"Portanto, ninguém se glorie em homens; porque todas as coisas são de vocês, seja Paulo, seja Apolo, seja Pedro, seja o mundo, a vida, a morte, o presente, ou o futuro; tudo é de vocês, e vocês são de Cristo, e Cristo, de Deus."
PENSE NISTO: "O valor do homem é determinado, em primeira linha, pelo grau e pelo sentido em que se libertou do seu ego!" (Albert Einstein).

sábado, 17 de setembro de 2011

A origem da liturgia protestante

- por PAULO BRABO

As reuniões da igreja primitiva eram marcadas pelo funcionamento de cada membro, numa participação espontânea, livre, vibrante e aberta. Era um encontro fluido, não um ritual estático. E era imprevisível, bem diferente do culto da igreja moderna.

A Missa Católica

De onde vem então a liturgia do culto protestante? Ela tem suas raízes principais na Missa Católica.

Segundo o historiador Will Durant, a Missa Católica foi “baseada em parte no culto do Templo judaico, em parte nos místicos rituais de purificação dos gregos”. Durant destaca que a Missa estava profundamente mergulhada tanto no pensamento mágico pagão como no drama grego. “A mente grega, moribunda, teve uma sobrevida na teologia e liturgia da igreja; o idioma grego, após reinar por séculos sobre a filosofia, chegou a ser o veículo da literatura e do ritual cristão; o misticismo grego foi passado adiante pelo impressionante misticismo da Missa”.

Os cristãos copiaram as vestimentas dos sacerdotes pagãos, o uso do incenso e da água benta nos ritos de purificação, a queima de velas durante a adoração, a arquitetura da basílica romana em seus edifícios de igreja, a lei romana como base da “lei canônica”, o título Pontifex Máximus (Sumo Pontífice) para o Bispo principal, e os rituais pagãos para a Missa Católica.

A contribuição de Lutero

Em 1520, Lutero lançou uma violenta campanha contra a Missa Católica Romana. O ponto culminante da Missa sempre foi a Eucaristia, também conhecida como “Comunhão”, “Ceia do Senhor” ou “Santa Ceia”. Tudo é direcionado para o momento mágico em que o sacerdote parte o pão e o distribui para as pessoas. Desde Gregório o Grande (540-604) a igreja católica ensinava que Jesus Cristo é novamente sacrificado através da Eucaristia.

Em vez da Eucaristia, Lutero colocou a pregação no centro da reunião.

O erro cardeal da Missa, disse Lutero, era que esta foi uma “obra” humana baseada numa falsa compreensão do sacrifício de Cristo. Então, em 1523, Lutero enunciou sua própria revisão da Missa Católica, revisão essa que é o fundamento de toda adoração protestante. O núcleo dela é: em vez da Eucaristia, Lutero colocou a pregação no centro da reunião.

Por conseguinte, no culto de adoração dos protestantes modernos o púlpito é o elemento central e não a mesa do altar (onde se coloca a Eucaristia nas igrejas católicas). Para Lutero, “uma congregação cristã nunca deve reunir-se sem a pregação da Palavra de Deus e a oração, não importa quão exíguo seja o tempo da reunião. A pregação e o ensino da Palavra de Deus é a parte mais importante do culto divino”.

A noção de Lutero da pregação como ponto culminante do culto de adoração permanece até nossos dias. Todavia tal crença não tem nenhuma procedência bíblica. Como disse um historiador, “O púlpito é o trono do pastor protestante”. É por esta razão que os ministros protestantes ordenados são comumente chamados de “pregadores”.

“O púlpito é o trono do pastor protestante”.

Apesar dessas modificações, a liturgia de Lutero variava bem pouco da Missa Católica. Basicamente, Lutero reinterpretou muitos dos rituais da Missa, mas preservou o cerimonial, julgando-o apropriado. Ele manteve, por exemplo, o ato que marcava o ponto culminante da Missa Católica: quando o sacerdote levanta o pão e o cálice e os consagra.

Da mesma maneira, Lutero fez uma drástica cirurgia na oração Eucarística, mantendo apenas as “palavras sacramentais” de 1 Coríntios 11:23 em diante — “O Senhor Jesus na noite em que foi traído, tomou o pão… e disse ‘Tomai e comei, este é o meu Corpo’…” Até hoje os pastores protestantes recitam religiosamente este texto antes de ministrar a comunhão.

Lutero nunca abandonou a prática de ordenação do clero.

A Missa de Lutero manteve os mesmos problemas da Missa Católica: os paroquianos continuaram sendo espectadores passivos (com a exceção de poderem cantar), e toda liturgia era dirigida por um clérigo ordenado (o pastor tomando o lugar do sacerdote). Embora falasse muito sobre “sacerdócio de todos os crentes”, Lutero nunca abandonou a prática de ordenação do clero. Sob a influência de Lutero, o pastor protestante simplesmente substituiu o sacerdote católico.

A contribuição de Zwinglio

Zwinglio (1484-1531), o reformador suíço, aos poucos introduziu sua própria reforma, que ajudou a desenhar a ordem de adoração de hoje. Ele substituiu a mesa do altar por algo chamado “mesa da comunhão”, onde se ministrava o pão e o vinho. Ele também ordenou que se levasse o pão e o vinho à congregação em seus bancos utilizando bandejas de madeira e taças.

Zwinglio também é nominado como o paladino da abordagem da Santa Ceia enquanto “memorial”. Este ponto de vista é apoiado pela corrente principal do protestantismo estadunidense. O pão e o vinho são meramente símbolos do corpo e do sangue de Cristo. Como Lutero, Zwinglio enfatizou a centralidade do sermão. Tanto que ele e seus colegas pregavam com a freqüência de um canal de notícias televisivo: catorze vezes por semana.

A contribuição de Calvino e Cia

Os reformadores João Calvino da Alemanha (1509-1564), João Knox da Escócia (1513-1572), e Martin Bucer da Suíça (1491-1551) fizeram algumas modificações na liturgia de Lutero. A mais notável foi a coleta de dinheiro após o sermão. Como instrumentos musicais não são mencionados explicitamente no Novo Testamento, Calvino eliminou o órgão e os coros.

Como Lutero, Calvino enfatizou a centralidade da pregação durante o culto de adoração. Ele acreditava que cada crente tinha acesso a Deus através da Palavra pregada e não através da Eucaristia. Devido a seu gênio teológico, a pregação na igreja de Calvino em Genebra era intensamente teológica e acadêmica. Também era altamente individualista, característica que nunca foi eliminada no protestantismo.

A igreja de Calvino em Genebra foi o modelo para todas as igrejas reformadas. Isto explica o caráter intelectual da maioria das igrejas protestantes hoje, especialmente a Reformada e a Presbiteriana.

A característica mais nociva da liturgia de Calvino é a de fazer o culto ser dirigido de cima do púlpito. O cristianismo nunca se recuperou disso. Hoje, o pastor atua como mestre de cerimônias e diretor executivo do culto dominical.

Um costume adicional que os reformadores copiaram da Missa foi a prática do clero caminhar em direção a seu assento designado no princípio do culto enquanto a congregação ficava em pé, cantando. Essa prática teve início no século IV quando os bispos entravam magnificamente em suas basílicas, e foi por sua vez copiada diretamente do cerimonial da corte imperial pagã. É ainda observada em muitas igrejas protestantes.

A contribuição dos puritanos

O abandono das vestes clericais, ídolos, ornamentos e o clero escrevendo seus próprios sermões (em vez de ler homilias) foi uma contribuição positiva que os puritanos (os calvinistas da Inglaterra) nos legaram.

A glorificação do sermão, no entanto, alcançou seu apogeu com os puritanos norte-americanos. Os residentes da Nova Inglaterra que faltavam ao culto eram multados ou presos no tronco.

As contribuições dos metodistas e do Evangelismo da Fronteira

Os metodistas do século XVIII proporcionaram uma dimensão emocional à ordem de adoração protestante. A congregação foi convidada a cantar com força, vigor e fervor. Desta maneira, os metodistas foram os precursores dos pentecostais.

Os metodistas proporcionaram uma dimensão emocional à ordem de adoração protestante.

Os séculos XVIII e XIX trouxeram novidades para o protestantismo americano. Primeiramente, os evangelistas fronteiriços alteraram a meta da pregação. Sua meta exclusiva era agora a conversão de almas. Dentro da cabeça do evangelista, não havia outra coisa no plano de Deus a não ser a salvação. Esta ênfase teve sua origem na pregação inovadora de George Whitefield (1714-1770), o primeiro evangelista moderno a pregar ao povo ao ar livre. A noção popular de que “Deus ama você e tem um plano maravilhoso para sua vida” foi introduzida por Whitefield.

Em segundo lugar, a música do evangelho fronteiriço falava à alma e visava propiciar uma resposta emocional à mensagem da salvação. Todos os evangelistas famosos tinham músicos em sua equipe justamente para este propósito. A adoração passou a ser um espetáculo.

Seguindo a trilha dos revivalistas, o culto metodista passou a ser o meio para obter o fim. A finalidade do culto já não era mais a simples adoração a Deus: os crentes foram instruídos a ganhar novos crentes individuais. Os sermões abandonaram a temática da “vida real” para proclamar o evangelho ao perdido. Toda humanidade foi dividida em dois desesperados campos polarizados: perdido ou salvo, convertido ou incrédulo, regenerado ou condenado.

Os evangelistas fronteiriços alteraram a meta da pregação; sua meta exclusiva era agora a conversão de almas.

Em terceiro lugar, os metodistas e os evangelistas fronteiriços deram à luz o “apelo”, a prática de convidar pessoas que desejam orações a colocar-se de pé e vir à frente.

Tanto pecadores como santos carentes eram convidados a ir à frente para receber as orações do ministro. Charles Finney (1792-1872) convidava o pecador para ir à frente e ajoelhar-se diante da plataforma para receber a Cristo. Finney tornou esse método tão popular que “após 1835, chegou a ser um elemento indispensável no moderno revivamento”.

Além da popularização do apelo, também se atribui a Finney a invenção da prática de orar nominalmente pelas pessoas e mobilizar grupos de obreiros para fazer visitas nas casas.

A contribuição predominante de Finney ao cristianismo moderno foi o pragmatismo.

A contribuição predominante de Finney ao cristianismo moderno foi o pragmatismo – a crença de que se algo funciona ou dá resultados, deve ser apoiado ou aceito. Finney ensinava que o único propósito da pregação é ganhar almas; qualquer mecanismo que ajudasse atingir esta meta poderia ser aceito. O cristianismo moderno nunca se recuperou desta ideologia anti-espiritual.

A meta dos Evangelistas Fronteiriços era levar pecadores individualmente a uma decisão individual por uma fé individualista. Como resultado, a meta da Igreja Primitiva — a edificação mútua e o funcionamento de cada membro manifestando Jesus Cristo coletivamente diante dos principados e potestades — perdeu-se completamente.

O Evangelismo Fronteiriço americano converteu a igreja em um ponto de pregação, reduzindo a experiência da ekklesia a uma missão evangelística. Isto normatizou os métodos revivalísticos de Finney e criou personalidades do púlpito como a atração dominante.

A tremenda influência de D. L. Moody

As sementes do “evangelho revivalista” foram espalhadas através do mundo ocidental pela influência de D. L. Moody (1837-1899).

Moody inventou o solo após o sermão do pastor. O cântico de apelo era entoado por um solista até que George Beverly Shea sugeriu que fosse cantado pelo coral. Shea encorajou Billy Graham de utilizar um coral para cantar hinos como “Eu venho como estou” enquanto as pessoas iam à frente para aceitar a Cristo.

Moody deu-nos o testemunho porta em porta, os anúncios e as campanhas evangelísticas. Deu-nos o “cântico de evangelização” ou “hino evangelístico” e também popularizou o “cartão de decisão”, invenção de Absalom B. Earle (1812-1895).

Moody foi o primeiro a pedir ao que queria ser salvo para colocar-se em pé e deixar-se conduzir em uma “Oração do Pecador”. Cinqüenta anos depois, Billy Graham melhorou a técnica de Moody introduzindo a prática de pedir ao ouvinte para baixar a cabeça, fechar os olhos (“sem olhar nada em volta”), e levantar as mãos como resposta à mensagem salvadora.

Vale notar que Moody foi grandemente influenciado pelo ensino dos Irmãos Plymouth quanto à escatologia (final dos tempos), que pregava a vinda iminente de Cristo antes da grande tribulação. O pré-tribulacionismo deu origem à idéia de que os cristãos necessitam salvar muitas almas o mais rápido possível, antes do fim do mundo.

A contribuição pentecostal

Inaugurado por volta de 1906, o movimento Pentecostal trouxe uma expressão mais emotiva através dos cânticos entoados pela congregação. Estes incluíam mãos levantadas, danças entre os bancos, bater palmas, falar em línguas e o uso de pandeiros.

Porém, suprimidas as características emotivas do culto pentecostal, sua liturgia é idêntica à batista. Um pentecostal tem apenas mais espaço para mover-se ao redor do seu assento.

Como em todas as igrejas protestantes, o sermão é o ponto culminante da reunião pentecostal. Todavia o pastor às vezes sentirá “o movimento do Espírito”. Nesse caso, ele adiará seu sermão para o próximo domingo, e a congregação cantará e orará durante o resto do culto.

A tradição pentecostal também deu-nos a música do solista e a música coral (muitas vezes descrita como “música especial”) que acompanha a oferta.

Na mente do pentecostal, a adoração a Deus não é um assunto coletivo [o corpo da igreja], mas uma experiência individual [o membro da igreja]. Com a penetrante influência do movimento carismático, essa obsessão de adoração individualista infiltrou-se na grande maioria das tradições protestantes.

Muitos ajustes, nenhuma mudança vital

Durante os últimos 500 anos, a ordem de adoração [liturgia] protestante permaneceu quase que praticamente inalterada. No fundo, todas as tradições protestantes partilham as mesmas características em sua liturgia: suas reuniões são celebradas e dirigidas por um clérigo, o sermão é a parte central, os membros são passivos e não tem permissão para ministrar.

São celebradas e dirigidas por um clérigo, o sermão é a parte central, os membros são passivos.

Os reformadores produziram uma tímida reforma da liturgia católica. Sua principal contribuição foi a mudança do enfoque central. Nas palavras de um erudito, “o catolicismo seguiu o caminho dos cultos pagãos, tomando o ritual como elemento central de suas atividades, enquanto que o protestantismo seguiu o caminho da sinagoga ao colocar o livro no centro de seus cultos”. Lamentavelmente, nem o catolicismo nem o Protestantismo tiveram êxito em colocar Jesus Cristo no centro de suas reuniões. Não é surpreendente o reformador ver a si mesmo como católico reformado.

É de lamentar-se que a liturgia protestante não tenha se originado com o Senhor Jesus, os Apóstolos, nem com as Escrituras do Novo Testamento.

A liturgia protestante reprime a participação mútua e o crescimento da comunidade cristã. O culto inteiro é dirigido por um homem. Onde está a liberdade para que Jesus fale através de Seu Corpo a qualquer momento? De que forma, na liturgia, Deus poderá dar a um irmão ou irmã uma palavra para compartilhar com toda congregação? A ordem de adoração não permite tal coisa. Jesus Cristo não tem a liberdade de expressar, através de Seu Corpo, Sua direção. Ele é mantido cativo por nossa liturgia. Ele mesmo é transformado em espectador passivo.

Finalmente, para muitos cristãos o culto dominical é extremamente enfadonho. É sempre a mesma ladainha sem nenhuma espontaneidade. É altamente previsível, bem superficial, e completamente mecânico. Há pouco ar fresco ou inovação.

Igrejas atentas ao seu “índice de audiência” tem reconhecido a natureza estéril do culto moderno. Contudo, apesar do entretenimento, até mesmo o movimento das igrejas que atuam em função de seus “indicadores” não conseguiu livrar-se da pró-forma litúrgica protestante, imóvel, sem imaginação, sem criatividade, inflexível, ritualista, sem sentido.

O culto, portanto, continua cativo pelo pastor; o tripé “sermão, hino, apelo” permanece intacto; e a congregação prossegue na condição de espectadora muda (só que agora está mais entretida nesta condição).

A liturgia protestante que você assiste (ou agüenta) a cada domingo, ano após ano, dificulta a transformação espiritual. Isto porque essa forma de culto: 1) estimula a passividade, 2) limita o funcionamento, e 3) implica que investir uma hora por semana é o segredo da vida cristã vitoriosa.

O cristianismo primitivo era informal e livre de rituais.

O fato é que a liturgia protestante é antibíblica, impraticável e antiespiritual. Não há nada semelhante a isso no Novo Testamento. A liturgia contemporânea dilacera o coração do cristianismo primitivo, que era informal e livre de rituais.

Reuniões [como as da igreja primitiva] são marcadas por uma incrível variedade. Não são ligadas a um homem, nem a um modelo de adoração dominada pelo púlpito. Há espontaneidade, criatividade e frescor.

O Novo Testamento não silencia com respeito a como nós, cristãos, devemos nos reunir. Devemos continuar a arruinar o funcionamento da direção de Cristo defendendo as tradições do homem?

Ficar dramaticamente longe deste ritual dominical é a única maneira de descongelar o povo de Deus.

18 comentários:

Regina Farias disse...

Pois é...

Atualmente eu me encontro numa espécie de desintoxicação disso tudo aí que a cultura da igreja católica e da protestante findam por inundar nossas veias de forma sutil e gradativa ao longo da nossa existência.

Texto urgente e necessário!

R.

René disse...

Então, Rê,

Apesar de longo, esse texto é realmente urgente e necessário! Inclusive, seu conteúdo remete às conseqüências vistas no texto que você publicou, "Que tipo de crente é esse?!".

Seria um belo "sermão dominical"!!! rsssss

Forte abraço e continue na Paz!

Carlos Herrera disse...

Olá amigo,

O Brabo nos fez entrar no tunel do tempo!
Concordo plenamente que a liturgia formal engessa o culto a Deus,não chego afirmar que impede a ação do E.Santo, mas que tira a espontaneidade dos que se reúnem, isso tira!

abraços

René disse...

Sim, Herrera, foi um passeio através do túnel do tempo!

Mas eu concordo com ele e, inclusive, já disse isso em um texto meu (http://kasteloforte.blogspot.com/2011/04/por-que-nao-sou-membro-de-igreja.html): o modelo atual de igreja impede a ação do Espírito de Cristo.

Só que isso é apenas a minha opinião e, pelo jeito, do Brabo também. rssss

Abração, meu querido amigo, e continue na Paz!

CARLOS HERRERA disse...

Nós somos filhos do cristianismo corrompido, ritualístico e barganhante.

Lutero e os demais reformadores deram uma nova roupagem ao cristianismo...que em comparação ao romanismo, ficamos um pouco mais ligth..
perooooo, ainda continuamos corrompidos, ritualisticos e de umas décadas para cá, extremamente barganhantes...rsss

De maneira que corroboro com a Regina, temos que :
" desintoxicar disso tudo aí que a cultura da igreja católica e da protestante findam por inundar nossas veias de forma sutil e gradativa ao longo da nossa existência"

Mas sabemos que essa desintoxicação, na maioria das vezes, vem de maneira progressiva...nos encontros, no caminho, no chão da vida, é quebrando a cara rssss....

René, meu mano querido, quanto ao modelo atual de igreja, se impede a ação do Espírito de Cristo?
Continuo a crer que não, embora respeito sua opinião!

continuo a crer que engessa, roupa a espontaneidade, até limita em certos aspecto da coletividade...mas creio que na individualidade dos que se ajuntam,( seja na sala de casa ou num templo pequeno ou majestoso rss) sempre haverá um coração aberto, que não extinga a atuação do doce E.Santo.

abração

René disse...

Desculpe a demora, Herrera. Fiquei sem internet à tarde.

Evidentemente, meu irmão, sempre há um coração aberto, acessível ao Espírito Santo, seja onde for. Quando digo que o modelo atual de igreja impede a ação do ES, me refiro ao que esse modelo se propõe, que é exatamente fazer a ligação (religare) entre o homem e Deus. Neste aspecto, seu efeito é exatamente o contrário.

Valeu, meu amigão! Abração!!!

CARLOS HERRERA disse...

Ahh tá....Pô meu! agora tá explicado!

-Esse papel de religar alguém a Deus, jamais caberá a igreja como comunidade...

1ºseria extremamente jactancioso e usurpante por parte da igreja, pois é o mesmo que roubar o papel que cabe apenas a Jesus...

2ºPorque a verdadeira religião, como ato de religar algo, para mim, não é a que parte do homem para Deus, mas é a que parte de Deus em direção ao homem, mediante a deliberalidade divina de enviar seu filho amado para todo que nele crê não pereça mas tenha vida eterna... pois,"Deus estava em Cristo, reconciliando(religando) consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões

3ºIgreja como comunidade (seja culto na sala de casa, igreja institucional, caminho da graça) "serve apenas para viabilizar encontros em torno de Cristo" e nada mais !
(pena que isso na maioria das vezes não é assim)

Confesso, nesse período que fiquei longe do blog, foi para colocar as coisas em ordem na minha cachola rss
eu, decidi romper com a igreja institucional, embora a que eu congregava, seja um modelo antagônico ao que vemos por ai. hoje, temos nos reunido aqui em casa..com o objetivo de nos alegrar em Deus...

abração amigo

René disse...

Herrera,

Suas observações são perfeitas!!! É exatamente como você explicou!!!

Fico feliz por saber que você tem tido reuniões de adoração a Deus (manifestação de alegria por Sua obra perfeita) em sua casa, junto a pessoas que crêem como você (como nós). Tenham sempre a confiança de que o Senhor está junto a vocês, através de Seu Espírito, conduzindo seus passos. Digo isto, porque a gente está tão impregnado de religiosidades que, às vezes, pensa que a reunião não está sendo do agrado de Deus, por não se parecer em nada com a liturgia conhecida. Mas creia: as reuniões de adoradores do Senhor sob o comando do Espírito de Cristo são completamente diferentes daquilo que se está acostumado a ver...

Abração e continue na Paz, amigão!

CARLOS HERRERA disse...

Valeu pelas palavras de incentivo..

Eu já tive a mente religiosa, portanto o meu teologizar era extremante religioso!

Como todos, era condicionado a achar que a comunidade chamada igreja, era a casa de Deus, e não irrrrrrr a casa de Deus, era o mesmo que estar desviado...quanta babaquice rsss

De 4 anos para cá minha mente foi liberta da potestade pastoral..

Apos, levar tanta pancada, aprendi, que ser pastor não é uma profissão, mas uma vocação! não é um titulo, mas um dom espiritual,
não é viver nababescamente, mas ser o garçom que serve a todos sem distinção.

Enfim, fui livre da potestade pastoral, pelo legitimo Pastor! Jesus!

René disse...

Certamente, Herrera, esse acontecimento originou mais uma festa no céu!

Suas palavras me fizeram lembrar o "The Who" cantando na ópera rock "Tommy" (esquenta não, que isso é coisa de véio): "I'm free!!!".

Abração e Paz!

Alan Capriles disse...

Meu querido amigo,

Esse é um dos melhores textos que já li sobre o assunto! Foi muito edificante.

Como você sabe, também estou nesse processo de desintoxicação que a Regina comentou. O mais difícil é conduzir a uma igreja inteira nesse processo. Mas, graças a Deus, estamos conseguindo, passo após passo.

O que mais me incomoda é que as pessoas se reúnam para "assistir" a um culto, quando todos nós devemos ter a liberdade para expressar nossa experiência pessoal com Cristo, o que é muito diferente de ter oportunidade para cantar ou fazer uma mini-pregação. Temos feito a transição nesse processo através do que chamamos de encontro nos lares, no qual irmãos em Cristo e pessoas interessadas no evangelho se reúnem semanalmente na casa de alguém para se meditar no que Jesus nos ensinou. Tem sido uma experiência muito edificante, pois todos participam (ao invés de serem espectadores) e todos crescem no amor a Deus e ao próximo.

Minha oração é que outros pastores também despertem para a verdade e, segundo a direção do Espírito Santo, conduzam suas igrejas nesse processo de libertação. É, realmente, um processo. Não tem como ser de outra forma, pois o radicalismo apenas espantaria os irmãos, fazendo-os buscar qualquer outra igreja na qual estariam enganando a si mesmos e sendo enganados.

Peço por sua ajuda em oração, pois sinto-me isolado nessa babilônia gospel que é São Gonçalo, e rodeado por um sistema evangelical que tenta me devorar, tal como Daniel na cova dos leões. Falo sério, preciso muito da oração de todos vocês, que despertaram para o verdadeiro evangelho. Agradeço, de coração.

Um forte abraço,
na graça e paz do Senhor Jesus.

René disse...

Meu querido amigo Alan,

Também é um dos melhores textos que já li sobre o assunto, senão, o melhor!

Sim, sei do seu processo e imagino a enorme dificuldade de conduzir todo um rebanho à unidade de pensamento nesse sentido.

Seu incômodo é o mesmo que o meu: essa coisa de se ir a um lugar para assistir algo, está mais para uma ida a um espetáculo no final de semana. Não tem nada a ver com cultuar a Deus. Não tem nada a ver com a compreensão da Sua mensagem e com a conseqüente gratidão por isto. Essa participação de todos, como você cita, é fundamental, até mesmo, vital, pois é através disso que o Senhor edifica Sua Igreja.

Quanto a outros 'pastores' despertarem para esse fato, é bom lembrarmos que, em caso de despertamento verdadeiro, muitos constatarão que nem são pastores. Que nunca receberam esse dom do Senhor, diferentemente de você. Ainda assim, deveriam confessar tal constatação, exatamente para que esse processo de libertação se inicie. Isto, evidentemente, sob total orientação do Espírito de Cristo.

Sempre lembro de você em minhas orações, meu amigo. Sei do que você fala ao dizer que São Gonçalo é uma babilônia gospel. Mas não se esqueça: ela não é a única! Há muitas outras localidades na mesma situação. A religião é a maior arma de Satanás, não o ateísmo, e ele a tem usado com muito sucesso aqui no Brasil.

Forte abraço, meu irmão, e continue na Paz!

Cláudio Nunes Horácio disse...

Ótimo!

René disse...

Disse tudo!

Anônimo disse...

Os evangélicos não seguem Lutero. Evangélico só segue o que quer da Bíblia. Eles pegam um pouco de Lutero, um pouco de Calvino e aplicam a sua própria doutrina pessoal a partir da leitura que fazem da Bíblia, muito embora esta proíba interpretações particulares(Pedro). Assim, o evangélico se torna apologista da sua própria doutrina e fazendo-se sábios aos seus próprios olhos, tão logo seja contrariado ele muda de denominação quando não raras vezes funda uma nova seita. Já não se fazem hereges como antigamente. O próprio Lutero disse: "um dia cada cabeça será uma igreja." E disse ainda o adúltero e blasfemo bêbado: "chegará o dia que precisaremos trazer de volta os dogmas e concílios católicos em virtude de tantas doutrinas espúrias que já são vistas." E ele disse isto 500 anos atrás. Se visse a atual Babel protestante de Malafaias, Macedos, Soares, Valadão e Terra Nova, ficaria espantado. Mas ele é o culpado por ter dissiminado por orgulho e soberba o vírus do livre exame que lhe foi vomitado no coração pelo inferno. Ora, os filhos de Lutero só podem fazer as obras de seu pai. E que obras são estas ?
Blasfêmias, mentiras, brigas, contendas, acusações, falsos testemunhos, calúnias e toda a sorte de doutrinas divergentes, contraditórias e anti bíblicas.
Pode uma árvore má produzir bons frutos ?
Então como é possível aos filhos de Lutero produzirem caridade, unidade e bom senso ?

René disse...

Caro Anônimo,

Em primeiro lugar, devo dizer que acho uma pena alguém fazer todo um esforço de elaborar um comentário, seja ele com o teor que for, e não se identificar. De qualquer forma, dou minha opinião sobre o que você escreveu:

Discordo de você sobre os evangélicos não seguirem a Lutero. Creio que, ainda que inconscientemente, eles o fazem, afinal, normalmente, são dirigidos por pessoas que se encheram do conhecimento deixado por ele. Mas, como você mesmo disse, não é apenas a ele que seguem: seguem também a outros muito conhecidos na história da igreja protestante, como Calvino, por exemplo. Evidentemente, sobre tal conhecimento aplicam também aquilo que interpretam das escrituras. E, sendo doutrina de homens, não do Espírito Santo, dá no que dá.

Aliás, quanto à interpretação da Palavra, não consigo achar onde Pedro proíbe tal prática. Entendo que todos somos orientados pelo Espírito de Cristo à compreensão da Palavra, solucionando dúvidas, ou eventuais equívocos, na própria Palavra.

A citação de Lutero, que você trouxe, "um dia cada cabeça será uma igreja", espelha bem o que tem acontecido nas últimas décadas, em virtude, repito, de se tratar de doutrinas de homens, que não têm o Espírito. Cada um, na sua soberba particular, se considera o mestre na interpretação da Escritura, sem, ao menos, parar um pouco para “ouvir” o que o Espírito Santo diz à Igreja. Assim, sentem-se ofendidos, quando questionados, e mudam de lugar, como se a sacralidade fosse uma questão geográfica, não de coração. Já a segunda citação nem é digna de comentário.

“Vírus do livre exame vomitado no coração pelo inferno”? Então, as seguintes passagens bíblicas também teriam sido vomitadas pelo inferno: “EXAMINEM-SE para ver se vocês estão na fé” (2Co 13.5); “QUEM CRER e for batizado será salvo, mas QUEM NÃO CRER será condenado” (Mc 16.16); “Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e CRER EM SEU CORAÇÃO que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo” (Rm 10.9); “AQUELE QUE PERSEVERAR até o fim será salvo” (Mt 24.13); "VENHAM A MIM, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mt 11.28); “Eis que estou à porta e bato. Se ALGUÉM OUVIR a minha voz E ABRIR a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo” (Ap 3.20). Veja que todas essas passagens supõem uma decisão pessoal pautada em ponderações racionais pessoais. Portanto, não creio que seja prudente tentar entrar em discussão a respeito de antinômios (verdades que se contradizem, assim como a trindade, ou a natureza dual Homem/Deus de Jesus), que nos foram reveladas para as aceitarmos em fé.

Quanto à sua conclusão, concordo totalmente: filhos de homens não podem produzir fruto bom. Apenas os filhos de Deus, que têm o selo do Espírito, manifestarão o fruto deste mesmo Espírito!

Abraços e Paz!

antonio disse...

Muito bom texto.... Profundo e intelectual. Amanha vou a Missa e a noite ao culto.... Muito obrigado.

René disse...

Como ironia, é um programão pra amanhã, Antonio!

Paz!