"Portanto, ninguém se glorie em homens; porque todas as coisas são de vocês, seja Paulo, seja Apolo, seja Pedro, seja o mundo, a vida, a morte, o presente, ou o futuro; tudo é de vocês, e vocês são de Cristo, e Cristo, de Deus."
PENSE NISTO: "O valor do homem é determinado, em primeira linha, pelo grau e pelo sentido em que se libertou do seu ego!" (Albert Einstein).

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O problema da religião: a confessionalidade

- por Hugo Theophilo (Estação do Caminho em Maracanaú/CE) | 01 de Junho de 2010


O problema da religião é que ela elege a confissão verbal como marca da relação com Deus e, por causa do que confessa, reivindica o direito a essa relação. Esquece o Cristo dizendo que os seus seriam reconhecidos não pela fala, mas pelo amor de uns pelos outros; que o chamado seria para salgar a terra e não para reproduzir uma confissão de boca; que os falsos profetas seriam reconhecidos pelos seus frutos e não por suas confissões; que a confissão deles diria justamente "Senhor, Senhor...", mas que ouviriam "Afastem-se de mim", não por terem uma confissão errada, mas por praticarem o mal.

Esquece que o Samaritano não foi exaltado por sua confissão de fé; que a fé do centurião romano foi elogiada apesar da estranheza da declaração; que a Verdade que liberta não é um conceito, uma doutrina ou uma regra de fé e prática a ser aceita e declarada, e sim uma Pessoa a ser seguida ("Eu sou a verdade").

O problema da religião é que ela trabalha para reproduzir confissões. Esquece que a confissão é algo entre Deus e o homem; que ninguém consegue levar Pedro a declarar "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!" Esquece que uma declaração de fé não socorre o necessitado; que o sacerdote e o levita eram os da confissão e eles passaram pelo outro lado (Lucas 10.25-37).

O problema da religião é ela achar que o mundo vai louvar a Deus quando confessar que "Jesus Cristo é o Senhor". Esquece que essa frase está na parede dos maiores abatedouros de almas, e na boca dos maiores desdenhadores de seres humanos. Acha que o mundo vai louvar a Deus quando confessar o Cristo, mas esquece que esse mundo precisa ver boas obras para que isso aconteça: "Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai que está nos céus" (Mateus 5.13-16).

O problema da religião é não admitir que a confessionalidade virou estratégia para encher lugares, promover adesões e fazer prosélitos.

O problema da religião é não admitir que só a evangelização que salga a terra pode dizer: "Não, filho, não precisa vir comigo, vai para a tua casa!".

O problema da religião é ler isso aqui e achar que abrir mão da confessionalidade, é abrir mão da fé no Cristo.

O problema da religião é ela orgulhar-se de sua confissão, quando deveria sentir dores de parto por causa dela. O homem que se orgulha de sua confissão de fé perdeu (se é que já teve) a consciência de sua condição.

Pedro só ouve o "vem e segue-me" final, depois de responder à pergunta da confissão até o constrangimento e, já magoado, ficar sabendo da inutilidade dessa confissão que não se traduz em amor e serviço ao próximo: "Simão, filho João, tu me amas? Apascenta as minhas ovelhas."

Devemos abrir mão da nossa confessionalidade, em nome de Jesus.

No Caminho,

Hugo Theophilo
Estação do Caminho em Maracanaú / CE

Extraído de http://www.blogdocaminho.com.br/

15 comentários:

Marcelo e Mari disse...

Muito bom e ao mesmo tempo triste por saber que é verdade.

René disse...

Amados Marcelo e Mari,

Mas essa tristeza resulta em alegria, pois ter consciência disso é o primeiro passo para se evitar o erro.

Agradeço a visita e desejo que vocês continuem na Paz do Senhor Jesus!

Hugo Lucena Theophilo disse...

René, vi seu comentário no blog do caminho. Não haveria motivo para ficar chateado com você. Fica na paz.

hugo
http://hugotheophilo.blogspot.com

René disse...

Amado Hugo,

Agradeço a visita e, principalmente, a compreensão, autorizando a postagem do seu texto aqui no blog.

Continue na Paz do Senhor Jesus!

Cláudio Nunes Horácio disse...

René: O Hugo tbm é gente boa de Deus. Gosto muito dos textos dele. Forte abraço.

René disse...

Valeu pela dica, Cláudio!

Abração e Paz!

Wilson disse...

Eis aí uma corajosa reflexão de quem não acumula injustiças. O Sangue da Cruz, "purifica as consciências das obras mortas" HB.9.14
Mas não podemos separar esta coisa da outra, tal como: Se pratico a iniquidade, magoando injustamente alguém, não basta me trancar no quarto e apelar pela eficiência do sangue, e achar que este "sacrifício", irá restaurar os sentimentos do ofendido. Quando peço perdão, pecado tem nome, ele precisa ser tratado duramente, tem que ser exposto, custou o sacrifício de Cristo.
O sacrifício da Cruz me liberta para expôr o pecado(a injustiça) e ficar livre dele.
Isso não é religiosidade isso é postura de um coração contrito e quebrantado, é comportamento, é disciplina espiritual e conhecimento do Evangelho da Graça, Fl.2.1-11. Ora Jesus pode vergonhosamente subir na Cruz, e se expôr publicamente, mas eu não posso confessar que errei, porque sou defensor de uma causa onde impera a caça aos religiosos, e por conseguinte, não preciso me humilhar confessando, porque senão serei taxado de religioso e isso manchará minha reputação comum um dos ìcones da "nova unção dos sem-graça".
A humilhação restaura relacionamentos, isso só se processa em que é pecador arrependido, se tal coisa não acontece, sou então justificado por mim mesmo, sou portador da "justiça própria". É perigosa essa posição, Jesus em Lucas 5.31,contextualiza uma posição dos fariseus e religiosos que se justificavam por si mesmos.
A igreja-família verdadeira, não se envergonha de confessar uns aos outros(exercício de desalojação de pecados enrrustidos). E por favor me poupem da falácia que não posso fazê-lo diante dos homens, se não o posso é porque não estou livre, e o pecado está entranhado em mim. Sou refém da doutrina dos gnósticos, que aceitam Jesus como Deus, mas o rejeita como homem. Jesus como homem não pode se humilhar porque é Deus. Eles não conseguiram ficar dentro da igreja em Éfesos.1ºJo.2.19-aproveitem leiem toda a epístola.
Porque a mensagem do Evangelho da Graça, passa pela "graça da vergonha" que liberta a alma dos conceitos que teimam em nós desviar da Cruz, o único lugar que identifica o Caminho da Graça, lugar de humilhação, mas que salva que dá alegria e faz Cristo arder dentro de nós.
Por hoje é só, que o Senhor nos identifique no grande dia como alguém que verdadeiramente andou no Caminho, e não pelo caminho.

René disse...

Amado Wilson,

Quando você diz "Isso não é religiosidade isso é postura de um coração contrito e quebrantado", referindo-se à confissão de pecados, percebo que você tomou a confessionalidade, mencionada no texto, de forma equivocada. Não é desse tipo de confissão que o autor está falando. Essa, certamente, é inatacável.

Você abriu seu comentário parafraseando Jesus, quando Ele disse "eis aí um judeu em quem não há dolo", visivelmente usando a mesma ironia usada naquela ocasião, deixando claro que você desaprovou este texto. Porém, mais adiante, você cita o contexto de Lucas 5.31, que é o mesmo contexto aqui explorado, ou seja, o repúdio de Jesus à religiosidade e às obras e declarações "da boca para fora", sem envolvimento real com a essência da Palavra de Deus e com o Reino de Deus. Assim, só posso chegar à conclusão de que a sua desaprovação foi por não ter entendido o assunto abordado pelo irmão Hugo.

O que o autor está dizendo, aqui, é que a religião tem levado as pessoas a pensarem que, ao declararem que são evangélicas ou cristãs, estão vivendo o Reino e estão salvas. E isso sem contrição e quebrantamento de coração, como você mesmo colocou, requisitos indispensáveis para quem confessa a Jesus como Senhor.

Portanto, não há falácias, nem gnosticismo, aqui.

Quanto à primeira epístola de João, é bom lembrarmos que lá estava acontecendo exatamente o contrário do que tenho defendido. Lá, foram os que não suportavam a sã doutrina que saíram da Igreja dos santos. Aqui, defendo que os santos saiam das instituições que se afastaram da sã doutrina.

Que a Paz do Senhor Jesus continue com você e sua família!

Hugo Lucena Theophilo disse...

Ele leu a palavra "confessionalidade", entendeu do jeito que quis, esqueceu o resto o texto e comentou baseado no que pensou que entendeu. Foi só isso.

Wilson disse...

Caro René, entendi o perfeitamente o texto, isso não é privilégio somente dos que concordam. Não usei de ironia.É fato, quem não precisa desalojar suas culpas, as expondo a vergonha, esse homem é perfeito. Aqui reitero minha convicção. Se não tenho liberdade para confessar, é porque estou preso "a justiça própria". Estou justificado pela minha própria falta de religiosidade.
Acho que a espiritualidade que estamos refletindo, tem vertentes opostas, não consigo vislumbrar o Evangelho da Graça, sem a liberdade, seja ela em qualquer circunstância. Paulo nos diz "que todas as coisas são lícitas, mas importa não ser dominadas por elas".
Quanto a 1ª epístola de João, voce tem razão eles sairam porque não consideravam Jesus Homem, a vergonha da Cruz era muito humilhante. Deus, não poderia ser humilhado, jesus era deus, definitivamente não era Jesus Homem.Sairam porque não aceitavam a doutrina da obediência que aniquila a morte do pecado, o egoísmo, a soberba das suas convicções filosóficas e científicas. Muitas igrejas estão oferecendo o jesus deus, sábio e cheio de sinais, mas rejeitam o Jesus Homem, cheio de consolações para os humilhados, e de amor para os oprimidos e perseguidos. Ele se fez isso por nós, devemos fazer uns pelos outros.
Não posso fazer um inimigo comum (religioso)aquele que não tem o meu entendimento a cerca deste assunto. Não posso dissertar a cerca de uma doutrina se nunca a experimentei. Tenho o arbítrio, não preciso fumar o baseado para saber se dá onda ou não, sei das suas implicações.
Mas não posso falar sobre obediência eclesiástica se nunca estive sob a autoridade de uma.Não é uma viagem psíquica exterior, mas uma experiência que determina se tenho ou não disciplina e respeito por aqueles que estão designinados por Deus, para abençoar minha vida. Como disse é uma questão de submissão por causa da consciência para com Deus, Pedro falou sobre isto.
Estou na dispensação do Senhor, sabendo que minha vida não me pertence, mas agora tenho certeza que não quero me tornar um caçador de religioso. Quero viver intensamente as verdades do Evangelho, com os irmãos que Deus me permitiu estar partilhando sua Palavra.
Somos do Senhor.

René disse...

Amado Wilson,

Você diz ter entendido o texto, porém continua discordando dele, por ele AFIRMAR que não se pode confessar.

Mas não é isso que o texto diz, em nenhum momento! Ele já começa com a frase "O PROBLEMA da religião é que ELA ELEGE A CONFISSÃO VERBAL como MARCA DA RELAÇÃO com Deus e, POR CAUSA DO QUE CONFESSA, reivindica o direito a essa relação". Isto está muito distante de se proibir, ou mesmo desconsiderar, a confissão. O que está sendo dito é que, apenas por se confessar ser cristão, já se tem um relacionamento com Deus, a despeito de não se viver o Evangelho, de não se considerar a cruz de Cristo como suficiente, e de não se ter a Jesus como único Senhor! Está sendo dito que, por se confessar ser cristão, já se tenha um relacionamento íntimo com Deus. Como você sabe, isto está muito distante da verdade! Você tem pregado sobre nos submetermos ao senhorio de Jesus, sobre entendermos a Cruz como único caminho para se chegar a Deus, e que tais coisas precisam vir do nosso coração, não como meras palavras que saem de nossa boca! Isto é a mesma coisa!

Todos têm o direito de declarar o que quiserem, mas isto (a convicção da declaração) não torna essas declarações verdadeiras! É isto que também está sendo dito aqui. Não é uma caça aos religiosos, como você insiste em dizer, fazendo parecer que nós, os que estamos fora de instituições, nos achemos donos da verdade. O que fazemos, ao denunciar a atitude farisaica dos religiosos, é tão-somente o que o próprio Jesus fazia. Não estamos condenando pessoas, pois a única condenação válida é a que vem do Senhor! Estamos condenando suas atitudes, mediante o que o próprio Espírito diz à Igreja.

Você também diz que não podemos fazer dos religiosos um inimigo. Mas você não consideraria seu inimigo, aquele que se faz inimigo da cruz de Cristo? Ou, pelo simples fato de tal pessoa afirmar ser cristã, você a receberia em sua casa?

"Passou Jesus a dizer, antes de tudo, aos seus discípulos: Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia" (Lc 12.1). "Então, entenderam que não lhes dissera que se acautelassem do fermento de pães, mas da DOUTRINA dos fariseus e dos saduceus" (Mt 16.12). "Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, DIZENDO-SE IRMÃO, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, NEM AINDA COMAIS" (1Co 5.11). "Se alguém vem ter convosco e NÃO TRAZ ESTA DOUTRINA, NÃO O RECEBAIS EM CASA, nem lhe deis as boas-vindas" (2Jo 1.10).

Por último, a grande maioria das pessoas que se congregam fora da instituição, inclusive eu, já esteve sob autoridade eclesiástica e, portanto, conhece a obediência. A diferença é que aprendemos a andar em obediência a Jesus, não a homens que não têm o Espírito. E aprendemos que o Senhor designa o mais variado tipo de pessoas para nos abençoar, não importando se elas têm um cargo político eclesiástico, ou não. E Pedro nunca fez menção de haver autoridades no Reino, a não ser Jesus. As autoridades que ele menciona são as do mundo, dos governos humanos. A essas devemos dar o testemunho de sermos cristãos. Testemunho com nossas vidas, nosso proceder, não apenas com declarações.

Que a Paz do Senhor Jesus continue com você e sua família!

Wilson Costa disse...

Se considero o inimigo, inimigo a inimizade está em mim, sou o inimigo. Se estou na Graça, é disto que reporto a declarar. Não disse que concordava com o texto, e continuo não concordando. Ora se o homem não tem a Cristo, isso se revela nas suas atitudes e não em suas palavras. Confessar que Jesus é o Senhor, isso não significa absolutamente nada, se não houver obediência, em toda a sua plenitude. Se assim não o fizer é como declarar que a Lei é determinante para a Salvação, mas não a cumpri-La toda, torna-A inóqua.
A convicção da obediência à Deus, passa pela obediência que tenho a quem "CONSIDERO, (SOU EU QUE CONSIDERO, POR CONQUISTA E AMIZADE E COMUNHÃO E VERDADE) A AUTORIDADE DE DEUS, SOBRE MINHA VIDA. Não tenho dificuldade de me submeter ao homem, sou livre para fazê-lo. Isso não cega meu entendimento a cerca da Graça de Jesus. Quanto a se submeter a homens que não tem o Espírito, não me imuniza de não me submeter justamente por não tê-Lo.
Como posso andar em obediência a Jesus, se tenho dificuldade de me submeter ao homem que foi designado para estar apascentando minha vida.
Sei que existe líderes de várias matizes, mas o que o Senhor escolhe para me abençoar, a este estarei submisso. Não significa obediência cega,irresponsável,mas alguém a quem tenho que dar satisfação.
Quando o Senhor corrige os seus, Ele usa o homem para fazê-lo, porém se tenho dificuldade para aceitar a correção feita pelo homem em nome do Senhor, continuo sem disciplina.
No seu entendimento, Pedro se refere a autoridade do mundo, é subjetivo, pois entendo que é toda a autoridade. Salomão diz que uma multidão de conselheiros produz segurança.Pv.11.14. O apóstolo Paulo declara que governar é um Dom do Espírito, impossível haver governo se não haja líderes.
Caro René, entendo sua posição de não congregar em uma "igreja institucional", também não sirvo a instituição, mas quando me reuno para deliberar o que quer que seja, estou institucionalizando as deliberações.
Quanto ao Hugo, com certeza o Senhor é com ele. Confronto faz bem, o conflito é que faz mal.
Som os do Senhor

René disse...

Amado Wilson,

Você diz: "Ora se o homem não tem a Cristo, isso se revela nas suas atitudes e não em suas palavras. Confessar que Jesus é o Senhor, isso não significa absolutamente nada, se não houver obediência, em toda a sua plenitude".

Amém! É isso que o texto diz!

Continue na Paz do Senhor Jesus!

Wendel Bernardes disse...

Textos assim, deveria ser estampados não nos muros, ou nos postes, mas nos corações... até que a 'osmose' nos salvasse de nós mesmos!

Quem sabe aprenderemos um dia se lermos incansavelmente?

(Fuçando teu blog achei e curti demais!)

René disse...

Concordo totalmente com você, Wendel!!! Certamente o Hugo estava cheio do Espírito, quando escreveu este texto! É lição que precisa penetrar em nossos corações de tal forma que a gente transpire essa verdade por todos os poros!

O bom de você ter 'fuçado' no blog e ter encontrado este texto é que me fez ler tudo de novo! Tem tudo a ver com o que tenho sido instruído nos últimos meses, pelo Senhor!

Forte abraço, meu querido amigo, e Paz!