e seu estudo. Ele poderia supor que realmente desejava ser cheio com o Espírito, enquanto, na verdade, ele só está pedindo de forma errada, para usar de alguma forma não santificada.

Um estudante pode orar para o Espírito o ajudar a estudar, mas sua ambição, ou sua impiedade, pode ter inspirado essa oração. Nunca esqueça: precisamos estar de acordo com as razões de Deus para termos o Espírito, assim como devíamos desejar orar de forma aceitável. Não há nenhum mistério sobre este assunto. A grande finalidade de todas as ministrações espirituais de Deus para nós, em providência ou graça, é a de nos despir do egoísmo e trazer o nosso coração em harmonia com o dEle, no espírito do verdadeiro amor.

Muitas vezes as pessoas apagam o Espírito, mesmo quando estão orando por Ele. Alguém ora pelo Espírito, mas, naquele exato momento, falha em discernir as admoestações do Espírito no seu íntimo, ou se recusa a fazer o que o Espírito o levaria e o pressionaria a fazer. Talvez essas pessoas até orem pelo Espírito, para que este dom possa ser um substituto para alguma obrigação de autonegação, a qual o Espírito esteja cobrando há tempos delas. Esta experiência não é incomum. Essas pessoas estarão muito sujeitas a pensarem que é muito difícil receber o Espírito. Uma mulher estava indo a uma reunião de oração e pensava que queria o Espírito Santo. Ela faria disto a sua missão especial, naquela reunião. Mas, quando chegou lá, o Espírito a pressionou a orar em voz alta, mas ela resistiu e deu uma desculpa para si mesma.

É comum as pessoas resistirem ao Espírito em muitos passos que Ele escolhe para elas darem. Elas queriam fazer o Espírito se render a elas; Ele as queria rendidas a Ele. Elas só pensam em ter Suas bênçãos vindo do jeito que elas escolheram; Ele é sábio e fará isto do Seu jeito, ou não fará. Se elas não podem aceitar do Seu jeito, não pode haver acordo. Geralmente, quando as pessoas oram pelo Espírito, elas têm certas coisas em sua mente que ordenariam a Ele, como a maneira e as circunstâncias. Elas deveriam saber que, se elas tivessem o Espírito, precisariam aceitá-lO do Seu jeito.

Deixe-O no comando e leve em conta que os seus interesses serão tratados. Assim, não é raro acontecer de cristãos professos manterem uma resistência perpétua ao Espírito Santo, mesmo enquanto eles estão orando ostensivamente pela Sua presença e o Seu poder. Quando Ele os atraiu de bom grado, eles estão pensando que dão ordens a Ele e se recusam a serem dirigidos por Ele do Seu modo. Quando eles realmente entendem o que significa ser cheio com o Espírito, eles dão para trás. Isto é mais e diferente do que eles pensavam. Isto não é o que eles queriam.

COMENTÁRIOS
1. A dificuldade (e toda ela) está sempre em nós, não em Deus. Você pode registrar isto como uma verdade universal, na qual não pode haver exceções.


2. A dificuldade está em nosso estado de espírito voluntário, não em qualquer coisa que seja involuntária e fora do nosso controle. Então, não há desculpas para nós O retermos e Ele já deveria ter sido dado.

Não há dificuldade em obtermos o Espírito Santo, se estamos desejosos de O receber; mas isto implica em um desejo de nos submetermos à Sua direção e cuidados.

3. Geralmente nós confundimos outros estados de espírito com o desejo por ter o Espírito de Deus. Nada é mais comum do que isto. Os homens pensam que estão desejosos por serem cheios com o Espírito e que, tendo esse Espírito, Ele fará toda a obra deles em suas almas; mas, realmente, eles estão sob um grande erro. Desejar estar totalmente crucificado para o mundo, e o mundo para nós, é totalmente incomum. Muitos pensam ter um tipo de desejo por este estado, mas, na verdade, iriam recuar, se vissem essa realidade próxima deles. Essas pessoas cometem erros constantes e pensam desejarem ser totalmente controladas pelo Espírito, quando é evidente, por suas vidas, que não desejam. O desejo governa a vida e, então, a vida deve ser um indicador infalível do que realmente se deseja. Como é a vida, assim é o desejo. Então, quando você vê uma vida alienada de Deus, você deve inferir que o desejo não é totalmente consagrado a Seu serviço, não está totalmente harmonizado com o desejo de Deus.

4. Quando o desejo realmente está no altar de Deus, totalmente rendido ao desejo de Deus em todos os aspectos, a pessoa não vai esperar muito, até que tenha o Espírito de Deus em Sua plenitude. A mente pode não estar consciente dessa profunda união com Deus, na qual ela pode entrar. O conhecimento de Deus é uma consciência de Deus na alma. Certamente, você pode saber que o Espírito de Deus está dentro de você e que a Sua luz ilumina a sua mente. Sua presença se torna uma realidade consciente.

A maneira que o espiritual atua, diferente da carnal, e manifesta a si mesmo na mente do homem, parece muito misteriosa para alguns. Não é necessário que saibamos como esses atos têm acesso a nossas mentes; para nós é suficiente, acima de tudo, saber que têm acesso. Às vezes, os cristãos sabem que os demônios trazem seus próprios pensamentos ao mais profundo de suas almas. Alguns de vocês estão dolorosamente conscientes disto. Vocês estavam certos de que um demônio tivesse derramado seu espírito sobre vocês. As mais horríveis influências foram lançadas sobre suas mentes – aquelas que, no fundo da alma, você abomina e que não poderiam vir de outro, senão de Satanás. Agora, se o Diabo pode nos fazer conscientes de sua presença e poder, dessa forma, o Espírito de Deus não pode nos revelar os Seus? Claro que pode! Se o seu coração está em sintonia com Suas sugestões e Seus avisos, Ele não pode fazer muito mais? Certamente!

Ninguém pode duvidar de que Ele pode fazer a Sua presença e os Seus atos serem uma questão de consciência clara. É preciso ter uma visão muito distorcida e, até, falsa do caso, para supor que não podemos estar conscientes de nada, além do que a nossa própria mente opera. Muitas vezes, os homens estão conscientes dos pensamentos de Satanás, como se estivessem presentes em suas mentes; este é um fato muito bem ilustrado por Bunyan (John Bunyan - 1628-1688 – pregador e escritor inglês – NT), quando ele diz que os cristãos ficam alarmados com alguém atrás deles, que fica soprando em seus ouvidos, colocando blasfêmias terríveis em suas mentes.

Muitas vezes, acontecem casos como o seguinte: um homem me procurou, em grande sofrimento, dizendo: “Não sou um cristão; tenho certeza disto. Minha mente foi cheia com pensamentos horríveis sobre Deus”. Mas esses pensamentos horríveis eram seus mesmos, e você gostou deles, e consentiu com eles? “Claro que não! Nada poderia ter-me angustiado mais”. Eles são a obra do Diabo, eu disse. “Bem”, ele disse, “talvez sejam e eu ainda não tinha pensado nisso dessa maneira antes”.

Assim, o Espírito de Deus dentro de nós pode se tornar nada menos do que um objeto de nossa percepção consciente. E, se você, verdadeira e honestamente, espera em Deus, você pode ser suprido mais abundantemente com Sua plenitude.

5. Ser cheio com o Espírito Santo, de tal maneira que Ele tome posse total de nossas almas, é o que entendo por santificação. Esta obra gloriosa é forjada pelo Espírito de Deus; e o Espírito nunca pode tomar posse total e inteiramente de nossos corações, sem realizar essa obra abençoada.

Não me surpreendo que aquelas pessoas, que não sabem nada sobre ser cheio com o Espírito Santo, neguem a existência de qualquer estado, tal como a santificação. Não precisamos nos surpreender por eles não terem nenhum conhecimento dessa obra na alma, ignorando a Sua atuação gloriosa.

6. Muitas vezes, a grande dificuldade no caminho do progresso do cristão é uma necessidade enorme de cuidado. Alguns são tão dados a falar, que não podem manter comunhão com o Espírito de Deus. Eles não têm tempo para ouvir Sua “voz baixa e suave”. Alguns gostam tanto de rir, que parece ser impossível que, alguma vez, suas mentes possam estar se portando realmente com seriedade. Como o Espírito de Deus pode habitar neste tipo de mente? Várias vezes, em nossas discussões teológicas, eu sofri ao ver o quanto é difícil, para pessoas envolvidas em uma disputa e em uma discussão com alguém, evitar ficarem irritadas. Algumas delas são cuidadosas e oram muito contra essa tentação, mas, às vezes, vemos pessoas caírem abertamente, diante dessa tentação. Se os cristãos não fecharem o portão contra todas as ofensas da língua e, na verdade, contra todas as formas de egoísmo, não há nenhuma esperança de que eles resistirão ao Diabo e ao mundo, tanto quanto a de serem conquistadores, afinal.

7. O Espírito de Deus nos incomoda, ou nos consola, de acordo com o quanto resistimos ou recebemos este grande dom. O plano do Evangelho foi formulado com o fim de realizar essa união completa e essa harmonia entre nossas almas e Deus, de forma que a alma pudesse se agradar da própria paz de Deus e pudesse estar em perfeita harmonia com o seu Criador e Pai. Portanto, a grande obra do Espírito é trazer para este estado. Se concordamos, e se nossos desejos se harmonizam com Seus esforços, Ele nos consola; se resistimos, Ele nos incomoda; (acontece uma luta: se, nesta luta, passamos a entender a Deus e nos submetemos, então, Suas bênçãos vêm gratuitamente e nossa paz é como um rio; mas, enquanto resistimos, não pode haver nenhum fruto do Espírito operando em nós, mas repreensão e confusão). Ele não pode ser o Autor da paz e do consolo, para nós.

8. Como deve ser abominável para Deus a Igreja praticamente negar a verdade dessa grande promessa, em nosso texto, e se lançar ao chão em busca do Espírito! Quão terrível, esses cristãos sustentarem e ensinarem que ser verdadeiramente cristão é uma coisa difícil! Que incredulidade abominável! Com que força a Igreja testemunha ao mundo, assim, contra Deus! Melhor seria você queimar a sua Bíblia, do que negar que receber o dom do Espírito é a coisa mais fácil do mundo! E, agora, estranho dizer, alguns sustentam que Deus é tão soberano, e é soberano de tal forma, que poucos podem receber o Espírito plenamente. E, esses poucos, apenas recebem do jeito que possa acontecer, e não por qualquer meio que seja o resultado da provisão gratuita que foi feita, e da promessa revelada confiantemente, a qual a fé de qualquer homem pode tomar posse. Oh, como essa noção de soberania contradiz a Bíblia! Por quanto tempo isso vai ser assim?

Vocês, jovens, realmente acreditam que seus jovens corações podem ser cheios com o Espírito? Vocês realmente acreditam, como diz o nosso texto, que Deus está mais desejoso em dar o Seu Espírito para aqueles que O pedirem, do que o seu próprio pai, ou sua própria mãe, lhe daria coisas boas? Muitos de vocês estão aqui, longe de seus pais. Mas vocês sabem que, até mesmo sua mãe viúva, por mais que ela precise de cada centavo para ela mesma, dividiria satisfeita o último com vocês, se vocês precisassem. O seu pai terreno também faria assim. Vocês realmente acreditam que Deus está tão desejoso quanto eles, e tão pronto, e com tanto amor? Agora, Ele não está muito mais do que eles, tanto mais quanto Ele é melhor do que eles? E, agora, vocês realmente precisam e desejam esse dom do Espírito? Se é assim, vocês viriam e pediriam em total confiança de que vocês têm um Pai real nos céus?

Vocês encontram dificuldades práticas? Vocês percebem o quanto vocês desonram a Deus, se vocês se recusarem a crer em Sua palavra da promessa? Alguns de vocês dizem: “Eu sou tão pobre e tenho tantas dívidas, que preciso ir trabalhar em algum lugar para ganhar dinheiro”. Mas vocês têm um pai que tem dinheiro suficiente. “Sim, mas ele não vai me ajudar. Ele ama ao dinheiro, mais do que ama a seu filho”. Isto não seria um grande escândalo para o seu pai, uma desgraça viva para ele? Com certeza, seria! E você estaria tão sensível a isto, que você não o diria, se não fosse totalmente verdade, a menos que alguma circunstância muito forte parecesse requerer de você este péssimo testemunho. Se a sua mãe, estando amplamente capacitada, não o ajudasse em sua educação, ou em sua doença, você falaria duramente sobre isto, da melhor forma para que isto desonrasse o seu caráter.

E, agora, você se atreverá a dizer: “Deus não me ama; Ele não quer me educar para o céu; Ele Se recusa totalmente a me dar o Espírito Santo, muito embora eu sempre peça a Ele e O busque para que Ele faça isto!”? Você ainda pensará assim? E você ainda pode seguir adiante e agir dessa forma diante de todo o mundo? Ah, por que você iria desonrar desta maneira o seu próprio Deus e Pai?


Extraído de http://www.charlesgfinney.com/1855OE/550523_prayer_for_h_s.htm
Traduzido por René Burkhardt


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